quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Semana de Filosofia

Pe. Elílio de Faria Matos Júnior

De 07 a 11 de novembro p.p., aconteceu a XII Semana de Filosofia do Curso de Filosofia do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF) e Instituto Teológico Arquidiocesano Santo Antônio (ITASA) com o tema “Filosofia da Religião: um diálogo entre fé e razão”. O evento foi organizado pelo Departamento Acadêmico (DA) com o apoio da coordenação e dos professores do Curso de Filosofia e contou com várias conferências, minicursos e comunicações. A abertura, ocorrida no Campus Academia, foi abrilhantada pela excelente apresentação do Coral Pró-Música e contou com a presença do Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, que, na ocasião, reafirmou a importância do diálogo entre fé e razão, objeto de explanação de um dos mais importantes documentos do pontificado do Beato João Paulo II, a Carta Encíclica Fides et Ratio, de setembro de 1998. Após a abertura, o evento passou a realizar-se no Campus Seminário (no prédio do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio), de modo que, ao longo da semana, os participantes puderam entrar em contato com muitas formas de pensar e com os desafios que o mundo contemporâneo apresenta ao cristão que procura viver a sua fé sem renunciar às exigências da razão.

Vale lembrar que as relações entre fé e razão pertencem, se assim se pode dizer, ao “DNA” de nossa civilização ocidental, que tem como eixos fundamentais e constitutivos a fé na Palavra de Deus revelada e acolhida na Igreja, de um lado, e o ideal grego da razão, de outro. É verdade que muitos pretendem deixar para trás as raízes do Ocidente e recomeçar a história sem a fé no Cristo e com o uso de uma razão meramente instrumental, fechada ao mistério. A Igreja acredita, porém, que a fé no Lógos divino encarnado conjugada com o sério exercício de uma razão que se abre à transcendência poderá indicar o caminho para um futuro digno do homem, superando, assim, a grande “crise de sentido” por que passa a humanidade no momento atual.

Recordem-se as palavras do Beato João Paulo II: “Esta verdade, que Deus nos revela em Jesus Cristo, não está em contraste com as verdades que se alcançam filosofando. Pelo contrário, as duas ordens de conhecimento conduzem à verdade na sua plenitude. A unidade da verdade já é um postulado fundamental da razão humana, expresso no princípio de não-contradição. A Revelação dá a certeza desta unidade, ao mostrar que Deus criador é também o Deus da história da salvação. Deus que fundamenta e garante o caráter inteligível e racional da ordem natural das coisas, sobre o qual os cientistas se apoiam confiadamente, é o mesmo que Se revela como Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Esta unidade da verdade, natural e revelada, encontra a sua identificação viva e pessoal em Cristo, como recorda o apóstolo Paulo: « A verdade que existe em Jesus » (Ef 4, 21; cf. Col 1, 15-20). Ele é a Palavra eterna, na qual tudo foi criado, e ao mesmo tempo é a Palavra encarnada que, com toda a sua pessoa, revela o Pai (cf. Jo 1, 14.18). Aquilo que a razão humana procura « sem o conhecer » (cf. At 17, 23), só pode ser encontrado por meio de Cristo: de fato, o que n'Ele se revela é a « verdade plena » (cf. Jo 1, 14-16) de todo o ser que, n'Ele e por Ele, foi criado e, por isso mesmo, n'Ele encontra a sua realização (cf. Col 1, 17)” (Carta Encíclica Fides et Ratio, n. 34).

sábado, 8 de outubro de 2011

Card. Piacenza habla del “espíritu del concilio” en sentido contrario a como nos lo han vendido por 40 años

El sitio de internet de la Congregación para el Clero ha publicado las recientes intervenciones del Card. Piacenza en la Ciudad de Los Angeles. De una de ellas, encuentro con los seminaristas, resaltamos este aparte que habla del tal “espíritu del concilio” en forma negativa y no positiva, como nos lo han vendido por más de 40 años:

 [...]

Vosotros habéis nacido en el Postconcilio (creo casi todos) y quizás, por eso sois hijos del Concilio, en cuanto más inmunes a las polarizaciones, a veces ideológicas, que la interpretación de aquel Acontecimiento providencial ha suscitado.

Seréis vosotros, probablemente, la primera generación que interpretará correctamente el Concilio Vaticano II, no según el “espíritu” del Concilio, que tanta desorientación ha traído a la Iglesia, sino según cuanto realmente el Acontecimiento Conciliar ha dicho, en sus textos, a la Iglesia y al mundo.

¡No existe un Concilio Vaticano II diverso del que ha producido los textos hoy en nuestra posesión! Y en estos textos nosotros encontramos la voluntad de Dios para su Iglesia y con ellos es necesario confrontarse, acompañados por dos mil años de Tradición y de vida cristiana.

La renovación es siempre necesaria a la Iglesia, porque siempre necesaria es la conversión de sus miembros, ¡pobres pecadores! ¡Pero no existe, ni podría existir una Iglesia pre-Conciliar y una post-Conciliar! Si fuera así, la segunda – la nuestra – ¡sería histórica y teológicamente ilegítima!

[...]

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fonte da felicidade

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Creio que, conforme reconhecia Aristóteles, o grande desejo do homem seja a felicidade. Onde encontrá-la? Essa pergunta foi considerada pelo filósofo, uma vez que muitos em sua época pretendiam achá-la nos prazeres, na riqueza ou na honra. O Estagirita fez ver que a autêntica felicidade não pode depender, em última análise, dessas três coisas, já que, se assim fosse, a realização humana estaria à mercê de algo sobre o que jamais poderíamos ter completo domínio. A honra? Ela depende mais de quem nos honra. A riqueza? De repente, ela pode se dissolver. Os prazeres? Mas eles não representam aquilo que é especificamente humano.

 Aristóteles bem viu que a posse da felicidade, decisiva para a nossa realização, deve depender de algo que não perdemos sem mais. "Ora, sentimos que o bem deva ser algo próprio ao seu possuidor e difícil de ser suprimido". Deve ser algo imune aos azares e acidentes, cuja estabilidade nos traga a alegria do repouso deleitante. É sabido que foi no conhecimento e no amor que o homem pode prestar ao Pensamento subsistente (o Divino) que, fundamentalmente, nosso filósofo identificou a fonte estável da realização humana. O meu amor ao Divino, com efeito, é algo sobre o que eu exerço domínio. Ninguém mo pode roubar. Nenhuma circunstância ou fatalidade mo pode impedir de fazer.

Como todo grego, entretanto, Aristóteles não vislumbrou que pudesse existir uma fonte muito mais segura na qual se funda a felicidade humana. Trata-se, não primeiramente do nosso amor a Deus, mas, antes, do amor de Deus por nós. "Ele nos amou primeiro" (1Jo 4,19). O amor que Deus nos dedica goza de uma estabilidade “absolutamente absoluta”. É amor divino. Deus nos ama sempre, e ele não se desdiz jamais. Apesar de toda a nossa fragilidade e miséria, ele continua a nos amar. É sempre possível voltar para a casa do Pai, pois sempre o encontraremos de braços abertos a nos acolher com ternura. E é como resposta a esse amor eterno que o nosso amor deve surgir, fazendo brotar em nossa alma a fonte inesgotável da felicidade. Para aquele que tem consciência de ser amado por Deus, aconteça o que acontecer, se ele procura a face do Deus cheio de amor, saberá que sua vida está absolutamente segura e será, assim, uma pessoa feliz!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Que é a verdade?


Dom Estêvão Bettencourt, OSB

Aliás, 'que é a verdade?', já perguntava Pilatos (Jo 18,38). Existe a verdade? A sociedade contemporânea tende a relativizá-la, principalmente quando se trata de explicar o mistério do homem. As ciências naturais, em seu progresso constante, são cautelosas ao propor suas teses: o que hoje parece ser a verdade em Física, em Astronomia, em Biologia... amanhã poderá ser tido como erro. A Filosofia moderna é crítica e, por vezes, cética no tocante à possibilidade de atingir a verdade. Todavia é precisamente neste mundo que o cristão há de ter a coragem de afirmar que ele conhece a Verdade, não por ser mais inteligente do que os seus semelhantes, mas porque Deus lhe revelou o verdadeiro sentido do homem e da vida.

Que falta então ao mundo de hoje? – Pode-se dizer que lhe falta o testemunho mais lúcido da verdade revelada por Deus e confiada aos discípulos de Cristo. 'Vós sois o sal da terra', diz o Senhor. 'Mas, se o sal perder o seu sabor, com que o salgaremos?' (Mt 5,13). Os tempos confusos, cheios de linhas cruzadas e contradições fantasiosas em que vivemos, parecem estar interpelando o sal da terra e pedindo-lhe que não deixe dissolver-se o seu sabor. É a graça de Deus que salva o mundo... graça desse Deus que quer agir entre os homens mediante os homens numa continuada encarnação. Daí a pergunta: que fazes, cristão, do teu Batismo? Que fazes da tua Eucaristia? Que fazes da Palavra da Verdade que te foi entregue graciosamente para que amasses e irradiasses? Ama a Verdade e realiza o teu martyrion (testemunho) até as últimas consequências, ainda que isto te custe a própria vida. Dar a vida pela verdade é precioso e indispensável serviço aos irmãos, é fonte de profunda alegria.

Texto publicado na Revista Pergunte e Responderemos nº 449, Outubro/1999

sábado, 16 de julho de 2011

E o retrato de Jesus?

Dom Estêvão Bettencourt, OSB

Em síntese: Não é possível reconstituir o retrato físico de Jesus, visto que faltam dados precisos a respeito nos Evangelhos. Os antigos cristãos estavam muito mais interessados na figura de Jesus glorioso e ressuscitado do que em sua fisionomia mortal. A Tradição afirmou ora que Jesus foi muito feio, ora que foi o mais belo dos filhos dos homens, tentando valer-se de textos bíblicos. Nada disto, porém, tem fundamento. — Pode-se assegurar que, em virtude do mistério da Encarnação, Jesus devia adotar os costumes honestos dos homens do seu tempo: usava barba, cabeleira longa cortada atrás, túnica, cinto, manto, sudário para cobrir a cabeça e o pescoço frente ao sol da Palestina. Devia gozar de saúde física e psíquica vigorosa e resistente, pois viveu muito pobre e se entregou a duras tarefas sem ter, muitas vezes, onde comer e dormir; chegaram os seus parentes a tê-lo como louco, não porque fosse deficiente, mas porque se entregava, sem se poupar, às lides apostólicas. Somente um homem forte, de estatura robusta e grande equilíbrio psíquico, poderia agüentar o que o Evangelho atribui a Jesus.

É muito freqüente procurar-se reconstituir hoje os costumes vigentes no tempo de Jesus; as descobertas literárias e arqueológicas provocam essa válida curiosidade. Especialmente a fisionomia humana de Jesus é objeto de indagações. Qual terá sido o tipo de Jesus homem: alto, forte, cabelos compridos e barba longa?. . . É o que insinua a imagem do Sudário de Turim, cuja atualidade e importância permanecem aceitáveis até hoje.

Há, porém, quem se apóie em outros dados para reconstituir o semblante de Jesus. Dizem, por exemplo, que não devia usar cabelos compridos porque era costume dos gregos e dos romanos o corte curto dos cabelos para os homens; o Talmud dos judeus, por sua vez, prescreve que os sacerdotes vão ao cabeleireiro uma vez por mês para o corte dos cabelos; daí se deduziria que também os rabinos ou mestres judeus estavam sujeitos a esta lei.
Em vista destes dados nem sempre coerentes entre si, pergunta-se: que há de certo sobre a identidade física de Jesus?

1. Os elementos do Evangelho e da Tradição

A partir dos Evangelhos, pode-se compor a seguinte ficha de identidade de Jesus:

1. Nome: Jesus, em hebraico Jeshu'a, abreviação de Jehoshu'a,

2. Pai oficial: José, em hebraico Josef. Por isto, o cognome de Jesus seria, segundo o estilo semita: ben Josef, filho de José; ver Lc 4,22;

3. Mãe: Maria, em hebraico Myriam;

4. Lugar de nascimento: Belém da Judéia;

5. Data do nascimento: "Nos tempos do rei Herodes" (Mt 2,1); por ocasião do "primeiro recenseamento de Quirino, Governador da Síria" (Lc2,1s);

6. Residência: Nazaré da Galiléia (e, depois, Cafarnaum);

7. Estado civil: celibatário;

8. Profissão: carpinteiro (e, depois, rabino);

9. Sinais particulares: nenhum.

Sobre este último ponto os Evangelhos não nos dão informação alguma.
Há quem imagine que Jesus era de baixa estatura por causa do texto de Lc 19,2s:

"Um homem chamado Zaqueu, rico e chefe dos publicanos, procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura".

Geralmente se entende que "de baixa estatura" era Zaqueu, e não Jesus.

Nos primeiros decênios os Apóstolos e discípulos não se preocuparam com o retrato físico de Jesus, pois a figura gloriosa do Ressuscitado lhes interessava mais. Por isto nem nos Evangelhos nem nas cartas de São Paulo há a descrição do físico de Jesus.

Foi somente nos séculos II/III que os escritores cristãos se voltaram para esse aspecto do Senhor. São Justino (+165), Clemente de Alexandria (+215) e Orígenes (+253) — respondendo aos comentários mordazes do filósofo pagão Celso — fazem de Jesus um homem feio ou até deformado, baseando-se na profecia de Isaías, que apresenta o Servo de Javé padecente como alguém que "não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar" (Is 53,2). Tal opinião podia encontrar apoio também na concepção platônica, que via no corpo o cárcere da alma ou algo de indigno do homem; se um corpo bem constituído era obra do demônio tentador, Jesus devia ter uma fisionomia corporal pouco atraente.

No século IV, porém, a literatura cristã reagiu contra essa imagem. Influenciada pelo esteticismo greco-romano, apresentou Jesus como homem fascinante; corroborava esta afirmação apelando para o SI 44,3, que celebra o Rei messiânico por ocasião de suas núpcias: "Tu és o mais belo dos filhos dos homens". — Todavia também esta fundamentação é fraca; não se pode, portanto, asseverar que Jesus tenha sido extremamente belo ou extremamente feio em seu porte físico.

Na Idade Média propagou-se com grande êxito uma carta atribuída a um procônsul romano chamado Lêntulo (sabe-se que na verdade existiu um Gneo Cornélio Lêntulo, que foi cônsul em 18a.C.e em 11 d.C., mas nunca esteve na Palestina). Eis os dizeres desse texto:

"Jesus é homem de estatura elevada e bem proporcionada, de olhar tendente à severidade. Todos os que o consideram, podem amá-lo e temê-lo. Os seus cabelos têm a cor das nozes de Sorrento muito maduras e descem lisos quase até as orelhas; das orelhas para baixo são crespos e formam cachos um pouco mais c/aros e brilhantes; caem ondulados sobre os ombros. A cabeleira está dividida ao meio, segundo o costume dos nazarenos. A sua fronte é lisa e muito serena; o semblante não traz nem rugas nem manchas e é embelezado por um colorido róseo. O nariz e a boca são regulares e perfeitos. Tem barba densa, da mesma cor que os cabelos; não é longa e parte-se na altura do queixo. O seu aspecto é simples e maduro. Os seus olhos são azuis, vivazes e brilhantes. . . A estatura do corpo é alta e reta, as mãos e os braços são graciosos ao olhar. Fala pouco, séria e comedidamente..."

Ora este "retrato" de Jesus não parece anterior aos séculos XIII/XIV.— Já em 1450 o famoso humanista Lourenço Valla o tinha na conta de falso. Não se pode dar crédito a essa imagem tardia e certamente espúria.

Procuremos, pois, desenvolver os traços certeiros da fisionomia de Jesus fornecidos pelos Evangelhos.

2. Tentando uma aproximação

Os textos do Evangelho dão a impressão de que o aspecto físico de Jesus devia ser agradável e atraente. É o que se depreende do impacto que Ele causava às multidões e também aos enfermos, aos pecadores e às pecadores (cf. Mc 1,27.37.45; Lc 7,16s...). Esse impacto era devido não somente ao vigor espiritual e religioso de Jesus, mas também à graça de seu semblante e do seu porte. Principalmente o olhar de Jesus devia sacudir, censurar, inflamar, como se deduz da locução familiar a São Marcos: "Ele, olhando em torno de si, disse..." (cf. Mc 3,5.34; 5,32; 10,23; 11,11).

Além disto, pode-se dizer que Jesus gozou de boa saúde física; era apto ao trabalho árduo e mostrava-se resistente à fadiga. Iniciava o dia bem cedo, como atestam os evangelistas:

"E pela manhã, muito cedo, levantou-se e foi a um lugar deserto para orar" (Mc 1,35).

"Ao romper da aurora, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles" (Lc6,13).

Jesus se dava bem ao contato com a natureza. Gostava do lago e das colinas da Galiléia. Aliás, toda a sua vida pública foi um ir-e-vir contínuo pelas serras e planícies da sua terra. Caminhava com o mínimo de apetrechos ou subsídios, como Ele recomendava aos discípulos: "Nada leveis convosco para o caminho, nem bastão, nem bolsa, nem pão nem dinheiro" (Lc 9,3). Muitas vezes terá experimentado a fome e a sede. Ele, aliás, podia dizer: "As raposas têm tocas, e as aves do céu ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" (Mt 8,20). Quando penetrava numa casa, era hóspede ou peregrino, porque não tinha nem casa nem onde repousar a cabeça. Pode-se crer que tenha passado muitas noites ao relento.

Diz ainda São Marcos que a atividade apostólica de Jesus era tão intensa que por vezes não tinha tempo nem para comer e, por isto (porque muito dedicado ao trabalho), passava por louco; cf. Mc 3,20; 6,31. Até horas tardias da noite os doentes o procuravam; cf. Mc 3,7.

Nunca se lê que Jesus tenha perdido a calma, nem mesmo nas ocasiões mais excitantes. Certa vez, durante forte tempestade no lago de Genesaré foi encontrado pelos discípulos a dormir tranqüilamente sobre um travesseiro. Despertado pelos Apóstolos, não se perturbou, mas com toda a presença de espírito dominou a tormenta (cf. Mc 4,38s).

O conjunto destes fatos mostra claramente que Jesus gozava de pleno equilíbrio psíquico e físico ou de saúde perfeita e vigorosa.

O mistério da Encarnação leva-nos a crer que Jesus seguia os costumes honestos de seus contemporâneos: barba longa, usual entre os judeus; cabelo pendente e cortado atrás, à diferença dos nazarenos, que nunca o cortavam (cf. Nm 6,5). São Paulo, aliás, nos diz que para o varão é desonra "deixar crescer a cabeleira" (cf. 1Cor 11,14). Vestia uma túnica de lã, um cinto que trazia eventualmente a bolsa do dinheiro (cf. Mt 10,9), um manto (cf. Lc 6,29) e sandálias (cf. At 12,8). O relato da Paixão diz que a túnica de Jesus era "inconsútil, tecida de uma só peça" (cf. Jo 19,23). Um sudário branco, que cobria a cabeça e o pescoço, devia protegê-lo contra as intempéries do sol nas suas longas caminhadas; Pedro havia de encontrar dobrado no sepulcro esse sudário; cf. Jo 20,7. Jesus, porém, desprezava toda preocupação excessiva com o seu modo de vestir-se (cf. Mt 6,28).

Eis o que se pode dizer de mais seguro sobre o aspecto físico ou o retrato humano de Jesus. O cristão sabe que mais importante do que essa fisionomia exterior é a face interior e íntima do Senhor Jesus, que a fé — e somente a fé — é capaz de conhecer e experimentar.

Ver a respeito Karl Adam Jesus Cristo. Ed. Quadrante, Rua Iperoig 604, 05016 São Paulo (SP).

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 347 – abril 1991

"Escolha sua Igreja..."

Dom Estêvão Bettencourt, OSB


Em síntese: O sociólogo Gilson Gondim comenta a multiplicação de "Igrejas"protestantes, mostrando a manipulação do conceito de Igreja por parte de empreendedores que chegam a vender igrejas com seus membros. As novas comunidades eclesiais têm nomes fantasiosos, que ilustram o vilipêndio da noção de Igreja.

O JORNAL DA PARAÍBA, edição de 11/10/03, publicou significativo artigo do sociólogo Gilson Gondim, que vai, a seguir, transcrito e comentado:

"Escolha sua Igreja. Ou funde uma."

O Brasil tem, segundo o Censo, cerca de 26 milhões de evangélicos. A revista 'Eclésia', em sua edição no91, informa que o número médio de membros por denominação é de aproximadamente 1.500. Isto significa que há no Brasil cerca de 17.000 (isso mesmo: dezessete mil) denominações evangélicas. O número de templos é calculado pela revista em 150.000, o que dá uma média em torno de nove templos por igreja. Como algumas igrejas têm centenas ou milhares de templos, a grande maioria tem apenas um ou dois.

É extremamente fácil fundar uma igreja por aqui. Basta formar uma diretoria composta de oito pessoas, fazer uma reunião para aprovar a ata de fundação, elaborar o estatuto e registrá-lo em cartório. O processo todo custa 250 reais, mais o que se pagar ao contador que cuidar da papelada. Uma parte muito importante do empreendimento é a escolha do nome. Alguns empreendedores evangélicos escolhem nomes grandiloqüentes e pretensiosos. Outros incluem palavras consagradas por denominações já estabelecidas. Os mais atentos fazem as duas coisas. É o caso da Igreja Universal da Assembléia dos Santos, que pega uma carona nos nomes da pentecostal Assembléia de Deus e da neopentecostal Igreja Universal do Reino de Deus. A pretensão fica por conta do adjetivo "Universal" e do substantivo "Santos". E assim vão se fundando cinco igrejas por semana, somente no Estado do Rio de Janeiro.

Algumas igrejas fazem uma salada teológica. É o caso da Igreja Evangélica Muçulmana Javé É Pai e da Igreja Evangélica Espírita Nacional. Se o fundador desiste do negócio, pode vender a igreja. O jornal carioca Balcão, que publica anúncios vendendo de varas de pesca a livros raros, publicou um anúncio que oferecia uma igreja com prédio próprio, móveis e sistema de som completo, além de cerca de 200 membros. Estava vendendo até os membros da congregação! Muitas das 17 mil igrejas têm nomes esquisitos. O professor Paulo Donizéti Siepierski, membro da Associação Brasileira da História das Religiões, explica que a criatividade dos nomes é fundamental para o sucesso do empreendimento: 'A concorrência no mercado religioso tornou-se bastante acirrada nos últimos anos. A necessidade de se diferenciar passou a ser imperativa'.

Se você não quer fundar uma igreja nova e prefere aderir a uma já existente, eis algumas delas:

Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo;

Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D'Agua;

Igreja Evangélica Abominação á Vida Torta;

Igreja Bola de Neve;

Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, A Sumidade;

Igreja Pentecostal do Pastor Sassá;

Igreja Evangélica Adão é o Homem;

Igreja da Pomba Branca;

Igreja do Amor Maior que Outra Força;

Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado;

Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica;

Igreja Evangélica Pentecostal A Última Embarcação Para Cristo;

Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo;

Igreja Cristo é Show...".



QUE DIZER?

Abstração feita dos possíveis exageros nos cálculos do artigo, este não deixa de refletir uma dolorosa realidade: a comercialização dos valores sagrados. Pode-se crer que muitos daqueles que fundam uma nova igreja, estejam de boa fé, não percebendo o mal que cometem. Tal é o subjetivismo (aliás patrocinado por Lutero com a sua tese do "livre exame da Bíblia") impregnado nesses irmãos que concebem a Igreja como um clube ou um partido político, que cada interessado pode fundar e vender de acordo com as suas conveniências. As denominações recenseadas por Gilson Gondim têm seu estilo popular, semelhante ao de uma brincadeira.

Na verdade, só existe uma Igreja fundada por Cristo: aquela que Ele construiu sobre a Rocha e confiou ao pastoreio de Pedro e seus sucessores. Essa Igreja é sacramento ou uma realidade divino-humana; ela de certo modo continua o mistério da Encarnação; o Filho de Deus aí se recobre de fragilidade humana... fragilidade porém que não impede a sua ação santificadora em favor de quantos O procuram através dos véus humanos. Vê-se, pois que ninguém pode fundar uma igreja nova; Igreja não é clube esportivo nem partido político.

Fonte: PERGUNTE E RESPONDEREMOS 500 – fevereiro 2004

domingo, 10 de julho de 2011

São Bento

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Hoje é dia de São Bento de Núrsia, protagonista do monaquismo ocidental. A grande mensagem que esse santo do século VI nos deixa é a de que o homem precisa colocar a Deus como prioridade de suas escolhas: Nihil Christo praeponere.

Diante de um mundo secularizado como é o nosso, o homem precisa redescobrir a beleza da fé em Deus. O homem sem Deus desumaniza-se. Torna-se escravo do finito: de si mesmo, dos outros e das coisas. Com Deus, ao contrário, ele atinge os mais altos patamares de humanidade, de liberdade interior e de vitalidade.

São Bento descobriu, desde tenra idade, que o homem vivo é o homem que acolhe a Deus em sua alma e se deixa transformar pela Palavra da Verdade. Enviado à Roma pagã para estudar, vê a dissolução dos costumes reinante entre os estudantes, e prefere retirar-se para estar a sós com Deus. Foi, então, quando se voltou para Deus, não querendo outra coisa senão o que Deus mesmo queria, que pôde transformar o mundo. Seu legado, uma decorrência de sua profunda espiritualidade, ajudou a fundar a Europa e ainda hoje nos ilumina. Viva São Bento!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Questões de fé

Padre Elílio de Faria Matos Jr.

1. Em que nos manda crer a fé católica?
R.: A fé católica nos manda crer em Deus Pai, em seu Filho Jesus Cristo, que veio ao mundo para nos salvar, e no Espírito Santo, que assiste a Igreja e santifica o cristão. Deus é Uno e Trino, ou seja, é um só em três pessoas realmente distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Fomos criados por ele e para ele. Deus Filho assumiu a natureza humana, veio nos ensinar o caminho para Deus, conquistar a nossa Redenção e nos dar a graça, pelo Espírito, para vencer o pecado e amar a Deus e ao próximo, vivendo no seio da família que ele congregou, a Igreja, na esperança da vida eterna e da feliz ressurreição dos mortos.


2. Deus foi quem criou todas as coisas?
R.: Sim. É por Deus que tudo existe. Deus é o Ser que existe desde sempre e para sempre. Tudo o mais foi criado por ele do nada. Mas do nada, dada pode vir – replicará alguém. É verdade. Do nada, nada pode sair. O Universo, porém, não veio do nada, mas veio após um nada; veio do poder infinito de Deus, que não precisa de nenhuma matéria prima ou instrumento para fazer existir tudo o que existe. Foi por amor, para comunicar o seu Ser e difundir a sua Bondade, que Deus tudo criou. Criar é dar a existência àquilo que não existia.


3. Como Jesus Cristo conquistou nossa Redenção?
R.: Redimir quer dizer resgatar. Jesus nos resgatou do mal do pecado e da morte. Como homem, ungido pelo Espírito Santo, foi em tudo fiel à vontade do Pai, e isso até a morte de cruz, que foi o supremo testemunho de sua fidelidade. O amor e a obediência de Cristo são capazes de dissolver todos os pecados dos homens. Por isso, devemos crer n´Ele, receber o batismo e viver junto dele, na Igreja, fazendo frutificar a graça que d´Ele recebemos, para sermos, de fato, homens novos e podermos ver a Deus face-a-face um dia. A ressurreição de Cristo é o penhor da nossa ressurreição futura. “Ó morte, onde está a tua vitória?”.


4. O Espírito Santo nos santifica? Como?
R.: Sim. O Espírito Santo nos santifica. Santificar é separar para Deus, para viver a vida de Deus. Jesus nos prometeu o Espírito como um outro Parákletos, isto é, um outro Advogado ou Consolador. O próprio Jesus é o primeiro Parákletos. A missão do Espírito é a de fazer a vida divina, vivida por Cristo como homem, chegar até nossos corações e, assim, animar e fortalecer a Igreja. O Espírito Santo, docilmente, na medida de nossa abertura, faz a nossa vontade tornar-se uma só coisa com a vontade divina. Ele nos torna amigos de Deus, já que a amizade acontece quando um e outro querem as mesmas coisas e rejeitam as mesmas coisas - “Idem velle, idem nolle” (Salústio). O Espírito faz com que o cristão, decididamente, abrace o que é da vontade de Deus e rejeite tudo o que lhe é contrário. Ele nos renova em Cristo e nos dá a graça da deificação, que nos faz viver a vida de Deus, capacitando-nos para receber o prêmio da vida eterna.


5. Viver na Igreja e como Igreja é necessário ao cristão católico?
R.: Sim. Ser Igreja é indispensável ao católico. Faz parte da fé viver na Igreja e como Igreja. A palavra “Igreja” quer dizer “convocação” ou “assembleia reunida”. Só Deus, não os homens, pode convocar o seu Povo e estabelecer a sua Igreja. Jesus Cristo foi quem fundou a Igreja ao convocar os apóstolos, ao escolher Pedro para estar à sua frente, ao ordenar que batizassem e celebrassem a Eucaristia, ao enviar em missão e ao derramar o Espírito Santo. Cristo inaugurou novos tempos e, assim, fundou o Novo Povo de Deus. A Igreja é a casa e a família de Deus no mundo. Se o católico não participa da vida da Igreja, a sua fé ainda não está completa.

6. Qual a importância da Missa dominical?
R.: A Missa dominical é o centro de toda a atividade da Igreja. Tudo o que a Igreja faz ordena-se, em última instância, a que todos participem ativa e piedosamente da Missa; toda a ação da Igreja em favor do Reino de Deus tira sua vitalidade da celebração da Eucaristia. Na Missa, acontece a atualização da obra redentora de Jesus Cristo. É na Missa que, além de ouvirmos atentamente a Palavra de Deus, o Corpo de Cristo entregue por nós e o Sangue que ele derramou na cruz tornam-se realmente presentes. O único sacrifício de Cristo torna-se atual, fazendo-se presente no hoje de nossa história. Pela Eucaristia, entramos em comunhão com a vida de Cristo e recebemos a caridade que o levou a doar a sua vida. O mistério da sua ressurreição e ascensão do Senhor também se faz presente, uma vez que Cristo não poderia atualizar sua entrega ao Pai se não estivesse vivo nos céus. Foi Jesus mesmo que ordenou aos apóstolos a celebração da Missa, quando disse, na última ceia, depois de ter convertido o pão e o vinho em seu corpo e sangue: “Fazei isto em memória de mim”. Os primeiros cristãos, cumprindo o mandato do Senhor, reuniam-se no Domingo, dia da Ressurreição, para celebrar a Eucaristia. Até hoje a Igreja exige dos seus fiéis a participação na Missa dominical, consciente de que a Eucaristia é o grande dom deixado à Igreja por Cristo. Se é a Igreja que faz a Eucaristia, por outro lado é a Eucaristia que faz a Igreja.

7. Posso comungar sempre na Missa o Corpo de Cristo no sacramento?
Em princípio, todo fiel deveria receber o sacramento da Eucaristia na Missa de que participa. Pode-se comungar até duas vezes ao mesmo dia, se a segunda vez for dentro da Missa. A única coisa que impede a comunhão sacramental é o pecado grave ou a situação irregular. Quem está em pecado grave, deve procurar o quanto antes o sacramento da Penitência, confessar-se com arrependimento e voltar a comungar sacramentalmente. Quem vive numa situação gravemente irregular, como são os que vivem amasiados ou os casais em segunda união, embora não possam comungar sacramentalmente, podem e devem participar da vida da Igreja, especialmente da Missa, educar os filhos na fé, praticar boas obras... Os amasiados, se não há nenhum impedimento, se convivem bem, procurem o sacramento do matrimônio. Por que não? Os casais em segunda união procurem pedir a Deus que lhes aponte o caminho certo e, ao mesmo tempo, estejam abertos para receber as luzes que Deus lhes enviar e agir em conformidade. A Igreja os acolhe como mãe e deseja que sejam guiados por Deus.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A verdadeira luta hoje travada

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

O filósofo Karl Jaspers identificou na Antiguidade o que ele chamou de “tempo-eixo”, um período de tempo entre 800 e 200 a.C., que, da Grécia até o Extremo Oriente, foi capaz de forjar o destino da história subsequente. O que caracterizou esse fecundo período, na verdade, foi a tomada de consciência de que o sentido do mundo não se encerra no próprio mundo. Rompendo com visões rigidamente cosmocêntricas, grandes individualidades na Grécia (os filósofos), em Israel (os profetas), na China e na Índia apontaram para uma Realidade metacósmica e nela viram o fundamento do mundo e do homem.

Notadamente, o globo simbólico de nossa civilização ocidental foi constituído pelo encontro de duas experiências nascidas no tempo-eixo, a saber, a experiência da Revelação em Israel e a experiência da Ideia na Grécia. Em ambas as experiências, o homem e o mundo eram remetidos a um fundamento transcendente, que não estava simplesmente ao dispor das arbitrariedades e decisões humanas. No caso de Israel, a experiência do fundamento transcendente se realizou como acolhimento na fé de Deus que se dirige ao homem (movimento de descida); já no caso da Grécia, a experiência se perfaz no movimento de subida, em que se procura alcançar a razão última do mundo e do homem num supremo esforço de exercício filosófico. Num caso como no outro, o fundamento metacósmico é reconhecido como estando muito além da razão finita do homem – supra intellectum -, o que deu origem ao tema do “Deus inapreensível”, estudado pela teologia e pela filosofia.

 Foi a partir do século II de nossa era que a experiência de Israel, já tornada Cristianismo, e a experiência grega se encontraram e mutuamente se fecundaram para abrir, assim, o globo simbólico de nossa civilização ocidental. Desde então, temos vivido sob o signo do fundamento transcendente (Deus, o Absoluto). Acontece, porém, que a modernidade dita pós-cristã tem pretendido fundar um novo tempo-eixo, em contraposição ao primeiro. Um tempo em que a referência ao fundamento transcendente fosse banida de vez. A própria filosofia em geral, esquecendo-se de sua vocação originária, tem procurado transferir para a imanência a fonte de todo sentido que o homem possa ver nas coisas. Deixando de lado o Absoluto transcendente, o establishment cultural dito pós-cristão coloca a fonte de sentido no sujeito,  na natureza, na história, na cultura, na linguagem... Num périplo que parece interminável.

A luta que então se trava é a luta entre uma civilização que tem no transcendente sua medida, de um lado, e, de outro, uma civilização que procura a todo custo imanentizar toda medida, critério ou sentido. Todos os outros embates culturais derivam, de certa maneira, dessa luta fundamental. Mas um novo tempo-eixo que deixe de lado a Transcendência real estaria conforme à dignidade espiritual do homem? Não privaria o homem de sua mais alta expressão, qual seja, a busca do Absoluto?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um novo "tempo-eixo"?

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Ao perlustrarmos os últimos escritos vazianos, principalmente os escritos críticos ou de ocasião[1], uma das questões que saltam aos olhos é, sem dúvida, o reconhecimento da crise da modernidade, crise na qual estamos mergulhados. O relevo da crise diz respeito sobretudo à crise ética e à crise de sentido. Na obra de Padre Vaz, vemos claramente que a crise da modernidade tem como causa, em última análise, a crise do “saber fundamental por excelência, a metafísica”[2].

O projeto filosófico moderno caracteriza-se fundamentalmente, segundo Padre Vaz, pela ambição titânica de transferir para a imanência do mundo o sentido radical da existência, sentido que, segundo o itinerário que encontrou sua mais rigorosa expressão na metafísica tomásica do esse, prendia-se à transcendência do Absoluto real em sua absoluta irredutibilidade.

Só à “inteligência espiritual”[3], em sua abertura constitutiva para o absoluto do ser, é dado reconhecer o Existente como superior summo meo e interior intimo meo[4]. A categoria de espírito e a relação de transcendência, estudadas por Padre Vaz em Antropologia filosófica I e II, mostram suficientemente que o homem é estruturalmente um ser metafísico, isto é, capax entis. Entretanto, no clima intelectual da modernidade, em virtude da “inversão dos termos do paradigma clássico”[5], a inteligência espiritual sofreu uma nova destinação, que significou, no fundo, seu processo de dissolução[6].

Ora, se a inteligência humana é dotada de “um incoercível élan metafísico”[7], a crise da metafísica só pode gerar crises nos diversos domínios da cultura. Com efeito, Padre Vaz vê desfilar no nosso tempo uma ingente procissão de pseudoabsolutos que pretendem substituir o Absoluto real, para o qual a inteligência humana está constitutivamente orientada[8]. Se o Absoluto real não é reconhecido, é natural que realidades finitas candidatem-se a tomar o seu lugar, uma vez que a natureza espiritual da inteligência e da vontade em seu dinamismo ilimitado lança o homem sem cessar para a afirmação de um sentido absoluto.

Para mostrar mais claramente a inflexão operada pela modernidade no nosso globo simbólico, cremos ser útil e necessária a menção ao que Padre Vaz fez questão de registrar em sua obra. Trata-se do assim chamado “tempo-eixo” da história da humanidade, ocorrido no mundo antigo, cuja significação elevou-se à condição de stella rectrix da história humana e, de modo particular, veio a orientar o sistema simbólico de nossa civilização ocidental até pelo menos o aparecimento da modernidade ou até a efetivação da modernidade dita pós-cristã. Ora, na visão de Padre Vaz, o que a modernidade pretende, no fundo, é fundar um novo tempo-eixo em contraposição ao primeiro. Mas será que tal pretensão está à altura do homem? Ou conforme a sua dignidade espiritual?
Na esteira de Karl Jaspers e, sobretudo, de Eric Voegelin, Padre Vaz reconhece a importância do tempo-eixo[9]. Trata-se, com efeito, de um momento histórico muito rico em significação. Situando-se no tempo entre 800 a.C. e 200 a.C. e no espaço geográfico que vai do Extremo Oriente até o Mediterrâneo, o tempo-eixo viu aparecer a formulação das grandes mensagens religiosas e filosóficas das grandes civilizações do mundo antigo.

O que caracterizou sobremaneira esse período fecundo foi o florescimento da consciência explícita de uma realidade realmente transcendente ou metacósmica. Abrindo a consciência humana para além dos rígidos quadros cosmocêntricos, a experiência da Transcendência real configurou uma consciência mais profunda do homem em sua participação no Ser:
Segundo a análise de Voegelin, apoiada nos documentos literários das diversas culturas do tempo-eixo, delineia-se então com nitidez cada vez maior a idéia de uma participação no Ser como totalidade que, compreendendo o sensível, vai, no entanto, infinitamente além dos seus limites e se apresenta ao homem como objeto da sua experiência mais profunda. É esse o núcleo germinal do problema da transcendência[10].

Duas expressões dessa experiência, “as duas mais radicais e consequentes”[11], ao se encontrarem e se imbricarem, vieram a constituir o globo simbólico da nossa civilização ocidental. São elas, de um lado, a experiência da transcendência efetivada pela tradição bíblica, e, de outro, a descoberta grega da transcendência do inteligível. Voegelin designou a irrupção da Transcendência real na consciência do povo bíblico de diferenciação profética, e a irrupção na consciência do povo grego, de diferenciação noética[12]. A tradição bíblica caracteriza-se por reconhecer um único Deus concebido como Criador, Senhor e Fim da história, a quem cabe a iniciativa de ir ao encontro do homem e oferecer-lhe a salvação pela sua Palavra (que é Cristo para o Cristianismo), que, vinda do alto (oriens ex alto), deve ser acolhida na fé. A tradição grega, por sua vez, reconheceu, como fica claro num de seus maiores filósofos, Platão, a transcendência do inteligível sobre o sensível, transcendência esta vista como Ideia absoluta e Princípio de inteligibilidade e de ordem, cuja riqueza inteligível a inteligência humana tentou expressar como Ser, Uno, Bem e Verdade transcendentes.

O movimento característico da tradição bíblica é a descida (katábasis) do Transcendente por meio de sua Palavra que é acolhida pelo crente, enquanto o movimento característico da tradição grega é a subida (anábasis) da inteligência do filósofo em direção à Transcendência, o que equivale à mais alta operação da inteligência. Padre Vaz, contudo, garante: “Em ambos os casos, porém, a fonte da Transcendência real permanece infinitamente distante e não pode ser ‘apreendida’ pela razão finita, o que dá origem ao tópico do ‘Deus inapreensível’”[13]. O evidente elemento comum entre os dois movimentos, e que está na base da possibilidade do diálogo entre fé e razão, é a estrutura teocêntrica. Sob essa comum estrutura, forjou-se a concepção do humanismo teocêntrico.

A partir do século II da era cristã, essas duas experiências da Transcendência encontraram-se, confrontaram-se e se entrelaçaram para formar a matriz simbólica da civilização ocidental sob a égide do Cristianismo. Padre Vaz ressalta que a concepção cristã de Deus, para cuja formulação confluíram a tradição bíblica e a filosofia grega, alcançou grande rigor especulativo na obra de Tomás de Aquino:
[...] o Deus Criador da Bíblia e a Idéia absoluta da filosofia grega, já identificada no médio e neoplatonismo com a Inteligência suprema, convergem, numa síntese de extraordinária densidade especulativa, para constituir a concepção de Deus da teologia cristã, que encontrará sua expressão mais rigorosa nas primeiras questões da Suma de Teologia, de Santo Tomás de Aquino[14].

Desse modo, no que toca às questões propriamente filosóficas, a razão humana pôde de fato reconhecer sua estrutura decididamente teocêntrica. A razão, em suas inquisições, mostrou-se orientada, em última análise, para a afirmação e o reconhecimento da Transcendência real. Tal a experiência que desde as origens gregas do filosofar se patenteou, encontrando em Tomás de Aquino uma expressividade ímpar. 

Ora, a modernidade representou, no fundo, um verdadeiro “abalo sísmico”[15] nessa história espiritual do Ocidente. A ideia de homem, que antes era pensada em sua dependência para com o Transcendente, passou a referir-se a si mesma, numa reivindicação de autonomia absoluta. Trata-se de uma inflexão operada na concepção mesma de homem e da fundação de um novo humanismo: o humanismo antropocêntrico. Padre Vaz vale-se dos dois grandes paradigmas da tradição, que remontam a Platão e à Bíblia, para fazer ver a inflexão operada pela modernidade: o paradigma da medida e o paradigma da imagem. O primeiro, que opôs Platão a Protágoras, diz: “Deus é a medida de todas as coisas”; ao que a modernidade retruca: “O homem é a medida de todas as coisas”. O segundo, presente também em Platão, mas consagrado definitivamente pela Bíblia, afirma: “O homem é imagem e semelhança de Deus”; ao que retruca o humanismo antropocêntrico: “Deus é imagem e semelhança do homem”[16].

Mas um novo tempo-eixo é possível? É mesmo desejável? Está conforme à natureza do homem? Não iria privá-lo de sua mais alta expressão: a relação com o Absoluto transcendente?

[1] Podemos dividir a obra de Padre Vaz em dois blocos distintos. Temos, de um lado, as obras sistemáticas e, de outro, um grande número de artigos, editoriais, notas, recensões, publicados na revista Síntese ou em outros periódicos. O primeiro bloco lança em forma sistemática os fundamentos teóricos das grandes opções de Padre Vaz, e é constituído pelos dois volumes da Antropologia filosófica, os dois volumes da Introdução à ética filosófica e, de certa maneira, pelo último livro publicado, os Escritos de filosofia VII. No segundo bloco, em grande parte reunido nos Escritos de filosofia I, II, III e VI, temos mais visível um confronto com a modernidade a partir das grandes opções vazianas; daí o fato de chamarmos esses escritos de críticos. A distinção que aqui fizemos inspira-se, de alguma maneira, em: MAC DOWELL, João Augusto A. A. História e transcendência no pensamento de Henrique Vaz. In: PERINE, Marcelo (org.). Diálogos com a cultura contemporânea: Homenagem ao Pe. Henrique C. de Lima Vaz, SJ. São Paulo: Loyola, 2003, p. 13.
[2] EF III, p. 165.
[3] Cf. AF I, p. 239-289.
[4] A dialética do superior summo meo e do interior intimo meo foi exposta por Santo Agostinho nas suas Confessiones, III, 6. Padre Vaz diz a respeito: “[…] o transcendente está além (dialeticamente, não espacialmente!) do nosso espírito finito, situado e mutável; mas, exatamente enquanto transcendente, ele se mostra imanente (in manens, o que permanece) ao espírito que o pensa, pois, se assim não fosse, estaria sujeito à lei da irredutível exterioridade que rege as relações entre os seres finitos” (EF III, 197).
[5] AF I, p. 260.
[6] Com efeito, Padre Vaz fala de “processo de dissolução da inteligência espiritual que acompanha o desenvolvimento da filosofia moderna” (AF I, p. 264).
[7] EF III, p. 184.
[8] Cf. EF III, p. 198-199.
[9] “As peculiaridades desse tempo da história, que foi denominado ‘tempo-eixo’ (Achsenzeit) mereceram a atenção dos historiadores durante todo o século XIX, quando foi possível reconstituir a cadeia das grandes civilizações eurasianas do primeiro milênio a.C. Elas estão na origem do problema filosófico em torno da direção axial da História, tema das Lições sobre a Filosofia da História de Hegel, e retomado em nosso século por Karl Jaspers no seu Origem e Meta da História. Mas foi o grande historiador contemporâneo Eric Voegelin (1901-1985) que, com soberana erudição e profunda sensibilidade filosófica, perscrutou o alcance e a significação da extraordinária experiência espiritual que surgia simultaneamente em vários focos de civilização[...]” (EF III, p. 202).
[10] EF III, p. 204.
[11] MFC, p. 297.
[12] Cf. MFC, p. 297.
[13] MFC, p. 300.
[14] HH, p. 162.
[15] HH, p. 163.
[16] Cf. HH, p. 163.

sábado, 18 de junho de 2011

Tudo em tuas mãos, Senhor!

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Às vezes, mesmo para quem tem fé em Deus, chega o cansaço, a sensação de que tudo foi em vão...


É nestas horas que procuro dirigir meu espírito a Ele; 


Sem palavras, tudo depositando em Suas mãos.


Estou triste, desanimado, sem incentivo...


Mas quem sabe Ele não esteja permitindo tudo isso para mostrar-me que meu incentivo deve vir somente d´Ele, não dos homens?


Tudo coloco em tuas mãos, Senhor!



sábado, 11 de junho de 2011

Missa do 8° dia da Novena de Santo Antônio - Ewbank da Câmara

MISSA DO 8° DIA DA NOVENA - 11 de junho



COMENTÁRIO INICIAL

Com.: Hoje a Igreja celebra a Solenidade de Pentecostes! O Pai e o Filho enviam à Igreja o dom do Espírito a fim de que a redenção realizada por Cristo encontre acolhida em cada coração e, assim, formemos uma verdadeira ‘comunidade de salvação’, onde reine a vontade de Deus: a bondade, a partilha, a compaixão, a compreensão, a solidariedade, o perdão... Com a ajuda do Espírito, nosso Consolador, devemos vencer o pecado: o orgulho, a inveja, a maledicência, o egoísmo, o comodismo... A Igreja deve ser uma comunidade de irmãos que anuncia alegremente as maravilhas que o Senhor tem feito! Santo Antônio vem em nossa ajuda com seu exemplo e intercessão. Hoje celebramos o 8º dia da novena em sua honra e meditamos sobre o tema “Amigo dos doentes”. O coração de Antônio foi de tal maneira dócil às inspirações do Espírito que soube reconhecer a presença de Deus nos sofredores. Com o nosso canto, acolhamos o Padre Geraldo Dondici, ministros e coroinhas. 


ANTES DAS LEITURAS

Com.: Ouçamos com atenção a Palavra que Deus nos dirige!


PRECES

(Como do folheto. Acrescentar a seguinte prece:)

· Para que Santo Antônio, por sua intercessão e exemplo, nos estimule a seguir Cristo sob o impulso do Espírito e a encontrá-lo sobretudo nos pobres, doentes e sofredores, rezemos!


FATO DA VIDA DE SANTO ANTÔNIO

Seu Pedro tinha um filho de quatro anos, aleijado das pernas. Sofria ataques também, a ponto de cair no chão e ficar se debatendo. Ouviu falar que Frei Antônio havia curado uma meninazinha que caíra num tacho de água fervendo. Criou coragem e levou seu filho para ele abençoar. Frei Antônio olhou para a criança doente. Com muita fé traçou uma grande cruz no menino, dos pés à cabeça. E entregou-o para o pai. Seu Pedro levou o menino de volta, carregando-o ainda nos braços. Parecia ter ficado como antes. Mas sua fé não diminuiu. Chegando à sua casa, experimentou colocá-lo no chão. Que surpresa: o menino começou a andar. Primeiro devagar e acompanhado. Depois, sozinho e desembaraçado. Os ataques também desapareceram. São sem conta os milagres que Santo Antônio fez em favor dos doentes. Por isso ganhou o título de taumaturgo, isto é, milagreiro. Se tinha tanto interesse por eles, é porque os amava e os valorizava. É 
porque via neles a figura de Jesus. 


ORAÇÃO

Ó Santo Antônio, nosso padroeiro! Ensinai-nos a ser uma Igreja dócil às inspirações do Espírito Santo! Como tivestes a feliz ventura de seguir a Cristo com fidelidade, obtende para nós a graça de sermos fiéis ao Espírito que nos foi dado no batismo e na crisma! Reacendei em nós o ardor missionário! Queremos aprender de Jesus! Queremos anunciar Jesus! Queremos encontrar Jesus, sobretudo nos sofredores. Abençoai nossa caminhada! Amém!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Missa do 7° dia da Novena de Santo Antônio - Ewbank da Câmara

MISSA DO 7° DIA DA NOVENA - 10 de junho


COMENTÁRIO INICIAL

Com.: Quando celebramos a Santa Missa neste 7° dia da novena de Santo Antônio, temos a alegria de recordar como nosso Padroeiro foi um grande “Defensor da Eucaristia”. Jesus entregou à Igreja o grande mistério do seu Corpo e do seu Sangue para a salvação do mundo. É dever nosso, em união com nossos Pastores, o Papa e o nosso Bispo, celebrar, defender e experienciar, a exemplo de Santo Antônio, este mistério tão grandioso! Cantemos para receber o Padre Camilo e seus auxiliares! 


ANTES DAS LEITURAS

Com.: Ouçamos com atenção a Palavra que hoje Deus nos dirige!


PRECES

(Motivação espontânea pelo celebrante)

Com.: A resposta de nossos pedidos será: Senhor, escutai a nossa prece!

1. Pela Igreja católica no mundo inteiro, viva cada vez mais intensamente do mistério da Eucaristia, rezemos ao Senhor!

R.: Senhor, escutai a nossa prece!

2. Pelo Papa, sucessor do Apóstolo Pedro, a fim de que possa cumprir fielmente a sua missão de apascentar o rebanho de Cristo, rezemos ao Senhor!

3. Para que o exemplo de Santo Antônio, Defensor da Eucaristia, provoque em nós o desejo vivo de mergulhar cada vez mais no mistério do Sacramento do Altar, rezemos ao Senhor!

4. Para que nossa participação na Eucaristia seja fonte de transformação da nossa vida, rezemos ao Senhor!

5. Por todos os que, em nossa paróquia, passam por provações, para que o amor nos inspire palavras e ações a fim de manifestarmos nossa solidariedade para com eles, rezemos ao Senhor!


FATO DA VIDA DE SANTO ANTÔNIO

Um dia Frei Antônio estava fazendo um sermão entusiasmado sobre a presença de Jesus no Santíssimo Sacramento. Um homem ia passando na praça, montado em sua mula, e parou para escutar. Era um herege que não acreditava na Eucaristia. Começou até a caçoar do santo e a desafiá-lo: - Tudo mentira desse frade! Eu só acredito nessa história, se a minha mula se ajoelhar diante dessa hóstia. Santo Antônio ouviu e aceitou o desafio. Disse mais ainda: Que deixasse a mula sem comer durante três dias e a trouxesse para a praça no dia combinado. O povo estaria esperando. E o santo iria trazer o Ostensório com a Hóstia Consagrada. No dia marcado, em plena praça, diante de grande multidão, apareceu o herege puxando a sua mula. Vinha cambaleando de fome. Logo depois chegou o santo conduzindo o Ssmo. Sacramento. A mula foi colocada entre o padre com a Hóstia e o monte de capim. O povo ficou naquela expectativa. O animal, desprezando o capim, dobrou lentamente os joelhos dianteiros diante da santa Hóstia. E assim ficou até que o santo mandasse levantar-se. O júbilo do povo foi indescritível. Dizem que o herege, bastante envergonhado, se converteu. 


ORAÇÃO PELA FAMÍLIA

Santo Antônio, em vossa vida sempre guardastes e defendestes a família, ajudando-a no cumprimento de sua missão educadora. Olhai por nossas famílias, tão expostas a perigos materiais e espirituais. Olhai de modo especial pela minha família para que nos entendamos bem, nos amemos profundamente, cultivemos a presença de Deus no lar e cumpramos seus mandamentos de amor. Olhai pelos nossos filhos para que sejam pessoas dignas, úteis à Igreja e à sociedade. Que a força da Eucaristia nos ajude! Amém.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Missa do 6° dia da Novena de Santo Antônio - Ewbank da Câmara

MISSA DO 6° DIA DA NOVENA - 9 de junho



COMENTÁRIO INICIAL

Com.: Hoje estamos reunidos novamente para cumprir o que Jesus pediu na última ceia quando transformou o pão e o vinho em seu Corpo e Sangue, dizendo “Fazei isto em memória de mim”. O tema deste 6° dia na novena de nosso Padroeiro é “Zelo pela Palavra”. Jesus pede ao Pai por todos os que creem por causa da Palavra anunciada. Santo Antônio é modelo de ouvinte que crê e de pregador entusiasmado da Palavra viva de Deus. Cantemos para receber o Padre Danilo e seus auxiliares! 


 ANTES DAS LEITURAS


Com.: Ouçamos com atenção a Palavra que hoje Deus nos dirige!


PRECES

(Motivação espontânea pelo celebrante)

Com.: A resposta de nossos pedidos será: Senhor, escutai a nossa prece!

1. Pela Igreja católica no mundo inteiro, para que anuncie com alegria e sem amarras a Palavra de Deus, que cura, salva e liberta, rezemos ao Senhor!

R.: Senhor, escutai a nossa prece!

2. Pelo Santo Padre Bento XVI, que neste mês completa 60 anos de ordenação sacerdotal, para que Deus o conserve no seu santo serviço, rezemos ao Senhor!

3. Pelos nossos Bispos e padres, anunciadores da Palavra de Deus, para que recebam do exemplo e intercessão de Santo Antônio força e entusiasmo, rezemos ao Senhor!

4. Pelas famílias de nossa paróquia, a fim de que sejam fiéis ouvintes e transmissoras da Palavra de Deus, rezemos ao Senhor!

5. Por cada um de nós em particular, para que abramos os ouvidos e o coração para crer no que Deus nos fala, rezemos ao Senhor!


FATO DA VIDA DE SANTO ANTÔNIO

Uma vez Santo Antônio foi pregar missão na cidade italiana de Rímini. Alguns hereges, porém, correram na frente e preveniram o povo daquela cidade: que ninguém fosse ouvir aquele frade, porque era falso e mentiroso. A propaganda maldosa surtiu efeito. Pouca gente compareceu às pregações. Então Frei Antônio teve uma ideia inspirada: pregaria para os peixes, a fim de dar uma lição àquele povo desatendido. Perto da cidade passava um rio. Para lá se dirigiu o santo. Logo à primeira chamada os peixes apareceram à flor d'água. Colocando as cabecinhas fora, pareciam ouvir atentamente o que lhes dizia: - Caros irmãos peixes:Vou pregar para vocês, porque as pessoas de coração duro se recusaram a ouvir a Palavra de Deus. Continuou o sermão, elogiando o papel dos peixes na História da criação. Muita gente, atraída pela curiosidade, foi ver o santo conversando com os peixes. A lição valeu. Naquela mesma noite uma imensa multidão foi ouvir contritamente o sermão do pregador. Santo Antônio sempre foi grande estudioso da Sagrada Escritura. Escreveu muitos comentários sobre a Bíblia. Por isso é chamado "Arca do Testamento", "Cofre da Sagrada Escritura", "Doutor da Igreja". 



ORAÇÃO

Ó Santo Antônio, ajudai-me a descobrir os tesouros contidos na Palavra de Deus escrita, vós que a amastes e servistes. Alcançai-me perseverança para estudá-la, sabedoria para entendê-la e prudência para praticá-la. Que minha alegria comece e termine pela Palavra de Deus, que é o pão dos pobres e o sustento da caminhada. Amém. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Missa do 5° dia da Novena de Santo Antônio - Ewbank da Câmara



MISSA DO 5° DIA DA NOVENA - 8 de junho


COMENTÁRIO INICIAL

Com.: Nesta celebração eucarística queremos honrar a memória de Santo Antônio, celebrando o 5° dia de sua novena, cujo tema é “A devoção a Maria”. Ser devoto de Maria é colocar-se, com a mãe do “sim”, no caminho de Jesus. Não nos pode faltar essa devoção porque Jesus mesmo foi quem nos deu sua mãe por nossa mãe. Que Santo Antônio nos ajude a amar Maria para servir mais e melhor a seu filho Jesus. Acolhamos, com nosso canto, o Padre Márcio Aurélio, Vigário Forâneo da nossa forania São Miguel, e a equipe de celebração! 



ANTES DAS LEITURAS 

Com.: Ouçamos com atenção a Palavra que hoje Deus nos dirige!


PRECES

(Motivação espontânea pelo celebrante)

Com.: A resposta de nossos pedidos será: Senhor, escutai a nossa prece!

1. Pelo Papa e pelo nosso Arcebispo, para que sejam felizes em sua missão apostólica de pregar o Evangelho, rezemos ao Senhor!

R.: Senhor, escutai a nossa prece!

2. Pela nossa Forania São Miguel, cujo vigário é o Pe. Márcio Aurélio, para que com a sabedoria de Deus crie sempre laços de fraternidade evangélica entre as nossas paróquias, rezemos ao Senhor!

3. Pelo povo cristão, para que tenha em Maria Santíssima, a exemplo de Santo Antônio, uma mãe e um refúgio nas horas difíceis, rezemos ao Senhor!

4. Pelos nossos catequistas e catequizandos, para que a devoção à Mãe de Deus seja uma realidade em suas vidas, rezemos ao Senhor!

5. Para que todos nós, animados pelo exemplo e intercessão de Nossa Senhora, façamos da nossa vida uma oferta agradável a Deus e aos irmãos, rezemos ao Senhor!


FATO DA VIDA DE SANTO ANTÔNIO

Quando ainda pequenino, Antônio foi consagrado a Nossa Senhora por sua mãe. Daí para frente, cultivou sempre uma devoção muito filial à Mãe de Jesus. Onde aparece esse amor? 

1. Nos seus sermões. Falava tão bonito de Maria Santíssima. Ele gostava de aplicar para Nossa Senhora histórias da Bíblia ou cenas da natureza. Uma vez ele falou num dos muitos sermões: - Maria Santíssima é como a estrela da manhã que surge por entre as sombras da noite, anunciando o sol que vem... Maria é como o arco-íris, sinal de aliança entre Deus e a humanidade... É como um lírio que cresce à beira das águas... Como incenso desprendendo suave perfume, perfumando o ambiente...

2. Na sua vida. A vida de Antônio foi uma constante imitação das virtudes de Maria. Principalmente a pureza de coração e a generosidade no serviço de Deus.

 3. Na resposta de Maria. Certa noite Antônio acordou sufocado e assustado. Sentia violento aperto no pescoço, parecendo que alguém queria matá-lo por sufocação. Julgando fosse obra do espírito maligno, fez um grande sinal da cruz e recorreu a Maria. No mesmo instante recuperou a paz e a serenidade. 


PARA PEDIR UMA GRAÇA

Lembrai-vos, ó grande Santo Antônio, que o erro, a morte, as calamidades, o demônio, as doenças contagiosas, tudo foge com vossa intercessão. Por vós, os doentes recobram a saúde, o mar se acalma, as cadeias dos cativos se quebram, os paralíticos recobram os membros, as coisas perdidas voltam a seus donos. Os jovens e os velhos que a vós recorrem, são sempre ouvidos. Os perigos e as necessidades desaparecem. Cheio de confiança, dirijo-me a vós. Mostrai hoje vosso poder e obtende-me a graça que desejo. Amém.

Para pensar


Igreja Católica perde espaço nas favelas

Henrique Munhos 
Especial para o Diário

Facilidade na abertura de templos, força leiga e mais calor humano. Fatores como esses fazem com que, nas favelas, as igrejas evangélicas conquistem cada vez mais fiéis, que antes eram convertidos ao catolicismo.

O número de católicos no Brasil vem caindo nos últimos anos, de acordo com pesquisa do IBGE. Em 1991, 82,24% dos brasileiros eram católicos, proporção que caiu para 74% em 2010. Grande parte migrou para igrejas evangélicas, que somavam 9% de fiéis em 1991, número que hoje bate na casa dos 15,4%.

Segundo o professor de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo, Nicanor Lopes, 50 anos, esse fenômeno ganhou força a partir da década de 1970. "O que os católicos não perderam em quatro séculos, perderam em 30 anos."

Nas favelas e comunidades mais pobres, a disparidade entre o número de igrejas ou capelas católicas e evangélicas é imensa. "Igrejas evangélicas são construídas de uma hora para outra, em qualquer local. E também somem rapidamente. Já as capelas católicas são fundamentadas nas paróquias e têm uma estrutura maior", disse o padre Francesco Commissari, 45.

Ele é o coordenador da Paróquia Jesus de Nazaré, que fica na Vila São José, em São Bernardo. Além dessa, outras 14 capelas em locais pobres da cidade, como os bairros do Montanhão, Jardim Silvina e favela da Biquinha, são de sua responsabilidade. Mas Commissari estima que o número de igrejas evangélicas nesse mesmo território passe de 100. 

O pastor Marcos José Martins focou nesse tema durante seis meses, quando realizou uma tese de mestrado sobre a ‘Liderança da mulher pentecostal na periferia do poder, clero institucional na cidade de Diadema'. Somente na Vila Nogueira foram contabilizadas 44 igrejas evangélicas e cinco comunidades católicas.
Por serem autônomas, as igrejas evangélicas surgem em grande número, até como forma de rivalidade. "Há uma disputa muito grande entre lideranças. Por isso, é fácil observa uma igreja ao lado da outra, assim como dez em uma mesma rua", explicou Martins.

De acordo com Francesco Commissari, os moradores das favelas vão a menos à igreja. O envolvimento dessa população, devido à falta de conhecimento, é mais complicado. Ele também avaliou que a rotina estafante muitas vezes afasta a população do templo. "Muitos saem às 5h para o serviço e voltam somente à noite, e sobra pouco tempo livre."

O pastor João Navarro, 35, da Igreja Nazareno de Utinga, em Santo André, apontou que o trabalho dos leigos faz a diferença na fidelidade dos evangélicos. "Nossa força leiga é muito forte, e realiza trabalho em diversos lugares. Além disso, pequenos grupos fazem reuniões semanais, seja na igreja ou até nas próprias residências. Isso ajuda a difundir a religião."

Grande parte dos moradores das comunidades mais pobres é de migrantes nordestinos. Esse povo, que já sofre com uma condição de vida muitas vezes inadequada e tem dificuldade na adaptação, percebe um acolhimento maior na Igreja Evangélica. Esse também é um dos dados do estudo de Marcos José Martins. "Além de sentirem mais calor humano, essas pessoas têm maior afinação com os pastores, que em grande parte também são nordestinos."

CRÍTICAS

Para o Padre Francesco Commissari, a maior procura dos moradores das favelas pelas igrejas evangélicas acontece porque acreditam que ali resolverão seus problemas. "De acordo com a doutrina evangélica, você é um abençoado por Deus. Por isso, se tiver fé e acreditar, não sofrerá mais."

Padres revelam dificuldades para conquistar fiéis

Como forma de conquistar fieis, os padres buscam realizar novos trabalhos nas comunidades. Muitas vezes, as propostas são similares às executadas nas igrejas evangélicas.

Ajudar as pessoas em suas dificuldades, como problemas médicos, é considerado um dos principais pontos ressaltados pelos pastores evangélicos como diferencial.

O padre Francesco Commissari, da Igreja Jesus de Nazaré, afirma que tenta realizar esse tipo de trabalho, mas a falta de padres impede que isso aconteça com maior intensidade. "Aqui, temos 13 capelas e apenas três padres. Até tentamos nos aproximar do maior número de pessoas, mas é difícil."

Padre Odair Agostin, da Igreja Nossa Senhora dos Navegantes, em Diadema, completou: "Tenho 60 mil fiéis aqui nacomunidade, e só eu de padre. É impossível atender todo mundo."

A dona de casa Maria Lúcia Teixeira disse que essa atenção contou no momento de mudar de religião. "Sou evangélica há 28 anos. Gostei do modo como eles pregam, das músicas e da atenção que as pessoas te dão", afirmou.

Agostin também declarou que a Igreja Católica tem de dar um poder maior para os leigos, assim como os evangélicos. "Precisamos descentralizar o poder e colocá-lo nas mãos dos leigos. Temos uma cultura conservadora, que só aceita a palavra do padre."

Outra reclamação de Agostin diz respeito à própria classe. "Precisamos falar uma linguagem mais simples. Muito dessa evasão acontece por conta de as pessoas não entenderem o que queremos passar."

Para o padre da Igreja Nossa Senhora dos Navegantes, há de se tomar cuidado na tentativa de conquistar devotos. "Não se pode trazer só por trazer. Se eu tocar certo tipo de música na igreja, certamente muitos jovens vão aparecer. Agora, o importante é que os fiéis tenham o mesmo compromisso de antigamente."
Sobrinho busca seguir os passos do tio

Por conta de uma parceria entre a Diocese de Ímola e a de Santo André, Francesco Commissari chegou da Itália há quatro anos. O padre trabalha na mesma área desbravada pelo tio, Leo Commissari, que foi assassinado em 1998, na favela do Oleoduto, em São Bernardo.

Francesco encontrou apenas uma vez com o tio, quando este foi passar férias na Itália. O então menino tinha 12 anos, e se lembra pouco do padre que trabalhava no Brasil desde 1978.

Porém, é impossível não saber sobre a importância do trabalho de Leo Commissari em São Bernardo. "Ele tinha uma preocupação muito grande com as pessoas, seja na forma material quanto espiritual. Além disso, ele deixou uma marca muito forte, que foi o centro profissionalizante", lembrou Francesco.

O Centro de Formação Profissional Padre Leo Commissari, criado em 1996 e localizado na Rua Padre Leo Commissari, no Jardim Silvina, atende cerca de 600 pessoas. O local disponibiliza 11 cursos profissionalizantes, como corte e costura, padaria industrial e mecânica de autos.

Soma-se a isso atendimento psicológico, fonoaudiólogo e massoterapêutico e sete cursos culturais, como dança, teatro e capoeira, realizados aos fins de semana.

Segundo Francesco e a irmã Elisângela Dilma Miranda, 28, coordenadora de uma creche no Oleoduto, a violência diminuiu muito desde a época da morte do padre Leo. "Antes era muito mais perigoso por aqui", afirmaram.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Missa do 4° dia da Novena de Santo Antônio - Ewbank da Câmara

MISSA DO 4° DIA DA NOVENA - 7 de junho


COMENTÁRIO INICIAL

Com.: Mais uma vez reunidos em nome de Cristo! Vamos oferecer o Sacrifício Eucarístico e celebrar o 4° dia na novena de Santo Antônio, cujo tema é “Defensor da justiça”. A Palavra de Deus hoje nos ensina o que é a vida eterna que tanto desejamos: é nossa união com Deus por meio do seu enviado, Jesus Cristo. Santo Antônio, na verdade, começou a viver a vida eterna neste mundo, porque estava todo mergulhado em Deus. E foi por causa do seu profundo conhecimento de Deus que se tornou um grande defensor da justiça, levantando sua voz contra os prepotentes e opressores. Acolhamos com alegria o nosso estimado Padre Luís Duque e a equipe de celebração com nosso canto! 


ANTES DAS LEITURAS

Com.: Ouçamos com atenção a Palavra que hoje Deus nos dirige!


PRECES

(Motivação espontânea pelo celebrante)

Com.: A resposta de nossos pedidos será: Senhor, escutai a nossa prece!

1. Para que a Igreja, no mundo inteiro, seja o sacramento da íntima união com Deus e da unidade do gênero humano, rezemos ao Senhor!

R.: Senhor, escutai a nossa prece!

2. Para que a vida em Deus seja a força dos Pastores da Igreja e de todos os fiéis, a fim que que o Reino de Deus possa começar neste mundo e se cumprir plenamente no outro, rezemos ao Senhor!

3. Para que o exemplo de Santo Antônio nos motive a trabalhar incansavelmente pela justiça, na defesa dos mais fracos, rezemos ao Senhor!

4. Por todos os que exercem cargos públicos, a fim de que a justiça seja a virtude a lhes inspirar as decisões e ações, rezemos ao Senhor!

5. Para que o conhecimento de Deus e de seu enviado traga vida a este mundo tão necessitado das coisas divinas, rezemos ao Senhor!


FATO DA VIDA DE SANTO ANTÔNIO

O povo daquele tempo também vivia esfolado pelos impostos exagerados e pela usura dos gananciosos. A grande massa de povo era dominada pela prepotência de alguns. Um desses aproveitadores do povo, era um tal de Ezelino. Suas garras de abutre enterravam-se na carne viva do povo. E assim atirou muita gente na cadeia, maltratou muitos pobres, roubou terra de muitos posseiros, destruiu cidades, e espalhou o terror por toda a parte. Santo Antônio o repreendeu duramente, ameaçando-o com castigos divinos. Ezelino quis vingar-se. Fingindo-se convertido, preparou um rico presente, e pediu aos seus aduladores que o levassem para Frei Antônio, com a seguinte ordem: "Se ele aceitasse o presente, eles deveriam matá-lo. Se, porém, recusasse, que o deixassem livre". Levaram o presente, certos de que ele iria cair na arapuca. Chegando ao convento onde morava o santo, cumprimentaram-no com sorriso fingido e ofereceram o presente dizendo: "Ezelino manda este humilde presente. Pede também que reze pela salvação eterna dele". Frei Antônio, certamente iluminado pelo Espírito Santo, respondeu: "Eu nunca aceitei presente que foi comprado com dinheiro roubado. Podem levá-lo de volta". 


ORAÇÃO PARA PEDIR TRABALHO

Santo Antônio, olhai compassivo para minha necessidade. Preciso de trabalho para cumprir o mandamento do Senhor. Preciso de trabalho para sustento meu e dos meus familiares. Fazei que eu encontre um trabalho digno, remunerado e honrado. Ajudai-me neste momento angustioso, vós que conhecestes o valor do trabalho, o sacrifício da fome e a alegria de um lar feliz. Amém.