segunda-feira, 22 de junho de 2009

Revista CP Filosofia n. 18

Prezados leitores,

Tenho a satisfação de informar-lhes que a Revista CP Filosofia, da Editora Escala Educacional, n. 18, traz um artigo meu sobre a proposta de Bento XVI no que concerne às relações entre fé e razão no Ocidente.

A revista chegou às bancas esta semana, trazendo também muitos outros artigos interessantes.

Padre Elílio

domingo, 21 de junho de 2009

A Liturgia não é qualquer brincadeira

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

A Liturgia não é qualquer brincadeira. Se ela, deveras, tem um aspecto lúdico, pois que, como um jogo, tem suas próprias regras e não é algo que possa ser reduzido ao domínio do útil, sua grandeza, contudo, consiste em manifestar ao homem a beleza de Deus e de sua salvação. Daí a necessidade de a Igreja, depositária da Revelação, cuidar, sempre com renovado interesse, de que a Liturgia seja celebrada de tal modo que, por ela, a beleza de Deus se comunique à alma e à sensibilidade dos fiéis, arrebatando-os, de algum modo, do mundo do dia a dia para introduzi-los na esfera do sagrado, em que as razões do ser, do agir e do fazer encontram seu sentido derradeiro.

Assim, a Liturgia não pode ser compreendida como uma celebração que o homem inventa e faz por si mesmo. Ela contém algo de maior. Uma Liturgia que não fosse celebrada como um dom não poderia, em última na análise, oferecer salvação alguma. Ela reduzir-se-ia a um culto narcísico, que colocaria o homem diante de sua própria imagem, e, no fim, diante de sua própria indigência e insuficiência, pois que só um Deus que se dirige a nós, e não o homem, pode salvar-nos.

O Rito Romano, ao longo dos séculos, sempre se caracterizou pela sobriedade e pela beleza de suas celebrações, e, desse modo, esteve apto a comunicar às almas o senso do sagrado que nos envolve, fazendo os fiéis lançarem raízes nas profundezas do mistério de Deus, cujo esplendor reside no convite que nos faz à beatitude perfeita por Cristo, com Cristo e em Cristo.

O que hoje se observa, de um modo geral, é que a compreensão da Liturgia como algo que não pode ser construído, sem mais, pelo homem, e que, portanto, deve ser acolhido como um verdadeiro dom, está se esvaindo da consciência dos fiéis. Quantas comunidades julgam poder “fazer” sua liturgia como bem entendem, às vezes desprezando explicitamente a sabedoria bimilenar da Igreja codificada nos livros e regras litúrgicos... Quantas vezes a Santa Missa, que é o que há de mais sagrado na Igreja, é invadida por atitudes que não correspondem à sua sacralidade e ao senso de mistério que deve acompanhá-la... Quantas vezes saímos da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar, como disse Adélia Prado, tão grande o barulho e o espetáculo vazio do homem que se regozija consigo mesmo... Será que uma Liturgia simplesmente construída pelo homem à sua imagem e semelhança pode satisfazer-lhe aquelas zonas mais profundas do ser, onde só o mistério de Deus pode penetrar?

O Papa Bento XVI tem dado sinais claríssimos de que deseja uma Liturgia celebrada de maneira a manifestar a sacralidade que lhe é constitutiva e, assim, garantir aos fiéis uma verdadeira mistagogia - iniciação ao mistério e à beleza infinita de Deus. Queira Deus que a Igreja inteira seja dócil à orientação do pastor!

sábado, 20 de junho de 2009

Evangelho do XII Domingo comum

Contemplar el Evangelio de hoy

© evangeli.net

Día litúrgico: Domingo XII (A) del tiempo ordinario

Texto del Evangelio (Mc 4,35-41): Un día, al atardecer, Jesús dijo a los discípulos: «Pasemos a la otra orilla». Despiden a la gente y le llevan en la barca, como estaba; e iban otras barcas con Él. En esto, se levantó una fuerte borrasca y las olas irrumpían en la barca, de suerte que ya se anegaba la barca. Él estaba en popa, durmiendo sobre un cabezal. Le despiertan y le dicen: «Maestro, ¿no te importa que perezcamos?». Él, habiéndose despertado, increpó al viento y dijo al mar: «¡Calla, enmudece!». El viento se calmó y sobrevino una gran bonanza. Y les dijo: «¿Por qué estáis con tanto miedo? ¿Cómo no tenéis fe?». Ellos se llenaron de gran temor y se decían unos a otros: «Pues ¿quién es éste que hasta el viento y el mar le obedecen?».

Comentario: Rev. D. Antoni Carol i Hostench (Sant Cugat del Vallès-Barcelona, España)

«Maestro, ¿no te importa que perezcamos?»

Hoy —en estos tiempos de «fuerte borrasca»— nos vemos interpelados por el Evangelio. La humanidad ha vivido dramas que, como olas violentas, han irrumpido sobre hombres y pueblos enteros, particularmente durante el siglo XX y los albores del XXI. Y, a veces, nos sale del alma preguntarle: «Maestro, ¿no te importa que perezcamos?» (Mc 4,38); si Tú verdaderamente existes, si Tú eres Padre, ¿por qué ocurren estos episodios?

Ante el recuerdo de los horrores de los campos de concentración de la II Guerra Mundial, el Papa Benedicto se pregunta: «¿Dónde estaba Dios en esos días? ¿Por qué permaneció callado? ¿Cómo pudo tolerar este exceso de destrucción?». Una pregunta que Israel, ya en el Antiguo Testamento, se hacía: «¿Por qué duermes? (…). ¿Por qué nos escondes tu rostro y olvidas nuestra desgracia?» (Sal 44,24-25).

Dios no responderá a estas preguntas: a Él le podemos pedir todo menos el porqué de las cosas; no tenemos derecho a pedirle cuentas. En realidad, Dios está y está hablando; somos nosotros quienes no estamos [en su presencia] y, por tanto, no oímos su voz. «Nosotros —dice Benedicto XVI— no podemos escrutar el secreto de Dios. Sólo vemos fragmentos y nos equivocamos si queremos hacernos jueces de Dios y de la historia. En ese caso, no defenderíamos al hombre, sino que contribuiríamos sólo a su destrucción».

En efecto, el problema no es que Dios no exista o que no esté, sino que los hombres vivamos como si Dios no existiera. He aquí la respuesta de Dios: «¿Por qué estáis con tanto miedo? ¿Cómo no tenéis fe?» (Mc 4,40). Eso dijo Jesús a los apóstoles, y lo mismo le dijo a santa Faustina Kowalska: «Hija mía, no tengas miedo de nada, Yo siempre estoy contigo, aunque te parezca que no esté».

No le preguntemos, más bien recemos y respetemos su voluntad y…, entonces habrá menos dramas… y, asombrados, exclamaremos: «¿Quién es éste que hasta el viento y el mar le obedecen?» (Mc 4,41). —Jesús, en ti confío!

terça-feira, 16 de junho de 2009

A metafísica do "esse" e seu declínio epocal segundo Lima Vaz

A metafísica, ciência do puro inteligível, vigorou nos altos esforços especulativos de um Platão, de um Aristótetes, de um Plotino, de um Agostinho, e encontrou, segundo Lima Vaz, grande coerência na metafísica do existir (actus essendi) de Tomás de Aquino. A metafísica é a ciência dos fundamentos e, como tal, é postulada, segundo Lima Vaz, pelo dinamismo da inteligência humana, cuja identificação intencional com o ser em toda sua infinita universalidade (absoluto formal) reclama, em última análise, a posição do Absoluto real (Ipsum Esse Subsistens), fundamento de toda a realidade.[1] Isso equivale a dizer que, de acordo com o pensamento vaziano, a metafísica como ciência do fundamento real está inscrita no âmago da inteligência humana.

No entanto, na modernidade, a metafísica entendida como ciência do ser em sua transcendência real, cedeu lugar a um entendimento do sujeito humano finito como instituidor de toda inteligibilidade. Se o esse em sua transcendência real é que era a razão última de toda inteligibilidade, na modernidade assistimos à afirmação da pretensão do sujeito de possuir a suprema raiz do inteligível.[2] Mas isso, segundo Lima Vaz, implica problemas: o primeiro dos quais está no fato de o sujeito humano finito não poder criar. Ele pode, com certeza, transformar e manipular o que existe, mas certamente não pode dar a existência mesma, e assim sua pretensão de ser a raiz última da inteligibilidade é inviável, pois que só o esse – o ato de existir - pode sê-lo.[3]

Diante dessas considerações, nosso estudo especial tem por objetivo: 1) apresentar uma breve conceituação da metafísica do existir tal como pensada por Lima Vaz, que vê em Tomás de Aquino seu grande mentor; 2) expor as razões histórico-doutrinais pelas quais, segundo Lima Vaz, essa vigorosa metafísica veio a se desmantelar no horizonte filosófico da modernidade com inequívocas conseqüências para a contemporaneidade (ereção de pseudo-absolutos, crise de sentido, niilismo, irracionalismos, exacerbado domínio da técnica...); 3) e tecer considerações de ordem teórica, sempre segundo o pensamento vaziano, sobre esse fenômeno do declínio da metafísica, que, na visão de Lima Vaz, só pode ser epocal, dado que a inteligência humana é metafísica em sua mesma natureza.



[1] Cf. LIMA VAZ, Henrique C. de. Escritos de Filosofia III. Filosofia e cultura. São Paulo: Loyola, p. 175.

[2] Cf. Id. Escritos de Filosofia VII. Raízes da modernidade. São Paulo: Loyola, 2002, p. 109.

[3] “A razão operacional pode representar, explicar, transformar, modificar, organizar, projetar. Mas não pode criar. O simples existir permanece um enigma para a razão moderna [...] (Ibidem, p. 103).

terça-feira, 9 de junho de 2009

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo





Padre Elílio de Faria Matos Júnior

- 11 de junho de 2009 - 

A solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma festa móvel do calendário litúrgico e ocorre sempre na primeira quinta-feira após a solenidade da Santíssima Trindade. Foi instituída em 1264 pelo Papa Urbano IV para realçar a presença real e substancial de Cristo sob as espécies consagradas e manifestar a alegria da Igreja por dom tão especial. Urbano IV encomendou a Santo Tomás de Aquino, grande teólogo da época, a elaboração da liturgia da festa. O famosíssimo hino "Tão sublime" é de autoria do santo teólogo. Aliás, por sua extraordinária sabedoria, Santo Tomás tem sido constantemente recomendado pelo Supremo Magistério da Igreja como guia seguro nos estudos filosófico-teológicos.

O sacramento da Eucaristia, com efeito, pode ser dito o sacramentum magnum ("o grande sacramento"), pois que ele encerra de modo admirável todo o mistério da Redenção de que nos fala São Paulo, aquele "mistério que ele [Deus] manteve escondido desde séculos e por inúmeras gerações e que, agora, acaba de manifestar aos seus santos" (Cl 1,26). A Igreja diz: "Exerce-se a obra de nossa redenção sempre que o sacrifício da cruz, pelo qual Cristo nossa Páscoa foi imolado (1Cor 5,7), se celebra sobre o altar" (Vaticano II, Lumen Gentium, 3).

O sacrifício perfeito oferecido uma única vez por Cristo na cruz, sacrifício de amor, de obediência e de louvor ao Pai e, por isso mesmo, capaz de apagar nossos pecados, torna-se realmente presente todas as vezes que celebramos a Santa Missa, de tal modo que, participando da eucaristia, é como se estivéssemos aos pés da cruz com Jesus em sua oferta amorosa ao Pai e aos homens. Mysterium magnum - grande mistério!

Como realçou o saudoso João Paulo II em sua memorável encíclica Ecclesia de Eucharistia, o augusto sacramento do Corpo e Sangue de Cristo comporta três dimensões: sacrifício,presença e comunhão. Sacrifício porque, como dissemos, ele torna presente e atual sobre nossos altares o mesmo e único sacrifício da cruz. Presença porque o sacrifício supõe a presença real e substancial do próprio Cristo, que é, a um só tempo, Sacerdote, Altar e Cordeiro.Comunhão porque Cristo quis associar a Igreja a esse seu sacrifício, de modo que ela se ofereça com Cristo ao Pai e receba a própria vida sobrenatural de Cristo, o que santifica a Igreja, fazendo dela verdadeiro Corpo Místico de Cristo. A comunhão se realiza em plenitude quanto recebemos o Corpo e o Sangue do Cordeiro sob as espécies consagradas.

Possamos aprofundar-nos sempre mais na contemplação deste tão grande mistério de nossa fé e colher a graça de nos tornarmos filhos no Filho e, assim, irradiar em nossas famílias e na sociedade o esplendor da "vida em abundância" (Jo 10,10) que Cristo nos trouxe.