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Mostrando postagens com o rótulo Doutrina da Igreja

Ponderações sobre o modo de dar ou receber a sagrada comunhão eucarística

Ao receber na mão o Corpo de Cristo, deve-se estender a palma da mão, e não pegar o sagrado Corpo com a ponta dos dedos.  1) Há quem acuse de arqueologismo litúrgico a atual praxe eclesial de dar ou receber a comunhão eucarística na mão. Ora, deve-se observar o seguinte: cada época tem suas circunstâncias e sensibilidades. Nos primeiros séculos, a praxe geral era distribuir a Eucaristia na mão. Temos testemunhos, nesse sentido, de Tertuliano, do Papa Cornélio, de S. Cipriano, de S. Cirilo de Jerusalém, de Teodoro de Mopsuéstia, de S. Agostinho, de S. Cesário de Arles (este falava de um véu branco que se devia estender sobre a palma da mão para receber o Corpo de Cristo). A praxe de dar a comunhão na boca passou a vigorar bem mais tarde. Do  concílio de Ruão (França, 878), temos a norma: “A nenhum homem leigo e a nenhuma mulher o sacerdote dará a Eucaristia nas mãos; entregá-la-á sempre na boca” ( cân . 2).  Certamente uma tendência de restringir a comunhão na mão começa j...

Católicos devem deixar-se iluminar pela Doutrina Social da Igreja

A Doutrina Social da Igreja (DSI) oferece princípios para o entendimento , critérios para a formação do juízo e diretrizes para a ação no campo social e político, já que pertence ao humanismo cristão e à própria fé procurar construir um mundo mais respeitoso dos valores da justiça, da liberdade, da participação, do bem comum e da alta dignidade da pessoa.   Como a realidade social é mutável e admite um leque mais ou menos amplo de soluções, o parâmetro da DSI admite aquela flexibilidade que caiba dentro do quadro geral dos seus princípios e grandes critérios. Por isso, um católico pode encontrar solução, dependendo da situação concreta, mais à esquerda ou mais à direita do espectro da realidade político-social em que vive. E nem todos os católicos precisam encontrar a mesma solução concreta, embora devam todos observar os mesmos princípios e levar em conta os critérios gerais e as grandes diretrizes.   A solução concreta das questões sociais depende muito de uma análise feita...

O Paraíso

O paraíso, descrito de forma imagética no livro do Gênesis, é considerado por muitos bons teólogos atuais como uma realidade em potência, isto é, uma realidade que nunca existiu de fato, mas que devia instaurar-se segundo a vontade originária de Deus . Entretanto , o pecado insinuou-se e o paraíso ficou comprometido . O paraíso, quando se realiza, é feito de paz, harmonia, sabedoria e imortalidade. Se o homem não tivesse pecado — mas ele pecou desde sempre —, ele não teria perdido sua ligação com a  Árvore da Vida , não teria perdido a paz, não se teria tornado insensato nem sentiria a morte como um evento dramático. A morte não seria morte, mas uma travessia tranquila . São João da Cruz diz que a alma, quando ama, não teme a morte. Isso porque a alma enamorada de Deus vê a morte como uma passagem para os braços do Amado. O amor do Bem é a essência da sabedoria. O homem distanciou-se da sabedoria por causa do pecado, que é o desprezo do Bem. Se o homem está sintonia com D...

Concílio Vaticano II - Parte I

João XXIII quis um novo concílio  O Concílio Vaticano II representou o maior evento da Igreja católica no século XX e talvez o maior evento desde o Concílio de Trento. O Concílio Vaticano I havia sido interrompido abruptamente pela guerra franco-prussiana em 1870 e não pôde tratar da relação do colégio dos bispos com o Sucessor de Pedro, cuja infalibilidade em matéria de fé e moral (respeitadas certas condições) e jurisdição universal sobre a Igreja acabara de proclamar como verdades reveladas. Por isso, desde então esteve presente a possibilidade de uma sua reconvocação, já que ficara inconcluso e apresentara uma eclesiologia incompleta. Entretanto, João XXIII não quis reconvocar o Concílio Vaticano I, mas convocar um novo Concílio, que desse tonalidade pastoral a seus documentos e abrisse um clima de diálogo com a modernidade. As mudanças culturais tinham sido tantas nos últimos séculos que a Igreja se assustara e como que se trancara numa num palácio fortificado, longe ...

Sobre os sacramentos - Mystérion, mystéria, sacramentum, sacramenta

Pontos histórico-teológicos importantes  Mystérion, mystéria, sacramentum, sacramenta  - O termo sacramento vem do latim sacramentum , que, por sua vez, é a tradução do grego mystérion . Mystéria é o plural de mystérion , assim como sacramenta é o plural de sacramentum .    - No uso pagão, mystérion é usado para referir-se a ensinamentos filosóficos que elevam o iniciado à suprema realidade ou a práticas cultuais ou representações sagradas que colocam o iniciado no âmbito da divindade (por exemplo, no culto de Ísis, Mitra ou Osiris). A raíz grega do vocábulo mysterion é myein , que significa fechar a boca, calar-se .  --Veja-se que em Elêusis, cidade da Grécia antiga, celebrava-se o culto de Deméter. Coré (grão de trigo), raptada por Plutão, desce ao mundo inferior (semeadura), e sua mãe Deméter, desesperada, corre à procura da filha destruindo tudo por onde passa (inverno). O deus Hélio (sol) sai ao encontro de Deméter para ajudá-la (...

Extra Ecclesia nulla salus?

Padre Elílio de Faria Matos Júnior É possível que alguém se salve fora da Igreja católica? Sim, é possível que alguém se salve fora das estruturas visíveis da Igreja católica. Pio XII o ensinava ao condenar, em seu tempo, o exclusivismo eclesiológico que julgava não haver tal possibilidade. Deus quer a salvação de todas as pessoas e dispõe de meios só dele conhecidos para chegar ao coração de cada um. Ademais, a prece universal da Igreja pede ao Senhor a salvação de todos os povos. Mas então tanto faz pertencer ou não à Igreja católica?  Não. A Igreja, através dos Santos Padres, dos Concílios, dos Papas e dos grandes teólogos, sempre ensinou que devemos procurar a verdade religiosa, e, uma vez conhecida, abraçá-la de coração. Tal verdade foi confiada à Igreja católica, para que a conservasse e difundisse. Assim, não é indiferente pertencer ou deixar de pertencer à Igreja católica. Se existe uma verdade religiosa, eu não posso pensar e agir como se ela não existisse. O C...

Cardeal Newman: sem autoridade não há revelação

Newman foi um homem apaixonado pela verdade religiosa Padre Elílio de Faria Matos Júnior John Henry Newman, feito Cardeal por Leão XIII, tinha uma visão dinâmica da Tradição da Igreja, que é muito justa. Antes de ser recebido na Igreja católica, ele, estudando os Santos Padres, procurava ver no princípio de São Vicente de Lerins o critério objetivo para discernir a fé legada pelos apóstolos. Esse princípio diz assim: a reta fé da Igreja é aquela que é professada por toda parte, sempre e por todos ( quod ubique ,  quod   semper et quod ab omnibus ). Aos poucos, porém, Newman se deu conta de que esse princípio por si só não bastaria, pois seus estudos patrísticos lhe mostravam a complexidade das disputas teológicas dos primeiros séculos, e foi então que se deu conta de que deve existir na verdadeira Igreja de Jesus uma autoridade viva (que é serviço), assistida pelo Espírito, para discernir e propor, em meio às disputas, o vínculo da reta fé. Assim, Newman chegou...

Reencarnação ou ressurreição?

Muitos são levados a crer na reencarnação porque acham que ela pode explicar, com lógica férrea, o fato de uns viverem neste mundo em melhores condições do que outros. Assim, uns vêm de boas famílias, que lhes dão todas as condições para uma vida digna e feliz, enquanto outros ficam privados da educação mínima e da formação do caráter por não terem tido a sorte de nascerem no seio de uma família estruturada. Outros, muitos dos quais inocentes e gente que só faz o bem, são atormentados com terríveis sofrimentos corporais e psíquicos, morais e espirituais, sem que entendamos o porquê de uma situação aparentemente tão injusta. Os exemplos poderiam multiplicar-se, dando-nos a ver que a vida parece ser muito injusta com não poucos homens e mulheres. O relativo sucesso da doutrina reencarnacionista estaria em oferecer uma resposta a esse impasse, ensinando que as diversas sortes das pessoas neste mundo devem-se ao teor do comportamento moral que levaram em vidas passadas. Dizem q...