sábado, 5 de dezembro de 2009

O Papa adverte sobre os perigos da teologia marxista da libertação e pede superar graves consequências

VATICANO, 05 Dez 09 . / 11:22 am (ACI).- O Papa Bento XVI advertiu sobre os perigos da teologia marxista da libertação e alentou os fiéis a superarem suas graves consequências em meio das comunidades eclesiásticas, como a rebelião e o desacordo, à luz da instrução Libertatis nuntius, que cumpre 25 anos de publicação e que foi redigida quando ele era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Ao receber ao meio-dia de hoje ao grupo de Bispos do Brasil da região Sul 3 e Sul 4 em visita ad limina, o Santo Padre recordou que "em agosto passado se cumpriram 25 anos da Instrução Libertatis nuntius da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, que sublinha o perigo que comportava a aceitação acrítica, realizada por alguns teólogos, de tese e metodologias provenientes do marxismo".

Bento XVI advertiu, depois de ter refletido sobre o papel das universidades católicas, que as sequelas da teologia marxista da libertação "mais ou menos visíveis de rebelião, divisão, desacordo, ofensa, anarquia, ainda se fazem sentir, criando em suas comunidades diocesanas um grande sofrimento e grave perda de forças vivas".

Por essa razão, o Santo Padre exortou "aos que de algum modo se sintam atraídos, envolvidos e afetados no íntimo por certos princípios enganosos da teologia da libertação, que se confrontem novamente com a referida Instrução, acolhendo a luz benigna que a mesma oferece com mão estendida".

Bento XVI recordou também que "a regra suprema de fé da Igreja provém efetivamente da unidade que o Espírito estabeleceu entre a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja, em uma reciprocidade tal que não podem subsistir de maneira independente", como explica na encíclica Fides et Ratio o Papa João Paulo II.

"Que no âmbito dos entes e as comunidades eclesiásticas, o perdão devotado e acolhido em nome e por amor da Santíssima Trindade, que adoramos em nossos corações, ponha fim às tribulações da querida Igreja que peregrina nas Terras da Santa Cruz", respirou.

A Instrução Libertatis nuntius foi publicada em 6 de agosto de 1984, depois da autorização do Papa João Paulo II para que o então Cardeal Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, procedesse com a publicação.

O objetivo da instrução, explica o mesmo texto, é "atrair a atenção dos pastores, dos teólogos e de todos os fiéis, sobre as separações e os riscos de separação, ruinosos para a fé e para a vida cristã, que implicam certas formas de teologia da libertação que recorrem, de modo insuficientemente crítico, a conceitos tomados de diversas correntes do pensamento marxista".

O chamado texto explica "a certeza de que as graves separações ideológicas" da teologia marxista da libertação "conduzem indevidamente a trair a causa dos pobres". Entre outras coisas, a instrução também adverte que a análise marxista da realidade "arrasta as ‘teologias da libertação’ a aceitar um conjunto de posições incompatíveis com a visão cristã do homem".

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Bento XVI celebra "ad orientem"

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Padre Elílio de Faria Matos Júnior.

Bento XVI celebrou, na Capela Paulina, a Santa Missa ad orientem. Aconteceu dia 1 de dezembro pp., quando o pontífice esteve reunido com os membros da Comissão Internacional de Teologia.

Ja tivemos a oportunidade de publicar um artigo neste blog considerando o sentido da oração ad orientem na celebração litúrgica. Tal modo de celebrar é impropriamente conhecido como o modo em que o padre "dá as costas para o povo".

Joseph Ratzinger defende que a celebração com o padre voltado ad orientem tem profundas raízes na história da Igreja desde a antiguidade. Com efeito, Ratzinger em Introdução ao espírito da liturgia (1999), sustenta que a posição do padre e da assembleia conjuntamente voltados para o Oriente era tida pela Igreja antiga como uma veneranda tradição recebida dos Apóstolos.

Os gestos do Papa falam por si mesmos. Para bom entendendor, meia palavra basta. Bento XVI não se cansa de dar sinais de que deseja uma liturgia bem celebrada, de tal modo que o mistério do Senhor se mostre com vigor na maneira mesma de celebrar. Depois de tantas "aventuras" pós-conciliares no campo litúrgico, julgamos que está na hora de retomar o mais lídimo legado da tradição. A Constituição do Concílio Vaticano II Sacrosanctum Concilium sobre a liturgia é uma pérola de teologia litúrgica. Bem aplicada, haverá de ajudar-nos a ver cada vez mais o autêntico sentido da liturgia, que é ação do Christus totus, a Cabeça e os membros.

Celebrar a liturgia é realizar uma verdadeira mistagogia. Para longe o padre showman, que acaba se tornando o centro do ato litúrgico. Para longe o excesso de criatividade, que traz para a celebração elementos que são estranhos à liturgia e verdadeiramente importunos. Quem deve aparecer é Ele. Ele deve invadir a nossa alma e transformar a nossa vida com o mistério de sua salvação. É Ele quem a Igreja anuncia e celebra há 2000 anos. É a Ele que a Igreja deve ser assimilada.

O sangue de são Januário


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Padre Elílio de Faria Matos Júnior

São Januário nasceu em Nápoles no século III, foi bispo de Benevento e morreu martirizado, em 305, por causa de sua fé católica, sob as perseguições promovidas pelo Imperador Dioclesiano. Segundo a tradição, uma piedosa cristã de nome Eusébia recolheu o seu sangue, que, pelo ano de 315, foi entregue ao bispo de Nápoles, quando os restos mortais de São Januário foi transladado das catacumbas de Pozzuoli para a sua cidade natal. Parece que desde então, ante a presença do clero e dos fiéis admirados, o sangue do santo, recolhido em duas ampolas em estado sólido, se liquefaz. Começa a borbulhar de uma forma muito estranha, como se estivesse fresco ou tivesse sido recentemente derramado. O fenômeno é testemunhado há séculos, e quem quiser vê-lo é só ir a Nápoles no primeiro sábado de maio ou no dia 19 de setembro, quando o extraordinário acontecimento se repete. Em 1456, o bispo de Siena e cardeal Eneas Sílvio Piccolomini (posteriormente Papa Pio II) residia em Nápoles, exercendo também as funções de Embaixador da República de Florença. Entre os acontecimentos notórios que presenciou destaca "o sangue sagrado de São Genaro, que se mostra umas vezes sólido, outras líquido, apesar de haverem passado 1.200 anos de quando foi derramado por amor a Cristo". Os estudiosos procuram entender o fenômeno, mas em vão têm buscado explicações satisfatórias.

Verdadeiros milagres existem. A Igreja sempre o defendeu. Os milagres são acontecimentos que superam as forças da natureza. Impropriamente se diz que são contra a natureza. São sinais de que o Reino de Deus está em atividade e atinge este nosso mundo. Os milagres também são a "assinatura" de Deus para comprovar a fé revelada por Jesus e confiada à Igreja católica, a Igreja de Pedro, para que a conserve e propague. A fé que Deus exige de nós não deve ser entendida como um puro “salto no escuro”. Entre outras motivações para o crer, o Senhor quis que a nossa anuência interior à sua Palavra fosse acompanhada e confirmada por sinais exteriores e sensíveis. Os milagres, dos quais a história da Igreja está repleta, cumprem esse papel.

É verdade que nem tudo o que se passa por milagre o é de fato. É preciso discernimento e prudência. Entretanto, estudiosos, como o conhecido parapsicólogo Padre Oscar Quevedo, tem dedicado sua vida para distinguir os verdadeiros e os falsos milagres. Padre Quevedo defende a tese de que verdadeiros milagres só têm acontecido na Igreja católica. A explicação é clara: só a fé católica foi revelada por Deus e, como tal, goza das “assinaturas” do Altíssimo. O assunto merece aprofundamento.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Bento XVI usa sua nova férula


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O Santo Padre Bento XVI, na celebração das primeiras vésperas do I Domingo do Advento, usou sua nova férula, que lhe foi ofertada pelo Círculo de São Pedro. A férula é o báculo ou cajado pastoral do Papa. Simboliza seu ofício de pastor colocado à frente da Igreja pelo Pastor Eterno. Note-se que a férula papal é encimada por uma cruz, enquanto o báculo dos bispos termina em uma curvatura. Bento XVI até então estava usando a férula que pertencera ao beato Pio IX. Aliás, a mesma instutuição que doara, em 1877, ao beato Pio IX a férula até então em uso, ofertou agora a Bento XVI a nova, que traz o monograma de Cristo de um lado, o Cordeiro Pascal de outro, os quatro Evangelistas nas extremidades dos braços dianteiros e os quatro Doutores - Ambrósio, Agostinho, Atanásio e João Crisóstomo - nas extremidades dos braços de trás.

Que o pastoreio de Bento XVI, simbolizado pela férula, conduza o povo de Deus a pastagens sempre verdejantes e afaste o perigo dos lobos. Deus abençoe o Papa, o "doce Cristo na terra" (Santa Catarina de Sena).

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Igreja diz o que pensa sobre si mesma

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Padre Elílio de Faria Matos Júnior

A Congregação para a Doutrina da Fé publicou um valioso documento que trata de eclesiologia (doutrina sobre a Igreja). Bento XVI o aprovou e ordenou sua publicação. Tem como título «Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja». O importante documento, assinado aos 29 de junho de 2007, veio a lume aos 10 de julho do mesmo ano. A Congregação para a Doutrina da Fé já havia publicado alguns documentos sobre eclesiologia, como a Declaração «Mysterium Ecclesiae» (1973), a Carta «Communionis Notio» (1992), e a Declaração «Dominus Iesus» (2000).

O propósito é sempre o mesmo: oferecer luz e orientação aos católicos para que sejam fiéis às exigências da fé que receberam dos Apóstolos e não se percam em meio a teorias e opiniões sobre o mistério da Igreja que se fazem cada vez mais plurais e equivocadas nos últimos decênios, e, ao mesmo tempo, prestar um serviço à humanidade, apresentando-lhe o que a Igreja pensa sobre si mesma.

Nesse sentido, este último documento, ao afirmar que a Igreja de Cristo subsiste – existe integralmente - só na Igreja católica entregue a Pedro e a seus sucessores, não realiza um ato de vão orgulho ou de intolerância em relação aos cristãos não-católicos. A Santa Sé, ao recordar a doutrina de sempre, jamais abolida pelo Concílio Vaticano II, quer, humildemente, prestar um serviço aos católicos e a todos os homens de boa-vontade, pois a Igreja julga, em sua fé, que a verdade sobre o seu próprio mistério é um dom de Deus oferecido a cada homem e à humanidade como tal. Não é orgulho reconhecer uma dádiva de Deus; ao contrário, seria um ato verdadeiramente orgulhoso recusar um presente que se crê de todo coração ter recebido do Alto. Tampouco é intolerância, uma vez que a Igreja está aberta ao diálogo, reconhece tudo de bom que existe fora de seus quadros visíveis, e apenas está apresentando o que ela crê a respeito de si mesma.

Alguns talvez dirão irritados: “A Igreja católica ainda se julga detentora da verdade, mas a verdade como tal não existe”. De fato, o mundo contemporâneo acredita que a verdade é um fardo pesado demais para o homem, e que este jamais poderia ter acesso a ela. O homem seria incapaz da verdade, segundo a mentalidade atualmente dominante. Mas resta saber de que verdade se fala. Está certo que a verdade sobre os fenômenos freqüentemente nos escapa, pois somos condicionados por diversos fatores, entre os quais a nossa limitada capacidade de verificação empírica. Mas isso não quer dizer que sejamos incapazes da verdade básica, de uma visão certa sobre o fundamento da existência, sem a qual nossa vida haveria de ser tida como um verdadeiro absurdo. Aliás, os que sustentam que não há verdade básica alguma caem em fragorosa contradição, pois pretendem que esta sua afirmação - “não há verdade” - seja basicamente verdadeira. Ademais, a Igreja católica professa ser depositária de uma revelação divina, não construída por mãos humanas, cuja verdade deve guardar e propagar.

O teor do documento de Roma prima pela sinceridade e transparência. Não esconde o que a Tradição bimilenar da Igreja sempre professou. Apóia-se no depósito que nos foi legado pelo testemunho de fé dos antigos, a saber: a) Cristo quer continuar a sua obra neste mundo e, para tal, fundou a sua Igreja, que conta com os elementos indispensáveis à sua missão; b) destarte, há uma ligação intrínseca entre Cristo e a Igreja, uma vez que Cristo quer fazer-se presente através de seu Corpo Místico; c) assim, a Igreja não é um mero acessório no conjunto do Plano de Deus, pois este Plano é sacramental, isto é, realiza-se de tal modo que o Invisível nos alcança pelos sinais visíveis escolhidos por Cristo; d) esta Igreja, sacramento universal da salvação - «universale sacramentum salutis» (Lumen Gentium, 48) -, perdura integralmente só na Igreja católica confiada a Pedro e a seus sucessores, de modo que a Igreja querida por Cristo existe concretamente na história, como, aliás, jamais deixou de existir ou deixará segundo a promessa do evangelho (cf. Mt 16,18).


O que Roma quer deixar claro, apoiando-se em citações das próprias atas conciliares, é que o Concílio Vaticano II jamais pretendeu mudar essa veneranda Tradição, como dão a entender certos teólogos que apregoam uma Igreja pré-conciliar e outra, substancialmente diversa, pós-conciliar. O Concílio não mudou a doutrina sobre a Igreja, nem poderia fazê-lo, mas tão somente a aprofundou realçando-lhe certos aspectos. Se usou a expressão «subsistit in» (subsiste em) em vez do tradicional «est» (é) para falar da identificação da Igreja de Cristo com a Igreja católica confiada a Pedro, não foi com a intenção de negar tal identificação, mas de, professando firmemente a doutrina tradicional, abrir-se ao reconhecimento de que fora dos quadros visíveis da mesma Igreja católica há verdadeiros elementos eclesiais, embora não em sua plenitude. Em outras palavras, há uma única subsistência da verdadeira Igreja de Cristo. A unicidade da Igreja o exige. Mas fora dessa única subsistência visível não há o vazio eclesial; há elementos da verdadeira Igreja fora da Igreja católica, em maior ou menor número conforme a Igreja ou a Comunidade eclesial, elementos esses que, por pertencerem à Igreja de Cristo subsistente na Igreja católica, impelem à unidade católica (cf. Lumen Gentium, 8).

Desse modo, a Igreja católica segue seu caminho, “entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus” (S. Agostinho), anunciando o mistério de Cristo, do qual ela tem consciência de fazer parte nos termos acima apontados. Ainda que seja incompreendido, o Magistério pontifício, com humildade, propõe a verdade sobre Cristo e sua Igreja. Não a impõe a ninguém, mas a anuncia para prestar um serviço ao dom de Deus feito à humanidade. E ninguém pode tirar o direito da Igreja de tratar de sua própria consciência, daquilo que é de sua competência específica. Estamos com Bento XVI e, igualmente, abertos ao diálogo sincero e fraterno.

Viva o Papa Bento XVI!