segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

"Tota pulchra"

Nossa Senhora, desde o seu primeiro instante de vida, é toda bela («tota pulchra»), é toda voltada para Deus. O seu ser não foi atingido pelo “desequilíbrio” que nos aflige. Nós, muitas vezes, clamamos com São Paulo: «Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero» (Rm 7,19). Essa dilaceração não tomou conta do coração da Virgem porque, «já bem antes da aurora, o Senhor veio ajudá-la» (Sl 45,6). A vida de Maria foi totalmente íntegra e o seu coração pôde amar sempre a Deus sem divisões nem distrações. Ela soube corresponder à especial graça que lhe fora concedida, de modo que a existência da humilde mulher de Nazaré foi sempre «sim» para Deus e, em Deus, «sim» para os outros. Ela realizou em sua vida aquilo a que todo homem é chamado: ser para Deus e para o irmão.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O homem acompanhado ou o homem só?

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Trava-se na atualidade uma grande luta que diz respeito a autocompreensão do homem. Qual o sentido da vida? Quais os valores que se devem abraçar? Pode-se alcançar a verdade? O que posso esperar? A semelhança dessas perguntas com as que Immanuel Kant já colocara no século XVIII não é mera coincidência. Com efeito, estamos diante de questões, por assim dizer, “eternas”. São as grandes questões fundamentais que acompanham o homem, em todo tempo e espaço, desde o despertar de sua consciência.

A luta que atualmente se trava em torno dessas questões nos arremete para o plano do real ou da constituição da realidade. O que é verdadeiramente real? Qual a estrutura básica da realidade? Em suma, o que é a realidade? Quer queiramos ou não, é a estrutura da realidade que define, objetiva e fundamentalmente, a verdade sobre nós mesmos. Uma vez que fazemos parte do Ser, o sentido da nossa vida só pode ser revelado a partir do Ser.

Já os filósofos gregos se debatiam para fazer ver o fator determinante da realidade e, com isso, alcançar uma cosmovisão, que, inclusive, trouxesse uma orientação ética. Dois nomes que se opõem surgem na aurora do pensamento filosófico e alcançam um status paradigmático. O que vem depois deles está, fundamentalmente, na linha de continuidade de um ou de outro. Trata-se de Protágoras e de Platão. Pode-se mesmo dizer que toda a história do pensamento ocidental divide-se em partidários de Protágoras e partidários de Platão.

Protágoras é conhecido pelo seu relativismo universal. Com efeito, rejeitando um ponto de apoio inconcusso, fez o sentido das coisas depender do homem e da volubilidade humana. “O homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto são; das que não são, enquanto não são” – ensina Protágoras. O homem é o criador do sentido. Cria-se a si mesmo e o seu mundo. O que a coisa é em si mesma não interessa; é inacessível. O que importa é o que o homem pensa ou diz sobre a coisa. Tudo depende do homem, inclusive Deus. A realidade, no fundo, é o homem.

Ponto de vista diverso é o de Platão. Sua filosofia resultou de um esforço árduo, já iniciado por seu mestre Sócrates, que tinha por objetivo superar o ceticismo sofístico. Platão chegou a reconhecer que o homem não é a medida, mas é medido por uma Realidade absoluta. Ele não é a fonte do sentido, mas apenas participa dela. Santo Agostinho, herdeiro, em certo sentido, das intuições platônicas básicas, dirá que existe um cânon absoluto da verdade em virtude do qual a razão julga todas as coisas, uma luz eterna a partir da qual a inteligência vê. Nesse sentido, não é o homem, mas a Realidade a medida de todas as coisas. E a Realidade, para Platão, é distinta do mutável e do passageiro. Ela repousa em si mesma, em sua estabilidade e autotransparência; pura luminosidade!

A civilização ocidental, ao longo de seu percurso histórico, tem feito fundamentalmente a opção por Platão contra Protágoras. Entretanto, nos últimos dois séculos, essa opção tem sido ameaçada por pensadores que proclamam o fim do platonismo – entenda-se, o fim da metafísica. O que vemos é que estamos mergulhados no presente numa crise que diz respeito, em última análise, ao passado e ao futuro de nossa civilização. Protágoras ou Platão? Para o futuro, somos impelidos a fazer uma escolha. Não escolher é já escolher. Qual é a medida? Deus ou o homem? Mas Deus, se é Deus, não pode fazer concorrência com o homem. Assim, nossa questão ficaria melhor nestes termos: O homem com Deus ou o homem sem Deus? O homem acompanhado ou o homem só? O homem participante do Ser ou o homem dominador do ser?

Sem dúvida, forças poderosas tentam virar o curso da opção que nossa civilização ocidental tem feito por Platão. Mas conseguirá? Poderá o homem viver só? E se a relação de transcendência for constitutiva da natureza humana? A nosso ver, parece pouco provável, apesar das crises e incertezas atuais, que o homem queira se sustentar só. A medida do Ser e a luz que dele promana ainda são maiores do que as pretensões titânicas de um homem que pretende ser a única fonte de sentido. Com razão dizia Péguy: “On ne dépasse pas Platon”.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Vida ameaçada em Juiz de Fora

A vida é sagrada. Vem de Deus e, no caso dos humanos, volta para Deus. Por isso Cristo afirmou: Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância. Vale dizer: a vida tem valor já aqui e se realiza plenamente na eternidade. Tudo que agride a vida torna-se uma oposição ao plano do Criador. A vida humana, criada à imagem e semelhança de Deus, deve merecer respeito, amparo e cuidados constantes.

Em Juiz de Fora e região, o momento presente inspira cuidado com a vida e a saúde. As estatísticas divulgadas pela Prefeitura Municipal revelam que no ano passado quase dez mil pessoas foram vítimas do mosquito Aedes Aegypisus e tiveram a vida ameaçada pela dengue. Destas, 17 foram a óbito. As instâncias sanitárias do Governo alertam para a possibilidade de uma epidemia na região, com perigo iminente de crescente número de mortes. Numa verdadeira operação de guerra, as autoridades municipais têm se mobilizado para solucionar o problema, buscando parceria com segmentos sociais e religiosos que possam auxiliar nas medidas urgentes. As causas desta situação que chega a ser alarmante em Juiz de Fora são várias. A principal, contudo, é certo descuido que nós, população, acabamos tendo não evitando os lugares de natural proliferação das larvas. Há também os que reclamam de pouca vigilância com a limpeza pública de certas ruas, e logradouros públicos, faltando maior atenção dos órgãos competentes para este fim.

Afinal, é necessário um grande movimento de mudança de hábitos e procedimentos para evitar a origem da doença. A verdade é que para evitar estes perigos não custaria muito, pois as medidas são simples, como não deixar água parada, caixas d’água descobertas, vasos de folhagens super umedecidas, piscinas sem manutenção freqüente, lixo em terrenos baldios, garrafas e vasilhas com restos de líquido, pneus velhos com água ou sujeira, etc. Porém, tudo isto exige trabalho diuturno, sem descanso. Exige uma atenção de todos e não de alguns. Assim, a atual campanha deve ser expressiva não só na conscientização destas medidas, mas também na motivação a este espírito de vigilância constante, o que representará a vitória sobre a força mortífera deste inseto.

Os católicos desta cidade e região, que constituem a maior parte da população, se mobilizam por uma verdadeira rede de ações capaz de alcançar os objetivos acima descritos, com os esforços dos padres, diáconos e leigos que, também por esta campanha, proclamam sua fé no Deus criador, salvador e santificador da vida humana.

Vale lembrar que a atual movimentação a favor da saúde pública vem de encontro à próxima Campanha da Fraternidade cujo tema é Fraternidade e Vida no Planeta, com o lema “A criação geme em dores de parto” (Rom.8,22) e tratará justamente a respeito do meio ambiente propício para que haja vida e vida digna para os seres humanos.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cultivar nossa humanidade

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Desde o advento da ciência moderna no séc. XVII, que, não se pode negar, trouxe muitos benefícios para a humanidade, vivemos no contínuo perigo de nos deixar arrastar pela sensação de que tudo podemos, de que o homem é o único criador de si mesmo e de seu mundo. É verdade que essa sensação de onipotência foi contraditada sobretudo pelas duas grandes guerras do séc. XX, que mostraram com intensidade o seu poder destruidor. O homem que acreditava cegamente na ideologia iluminista do progresso irrevogável acabou por confrontar-se com seus limites, de modo especial com os limites que traz dentro de si, porque o homem não é somente capaz do bem; é também capaz do mal. Não é só criador, mas é também destruidor. E, nesse sentido, deve continuamente buscar forças que o purifiquem, afastando-o do mal e encaminhando-o para o bem.

Como quer que seja, o grande legado da revolução científica é a produção e o consumo de bens, o que coloca o mundo num dinamismo tal que a vida passa a ser regida fundamentalmente pelos interesses de mercado e a ser regulada pelo ativismo inerente a essa situação. Diz-se hoje em dia que o tempo passa depressa, mas, creio, não é o tempo que mudou o seu ritmo, e sim o homem que alterou sua percepção do tempo. Dificilmente, o homem moderno tira um tempo para estar a sós consigo mesmo, para cultivar verdadeiras amizades, para contemplar a essência das coisas ou para cultivar o senso de transcendência que marca fundamentalmente a nossa humanidade. O tempo do homem de hoje se despende, sem ser fruído, no corre-corre do mundo da técnica e do capital. O homem atual é como que devorado pelo tempo que ele mesmo estabeleceu para si.

Mesmo um papa poderia cair na tentação do ativismo reinante. É curioso que Bento XVI, no seu livro-entrevista Luz do mundo, reconheça que o papa deve esforçar-se para não ceder e não achar que deva “trabalhar sem interrupção”. Diz o papa: “Não perder-se no ativismo significa manter a circunspecção, a penetração clarividente, a visão, o tempo da ponderação interior, do ver e tratar com as coisas, com Deus e sobre Deus. Não pensar que se deva trabalhar sem interrupção é importante para todos; por exemplo, para aquele que gerencia uma empresa, e tanto mais para um papa. Deve-se deixar muitas coisas nas mãos de outros para conservar a visão interior do conjunto, o recolhimento, do qual pode vir a visão do essencial.”

Saibamos cultivar melhor nossa humanidade e teremos abundância de vida.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Papa prefacia Catecismo para jovens (Youcat)

Cidade do Vaticano (Sexta-feira, 04-02-2011, Gaudium Press) Em virtude da próxima Jornada Mundial da Juventude em Madri, será lançado em abril "Youcat", um subsídio para ajudar os jovens a conhecer e se aprofundar na fé cristã. O Santo Padre observa no prefácio do livro-cartilha que o novo catecismo para os jovens pretendem explicar os fundamentos do Cristianismo para que eles o conheçam "com a mesma precisão com que um especialista de informática conhece o sistema operacional de um computador".

Conforme escreve o Papa no livro, a juventude "não é superficial como as pessoas a acusam de ser".

"Youcat", que é uma abreviação de "Youth Catechism"(catecismo para os jovens), se apresenta em forma de perguntas e respostas cuja base é o Catecismo da Igreja Católica de 1992 e seu Compêndio de 2005. O catecismo para a JMJ conta com 300 páginas com uma linguagem ágil para os jovens, é dividida em quatro capítulos e será difundido em várias línguas, inclusive o português e o espanhol. Todo participante do encontro em Madri receberá um exemplar no kit do peregrino.

A iniciativa do catecismo para a JMJ em Madri partiu dos bispo austríacos, guiados pelo arcebispo de Viena, o Cardeal Christoph Schönborn. O objetivo é ajudar os jovens a terem um material prático na mochila. O novo catecismo responde aos quatro aspectos principais: "Em que cremos", "A celebração do mistério cristão", "A vida de Cristo" e "A oração na vida cristã".


Queridos jovens amigos!


Hoje aconselho-vos a leitura de um livro extraordinário.


É extraordinário pelo seu conteúdo mas também pelo modo em que se formou, que desejo explicar-vos brevemente, para que se possa compreender a sua particularidade. Youcat teve origem, por assim dizer, de outra obra que remonta aos anos 80. Era um período difícil para a Igreja e para a sociedade mundial, durante o qual surgiu a necessidade de novas orientações para encontrar o caminho rumo ao futuro. Após o Concílio Vaticano II (1962-1965) e no mudado clima cultural, muitas pessoas já não sabiam correctamente no que os cristãos deveriam acreditar exactamente, o que a Igreja ensinava, se ela podia ensinar algo tout court e como tudo isto podia adaptar-se ao novo clima cultural.


O Cristianismo como tal não está superado? Pode-se ainda hoje racionalmente ser crente? Estas são as questões que muitos cristãos se formulam até nos nossos dias. O Papa João Paulo II optou então por uma decisão audaz: deliberou que os bispos do mundo inteiro escrevessem um livro com o qual responder a estas perguntas.


Ele confiou-me a tarefa de coordenar o trabalho dos bispos e de vigiar a fim de que das suas contribuições nascesse um livro — quero dizer, um livro verdadeiro e não uma simples justaposição de uma multiplicidade de textos. Este livro devia ter o título tradicional de Catecismo da Igreja Católica e todavia ser algo absolutamente estimulante e novo; devia mostrar no que a Igreja Católica crê hoje e de que maneira se pode acreditar de modo racional. Assustei-me com esta tarefa e devo confessar que duvidei que algo semelhante pudesse ter bom êxito. Como podia acontecer que autores espalhados pelo mundo pudessem produzir um livro legível?


Como podiam homens que vivem em continentes diversos, e não só sob o ponto de vista geográfico, mas inclusive intelectual e cultural, produzir um texto dotado de uma unidade interna e compreensível em todos os continentes?


A isto acrescentava-se o facto de que os bispos deviam escrever não simplesmente como autores individuais, mas em representação dos seus irmãos e das suas Igrejas locais.

Devo confessar que até hoje me parece um milagre o facto de que este projecto no final se realizou.

Encontrámo-nos três ou quatro vezes por ano por uma semana e debatemos apaixonadamente sobre cada parte do texto, na medida em que se desenvolvia.

Como primeira atitude definimos a estrutura do livro: devia ser simples, para que cada grupo de autores pudesse receber uma tarefa clara e não forçar as suas afirmações num sistema complicado. É a mesma estrutura deste livro; ela é tirada simplesmente de uma experiência catequética de um século: o que cremos / de que modo celebramos os mistérios cristãos / de que maneira temos a vida em Cristo / de que forma devemos rezar. Não quero explicar aqui o modo como debatemos sobre a grande quantidade de questões, até chegar a compor um livro verdadeiro. Numa obra deste género são muitos os pontos discutíveis: tudo o que os homens fazem é insuficiente e pode ser melhorado, e não obstante, trata-se de um grande livro, um sinal de unidade na diversidade. A partir das muitas vozes pôde-se formar um coro porque tínhamos a comum partitura da fé, que a Igreja nos transmitiu desde os apostólos, através dos séculos até hoje.

Por que tudo isto?

Desde a redacção do CIC, tivemos que constatar que não só os continentes e as culturas das suas populações são diferentes, mas também no âmbito de cada sociedade existem diversos «continentes»: o trabalhador tem uma mentalidade diferente do camponês; um físico de um filólogo; um empresário de um jornalista, um jovem de um idoso. Por este motivo, na linguagem e no pensamento, tivemos que nos colocar acima de todas estas diferenças e, por assim dizer, buscar um espaço comum entre os diferentes universos mentais; com isto tornamo-nos cada vez mais conscientes do modo como o texto exigia algumas «traduções» nos diversos mundos, para poder alcançar as pessoas com as suas mentalidades diferentes e várias problemáticas. Desde então, nas Jornadas Mundiais da Juventude (Roma, Toronto, Colónia, Sydney) reuniram-se jovens de todo o mundo que querem acreditar, que estão em busca de Deus, que amam Cristo e desejam caminhos comuns. Neste contexto perguntámo-nos se não deveríamos traduzir o Catecismo da Igreja Católica na língua dos jovens e fazer penetrar as suas palavras no seu mundo. Naturalmente, também entre os jovens de hoje existem muitas diferenças; assim, sob a comprovada guia do arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, formou-se um Youcat para os jovens. Espero que muitos se deixem cativar por este livro.

Algumas pessoas dizem-me que o catecismo não interessa à juventude moderna; mas não acredito nesta afirmação e estou certo de que tenho razão. A juventude não é tão superficial como é acusada de o ser; os jovens querem saber deveras no que consiste a vida. Um romance policial é empolgante porque nos envolve no destino de outras pessoas, mas que poderia ser também o nosso; este livro é cativante porque nos fala do nosso próprio destino e portanto refere-se de perto a cada um de nós.

Por isso, exorto-vos: estudai o catecismo! Estes são os meus votos de coração.

Este subsídio ao catecismo não vos adula; não oferece fáceis soluções; exige uma nova vida da vossa parte; apresenta-vos a mensagem do Evangelho como a «pérola de grande valor» (Mt 13, 45) pela qual é preciso dar tudo. Portanto, peço-vos: estudai o catecismo com paixão e perseverança! Sacrificai o vosso tempo por ele! Estudai-o no silêncio do vosso quarto, lede-o em dois, se sois amigos, formai grupos e redes de estudo, trocai ideias na internet. Permanecei de qualquer modo em diálogo sobre a vossa fé!

Deveis conhecer aquilo em que credes; deveis conhecer a vossa fé com a mesma exactidão com a qual um perito de informática conhece o sistema operativo de um computador; deveis conhecê-la como um músico conhece a sua peça; sim, deveis ser muito mais profundamente radicados na fé do que a geração dos vossos pais, para poder resistir com força e decisão aos desafios e às tentações deste tempo. Tendes necessidade da ajuda divina, se a vossa fé não quiser esgotar-se como uma gota de orvalho ao sol, se não quiserdes ceder às tentações do consumismo, se não quiserdes que o vosso amor afogue na pornografia, se não quiserdes trair os débeis e as vítimas de abusos e violência.

Se vos dedicardes com paixão ao estudo do catecismo, gostaria de vos dar ainda um último conselho: sabei todos de que modo a comunidade dos fiéis recentemente foi ferida por ataques do mal, pela penetração do pecado no seu interior, aliás, no coração da Igreja. Não tomeis isto como pretexto para fugir da presença de Deus; vós próprios sois o corpo de Cristo, a Igreja! Levai o fogo intacto do vosso amor a esta Igreja todas as vezes que os homens obscurecerem o seu rosto. «Sede diligentes, sem fraqueza, fervorosos de espírito, dedicados ao serviço do Senhor» (Rm 12, 11).

Quando Israel se encontrava no ponto mais obscuro da sua história, Deus chamou em seu socorro não os grandes e as pessoas estimadas, mas um jovem de nome Jeremias; ele sentiu-se chamado a uma missão demasiado grande: «Ah! Senhor Javé, não sou um orador, porque sou ainda muito novo!» (Jr 1, 6). Mas Deus replicou: «Não digas: sou ainda muito novo — porquanto irás aonde Eu te enviar, e dirás o que Eu te mandar» (Jr 1, 7).

Abençoo-vos e rezo cada dia por todos vós.

BENTO PP. XVI

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cardeal Newman, grande figura humana e cristã

O serviço específico para o qual o Beato John Henry Newman foi chamado exigiu a aplicação da sua inteligência aguda e da sua pena fecunda a favor de muitos dos mais urgentes "problemas do dia". As suas intuições sobre a relação entre fé e razão, sobre o espaço vital da religião revelada na sociedade civilizada, e sobre a necessidade de uma abordagem da educação que tivesse ao mesmo tempo uma ampla base e um vasto escopo, não foram apenas de profunda importância para a Inglaterra vitoriana, mas continuam ainda hoje a inspirar e a iluminar muitos em todo o mundo.
Bento XVI, homilia da Missa de beatificação do Cardeal Newman (19-9-2010)