quarta-feira, 21 de abril de 2010

Leitor pergunta sobre existência do Diabo

Caro Pe. Elílio,


Chamo-me X e estou cursando filosofia. Durante a palestra de um frei, este que tem curso de parapsicologia, fundamentado em vários argumentos disse não ser possível conforme a bíblia e também nos chamados "fenômenos de possessão" a existencia do demônio. Já ouvi várias vezes estes argumentos, como também sei que o senhor já ouviu, porém diante de meus colegas estou sem reação, pois nunca dei importancia ao assuno e mesmo não tanho funtamentação para tal. Por  isso peço ao senhor, a delicadeza se houver algum material sobre demonologia ou assuntos semelhantes, a fim de que possa investigar o assunto (devido também a ausência de material confiável na internet ou am alguns livros). Talvez esta não seja a sua área de especialização, mas se o senhor possuir algum contato, do qual eu possa entrar, ficaria muito feliz. Desde já agradeço a compreensão.

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Prezado X,

Saudações no Senhor!

A existência do Diabo não pode ser provada nem pelas ciências nem pela filosofia, pois esses ramos do saber não têm competência para tal, o que implica dizer que também não podem negá-la. O conhecimento do Diabo ultrapassa o plano natural de conhecimento.

Ora, cabe apenas à teologia decidir sobre o assunto, já que a teologia, em virtude da Revelação, tem competências para além das nossas possibilidades naturais de conhecimento. E teologia se faz não com as ideias próprias de cada um, mas com base na fé: na Escritura, na Tradição e no Magistério. A Escritura fala várias vezes sobre o Diabo e os demônios. A missão de Jesus mesmo é entendida pela Escritura como uma luta contra o reino de Satanás. E não há razões sérias para dizer que a Escritura fala do Diabo e dos demônios somente por depender do imaginário da época em que foi redigida. A Tradição confirma a existência do Diabo, o que também faz o Magistério. Logo, é temerário querer negar a existência dos anjos decaídos. Do ponto de vista da fé, é uma heresia.

Negar tal existência? Como? Com base em quê? A parapsicologia não a pode provar nem muito menos negá-la. O Diabo pertence a um plano de existência que está fora do âmbito de competência da parapsicologia. Esta se atém ao plano natural. Analisa fenômenos paranormais ou extranormais, mas sempre naturais.

Confiemos na Tradição e no Magistério da Igreja, que confirmam a visão escriturística sobre a existência do Diabo e dos demônios como seres pessoais, dotados de inteligência e vontade.

In Christo et Maria,

Pe. Elílio

Maus exemplos e silêncio do clero impedem o despertar de vocações

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(20/4/2010) O bispo de Beja, D. António Vitalino, considera que “os maus exemplos de alguns ministros ordenados da Igreja e o silêncio e perplexidade de outros não ajudam no despertar das vocações”.

O prelado assinala que os escândalos ganharam maior relevo precisamente no “Ano Sacerdotal”, que a Igreja dedica aos padres, mas acredita que “esta crise é de fermentação e de revigoramento” dos organismos eclesiais e da sociedade, refere em texto divulgado esta terça-feira.

Depois de sublinhar que os apóstolos são os modelos inspiradores do anúncio da mensagem cristã, o bispo realça o testemunho de todos os que “em ambientes de hostilidade e perseguição” se dedicaram à transmissão dos valores evangélicos, sobretudo dos que morreram nessa missão.

“Os jovens, as famílias e a sociedade precisam do bom testemunho daqueles que Deus chama para a missão da Igreja", o mesmo acontecendo com “aqueles que começam a discernir os sinais do seu chamamento”, sublinha D. António Vitalino.

A mensagem, dedicada à 47.ª Semana Mundial de Oração pelas Vocações, que termina domingo, inclui um agradecimento a “todos os sacerdotes que, entre muitas dificuldades, se mantêm fiéis a Cristo e à sua missão” e pede aos católicos para rezarem pelas vocações, formadores e padres.

A palavra “vocação” é utilizada, entre outros sentidos, para designar o chamamento que Deus faz a uma pessoa para, se essa for a sua vontade, optar por um determinado estado de vida ou actividade que testemunhe e divulgue a mensagem cristã.

Esta Semana de Oração, que se realiza anualmente, expressa a convicção da Igreja de que as vocações são exclusivamente dadas por Deus, pelo que os católicos devem pedir-lhe que as suscite.

sábado, 10 de abril de 2010

A Divina Misericórdia

Estamos no tempo pascal. É, sem dúvida, um tempo de muitas graças e bênçãos. Cristo ressuscitou! O Senhor Deus tirou dos males da humanidade o grande bem da salvação. Do pecado tirou a graça; das trevas, a luz; da morte do inocente, a vida para os pecadores que dele se aproximam. Com efeito, Deus sabe realizar maravilhas. O salmo 118 ajuda-nos a celebrar a grandeza e a bondade de Deus neste tempo pascal: A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou. Não morrerei, mas ao contrário, viverei para contar as grandes obras do Senhor!” Tirar dos males o bem é próprio de Deus. Do enorme pecado – a morte de Jesus Cristo na cruz –, o Deus de misericórdia tirou a salvação para toda a humanidade.

Sim; só poderemos entender esse modo de Deus agir se reconhecermos que ele é o Deus de misericórdia. Ele tem o coração (cor) voltado para os miseráveis (miseri). Os miseráveis somos todos nós, que caminhamos sob o peso dos nossos pecados. Somos miseráveis porque não nos abrimos totalmente ao amor. Mas, como Deus não se deixa vencer em generosidade, sempre está a nossa procura, para nos salvar e conduzir à felicidade completa. O mistério da encarnação, da paixão, da morte e da ressurreição de Jesus é a grande aproximação de Deus em direção à humanidade miserável. Em Jesus, a aproximação de Deus em direção ao homem não poderia ser mais eloqüente! Jesus, embora não tivesse pecado, desceu ao nosso encontro assumindo as conseqüências de nossas culpas e atingindo, assim, as trevas de nossa existência. Mas o importante é que, com sua luz divina, iluminou nossas trevas. Venceu, definitivamente, o pecado e a morte.

No 2º Domingo da Páscoa, a Igreja celebra a Festa da Divina Misericórdia. Instituída pelo Papa João Paulo II, esta festa revela o sentido profundo do mistério pascal que ora celebramos. Páscoa é misericórdia. É a Divina Misericórdia que faz acontecer a Páscoa. A palavra “Páscoa” quer dizer “passagem”. Jesus, por amor aos homens, passou da morte para a vida. Pela graça de Deus, que nos é dispensada em Jesus, podemos também passar das trevas dos vícios para a luz das virtudes; do egoísmo para a generosidade; da maledicência para o bem-querer; das paixões desregradas para a temperança e a castidade; da indiferença para a luta em prol do Reino de Deus; enfim, da morte para a vida eterna.

O grande segredo para o êxito de nossa vida cristã está na nossa capacidade de acolher a Divina Misericórdia. O Cristianismo foi fundado pela misericórdia de Deus. Se experimentarmos a misericórdia divina, tudo mudará em nossa vida! Assim, renovaremos a nossa vida e nos transformaremos, na verdade, em canais do amor de Deus manifestado em Cristo. Segundo a grande apóstola da Divina Misericórdia, a Irmã Faustina, cada um de nós torna-se instrumento da misericórdia na medida em que entrega a sua vida, sem reservas, à Divina Misericórdia, que é o próprio Jesus, morto e ressuscitado para a nossa salvação. A íntima união com Jesus, que perdoa, cura e salva, faz toda a diferença! Unidos a ele, seremos capazes de cumprir o mandamento bíblico: “Sede misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). A vida de Jesus é a vida do Pai. Quem se une a Jesus recebe, por força do Espírito, a vida divina. Não sejamos indiferentes ao amor de Deus!

Que neste Domingo da Divina Misericórdia, o 2º do tempo pascal, as comportas do céu se abram e derrame-se sobre a Igreja e sobre todo o mundo a abundância da misericórdia de Deus manifestada em Cristo Jesus, conforme as palavras do próprio Jesus à Irmã Faustina: "Neste dia, estão abertas as entranhas da minha Misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha Misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das penas e culpas. Neste dia, estão abertas todas as comportas divinas pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de mim".