terça-feira, 26 de abril de 2011

Perita em neurociências assegura que oração ajuda a desenvolver o cérebro

ROMA, 25 Abr. 11 / 04:32 pm (ACI)

A neurorradiologista italiana Adriana Gini afirmou que a prece é benéfica para o desenvolvimento do cérebro, ao participar de um foro multimídia sobre os jovens e a comunicação na era digital celebrado em Roma.

Gini afirmou no dia 14 de abril no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, que "a prática do silêncio, a meditação e a oração favorecem as áreas cerebrais que se convertem mais pacientes e altruístas".

O foro "Comunicação Juvenil na Era dos Meios de comunicação Sociais", foi patrocinado pelo Conselho Pontifício da Cultura.

O evento foi uma resposta ao convite que o Papa Bento XVI fez em novembro de 2010 aos participantes da assembléia plenária do mesmo Conselho Pontifício para beneficiar-se "com renovado compromisso criativo, mas também com sentido crítico e cuidado discernimento das novas linguagens e das novas modalidades comunicativas".

Gini assegurou que "nas crianças, um ambiente sereno e interativo, a presença de pais afetuosos, a amizade, e a vida ativa são elementos que permitem um correto desenvolvimento cerebral e portanto a aquisição de capacidade como o equilíbrio emotivo, a sociabilidade, e a generosidade".

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Tudo concorre para o bem

A Igreja anuncia há dois milênios a alegre mensagem da ressurreição de Jesus. É a resposta de Deus à inquietação de Jó e a todos os males do mundo. Apesar de o sofrimento ser às vezes grande, a alegria é maior e sempre tem a última palavra. "Diligentibus Deum omnia cooperantur in bonum" (Rm 8,28). Com efeito, para os que amam a Deus, ao fim e ao cabo, aconteça o que acontecer, a vida vai dar certo. A Igreja maravilhosamente renasce e se alimenta dessa fé no Deus que ressuscitou Jesus e nos prepara a glória celeste.

Artigo de Dom Eugênio Sales

Dom Eugênio Sales houve por bem encerrar nesta Páscoa a série de artigos, muito estimados na imprensa, que vinha publicando desde 1971. Você pode conferir seu último artigo. Trata-se do A alegria pascal. Abaixo, um breve vídeo sobre esse grande homem da Igreja no Brasil. Muito obrigado por tudo, Dom Eugênio!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Páscoa, vida nova em Cristo

Ao terceiro dia após a morte de Cristo, os discípulos encontraram os sinais da ressurreição, vendo o túmulo vazio, os lençóis que envolveram o corpo do crucificado e o sudário dobrado à parte. Os relatos evangélicos variam ao descreverem os fatos, mas não se contradizem, antes se completam. Os quatro evangelistas são unânimes em afirmar que Cristo ressuscitou e que as primeiras pessoas a chegarem ao túmulo vazio foram algumas mulheres, entre elas Madalena. (cf. Mt 28, Mc 16, Lc 24, Jo 20). São João apresenta maiores detalhes a respeito do diálogo de Madalena com o Ressuscitado. Ao vê-lo, exclama com emoção: Robbuni, que quer dizer Mestre. O alvissareiro anúncio primeiro vai a Pedro, chefe dos Apóstolos e ao discípulo amado, depois aos onze, depois aos demais discípulos. Naquele mesmo dia, à tarde, os discípulos reunidos em certa casa, possivelmente o Cenáculo onde Jesus instituiu a Eucaristia, O viram em corpo glorioso e falaram com Ele. É também João que relata o episódio do incrédulo Tomé, que não estava ali no primeiro dia e que esteve com o Senhor redivivo, oito dias depois, e pôde tocar as suas chagas. Prostrando-se, reza humildemente: Meu Senhor e meu Deus! (Jo.20,28)

Entre tantas outras manifestações, talvez a experiência mais bela da ressurreição do Senhor, tenha sido a dos discípulos de Emaús, narrada pelo Evangelho de Lucas (Lc.24,13-35). Tristes pela morte, decepcionados pela tragédia, desesperançosos pela solidão, voltavam para casa. Mas eis que um estranho peregrino se põe a caminhar com eles e lhes aquece o coração quando fala. Ao chegarem às proximidades de casa, convidam-no à hospedagem e recebem a extraordinária revelação: ao partir o pão, ao fazer a oração, não puderam ter dúvida de que se tratava do mesmo gesto, da mesma forma de orar, afinal da mesma pessoa que, às vésperas da morte havia celebrado a Páscoa com seus discípulos e instituído a Eucaristia, sacramento da nova e eterna aliança.

Na beleza da literatura lucana, podemos perceber neste relato, além da descrição dos fatos, um maravilhoso simbolismo. Ali estão presentes, por exemplo, os contrastes entre “escuridão” e “claridade”, pois ao chegarem em casa disseram os discípulos ao Peregrino: Fica conosco porque já é tarde e o dia já declina (Lc.24, 29). Mas ao gesto do pão à mesa, seus olhos se abriram (Lc, 24,31). Antes estavam obscurecidos pela incredulidade, por um olhar frio e secularista que os prendia somente à degradação da morte, agora estão no lume da fé que lhes revela a verdade sobre a vida e sobre todas as coisas.Onde está tua vitória, ó morte! Onde está o teu aguilhão? exclamará mais tarde Paulo aos Coríntios(cf.1Cor.15,55). O retorno dos discípulos pressurosos e alegres é a imagem do fiel seguidor de Jesus e de toda a sua Igreja que estão sempre, como missionários, anunciando à semelhança de Pedro: Cristo ressuscitou e disto nós somos testemunhas (cf. At.2,32).

Ficarão para sempre impressas as palavras de João Paulo II: Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, esse acontecimento central da salvação torna-se realmente presente e com ele se realiza também a obra de nossa redenção. Esse sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou para o Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos, como se a ele tivéssemos estado presentes. O que poderia mais Jesus ter feito por nós? (EE)

Cristo, pela sua morte, entregou-se à condição humana e pela sua ressurreição nos dá a possibilidade de participar de sua condição divina, no prisma da santidade e do amor, o que acontece já nesta vida, mas que culminará em plenitude na eternidade, a perene festa pascal.

Feliz e Santa Páscoa!

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Deus e a razão natural

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

O cristão católico sabe que Deus existe e que se revelou na história dos Homens em Jesus Cristo. Sabe que Deus existe por si mesmo (a se), como causa incausada, que criou livremente o universo e o governa. Esta fé num Deus único, causa transcendente do mundo, é, aliás, compartilhada pelas outras duas grandes religiões monoteístas: o judaísmo e o islamismo. Mas a convicção do cristão de que Deus existe não pode se apresentar como uma convicção sem mais, como uma fé cega. O fideísmo foi repetidamente rejeitado pela Igreja . É preciso que o cristão saiba, conforme o convite da Escritura , dar razão de sua esperança a todo aquele que lha pede. É preciso apresentar os motivos de credibilidade da fé cristã. Essa, aliás, é a tarefa básica da teologia, que se define, para falar com a tradição clássica, como fides quaerens intellectum. Mormente no contexto histórico atual, marcado por um acentuado pluralismo de idéias, faz-se necessário refletir sobre as razões da fé se se quer promover um diálogo sério e responsável entre o Evangelho e a cultura.

Comecemos, pois, com a questão elementar: Deus existe? Deus seria o criador de todas as coisas, causa transcendente do mundo, ou, ao contrário, seria criatura do Homem, um produto de sua imaginação? Ou ainda: Deus seria tão somente a série dos diversos seres tomado como um todo, série essa que, por encerrar tudo o que existe, receberia predicados divinos?

Sabe-se que a inflexão moderna da concepção de razão levou o pensamento e a cultura a um antropocentrismo por vezes radical, a tal ponto que assistimos a afirmações de que Deus é que seria criatura do homem em vez de ser seu criador. As expressões da negação de Deus encontramo-la sobretudo na pena dos "mestres da suspeita": para Nietzsche, Deus é uma espécie de muleta dos fracos; para Karl Marx, uma ideia alienante provinda de relações sociais alienadas; Freud, o pai da psicanálise, vê na religião e na ideia de Deus o fruto de uma neurose coletiva. Claud Lévi-Strauss detectou magistralmente a diferença essencial entre a interpretação da filosofia clássica e da religião a respeito da existência e a interpretação baseada na inflexão moderna: "Um dos dois: ou o homem está na significação, ou a significação está no homem; no primeiro caso, a interpretação religiosa; no segundo, tudo se resolve no interior da estrutura humana". A escola estruturalista preferiu a segunda alternativa, e, como consequência da negação de Deus, acabou por negar o próprio Homem. Sem Deus, com efeito, o Homem deixa de ser um valor absoluto em si mesmo, isto é, deixa de ser pessoa para reduzir-se a um conjunto de estruturas no mesmo plano dos demais seres. Assim, a falta de sentido e de beleza instaura-se entre nós. À morte de Deus segue-se inevitavelmente a morte do próprio Homem.

Entretanto, muitos grupos religiosos contemporâneos, a título de fazer frente à crise de sentido que castiga o Homem moderno, professam uma ideia de divindade muito afim da religiosidade oriental. Daí falar-se tanto de "mística oriental", que pulula entre nós. A divindade seria a única substância real na qual tudo existe (panteísmo). O panteísmo pode assumir a forma de monismo emanatista (a divindade seria a fonte suprema donde emanam por degradação todos os seres até atingir a matéria) ou de monismo evolucionista (a divindade seria o conjunto de tudo posto em evolução). Para tal modo de ver, o Homem é, em linhas gerais, concebido como uma centelha divina que deve unir-se ao cosmo divino.

Estamos, pois, de um lado, diante do ateísmo, que nega o Espírito Absoluto, reduzindo-o a um epifenômeno da cultura. De outro, temos diante de nós o panteísmo, que nega a liberdade da criação e a distinção entre criador e criatura. São duas perspectivas distintas da concepção cristã de Deus, que, a um só tempo, professa o Espírito Absoluto e a distinção entre Deus e o universo criado livremente por ele.

Ainda mais: a fé católica sustenta que o Homem foi criado por Deus e para Deus, de modo a encontrar no criador a razão e a beleza de seu ser. Segundo tal afirmação, é de se esperar que o Homem esteja, pela própria constituição natural, direcionado, ainda que atematicamente, para Deus.

O Homem é, na verdade, responsável diante de Deus. Se a fé, pois, não quiser apresentar-se como mera ficção, o Homem, sobre cuja constituição íntima a fé emite um juízo, deverá poder refletir de modo plausível no sentido de um conhecimento natural de Deus, tal como a fé mesma o apresenta: um Deus pessoal, livre e criador do universo. Não podemos, assim, dispensar as reflexões sobre as conhecidas provas da existência de Deus. Escreve Hansjürgen Verweyen:

Se todo homem é responsável diante de Deus, a razão humana, por força da própria substancial predisposição, deve ter um acesso ao conhecimento de Deus. O objetivo específico das "provas da existência de Deus", é o de desenvolver de modo filosófico-reflexo este conhecimento natural de Deus.

Aliás, a própria doutrina da Igreja, seguindo o apóstolo Paulo e a tradição sapiencial do Antigo Testamento, afirma que podemos chegar a um certo conhecimento natural de Deus. O Concílio Vaticano I declarou que Deus pode ser reconhecido, com certeza, pela razão natural.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

O milagre de Lanciano

Este milagre ocorreu no século VIII, mais precisamente no ano 750, e a prova do milagre está patente aos olhos de quem quiser ver na igreja de São Legociano, na cidade de Lanciano, perto de Pescara.

Como ocorreu o milagre?

Um monge daquele convento começou a duvidar se na Hóstia estaria verdadeiramente o Corpo de Cristo e no Cálice, o Seu Sangue. Certo dia, celebrando a Santa Missa e sendo acometido da mesma dúvida, viu que, de repente, de modo milagroso, a Hóstia consagrada se transformou num pedaço de carne e o vinho consagrado se coagulou e se transformou em pedaços de sangue. O monge, atônito, ainda pensou em esconder o prodígio, mas, perante a realidade do fato extraordinário, confessou a sua falta de fé e o milagre com que o Senhor viera confirmá-lo.

Hoje, a 1.200 anos de distância, as relíquias sagradas man­têm-se praticamente intactas. A Carne, guar­dada entre dois cristais, tem a forma de Hóstia Redonda, com seis centímetros de diâmetro, mais grossa nos bordos que no centro, onde há um pequeno espaço vazio. A Carne aparece de cor castanho-escuro, que se torna rosada quando se coloca uma luz por trás do reli­cário. O Sangue, coagulado, tem uma cor vermelho-escura e é for­mado por cinco gotas diferentes e separadas.

Repetidas vezes, no decorrer dos séculos, fizeram-se exames e reconhecimentos das Sagradas Relíquias. Em 1970, por exemplo, o Arcebispo de Lanciano e o Provincial dos Frades Conventuais de Abruzzo, autorizados por Roma, pediram ao doutor Edoardo Linoli, diretor do hospital de Arezzo e professor de Anatomia, Histologia, Química e Microscopia Clínica, uma minuciosa análise científica das Relíquias de um Milagre de doze séculos atrás. No dia 4 de março de 1971, o professor apresentou um relatório detalhado dos estudos realizados. Eis as conclusões:

1. A “Carne milagrosa” é verdadeiramente carne do tecido muscular fibroso do miocárdio.

2. O “Sangue milagroso” é verdadeiro sangue, demonstrado, com certeza absoluta, pela análise cromatográfica.

3. O estudo imunológico manifesta seguramente que a carne e o sangue são humanos e a prova imunológica revela com segurança que ambos pertencem ao grupo sangüíneo AB, o mesmo grupo do homem do Santo Sudário e característico das populações do Oriente Médio. Esta identidade do grupo sangüíneo indica ou que a Carne e o Sangue são da mesma pessoa ou que pertencem a dois indivíduos do mesmo grupo sangüíneo.

4. As proteínas contidas no Sangue estão normalmente distribuídas numa percentagem idêntica às de um sangue fresco normal.

5. Nenhuma sessão de histologia revelou traços de infiltrações de sais ou de conservantes utilizados nas antigas civilizações para mumificar corpos.

O seu relatório foi publicado nos “Quaderni Sclavo in Diagnostica (fasc. 3, Gráfica Meini, Sena, 1971) e causou um grande interesse no mundo científico.

Em 1973 o Conselho Superior da Organização Mundial da Saúde, organismo da ONU, nomeou uma comissão científica para verificar as conclusões do médico italiano. Os trabalhos duraram 15 meses e foram feitos 500 exames. Realizaram-se as mesmas pesquisas feitas pelo professor Linoli e outras complementares.

Os exames confirmaram que os fragmentos retirados em Lanciano não são semelhantes a tecidos mumificados. A comissão declarou que a Carne é um tecido vivo porque responde a todas as reações clínicas próprias dos seres vivos. A Carne e o Sangue milagrosos de Lanciano têm as mesmas características de carne e sangue recém extraídos de um ser vivo. Esse relatório confirma as conclusões do professor Linoli. As conclusões do pequeno resumo dos trabalhos científicos da Comissão Médica da OMS e da ONU, publicado em dezembro de 1976 em Nova York e em Genebra declaram que a ciência, consciente dos seus limites, não é capaz dar uma explicação natural ao fenômeno. 

Que este milagre nos sirva para alimentar a nossa fé na presença de Jesus Cristo na Hóstia consagrada e no Sacrário das igrejas.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Semana Santa

 Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, os católicos iniciam as celebrações da chamada semana santa, cujo destaque recai sobre o tríduo pascal (quinta-feira santa, sexta-feira santa e sábado santo), quando a Igreja celebra a “passagem” - paixão, a morte e a ressurreição- de seu Senhor, Jesus Cristo. Os aleluias festivos da ressurreição são rompidos na noite do sábado para o grande Domingo da Páscoa. 

Na verdade, os mistérios celebrados na semana santa dizem respeito a todo homem que vem a este mundo, sem exceção. A fé católica sustenta que a verdade sobre quem somos esclarece-se à luz da vida de Cristo, principalmente à luz de sua paixão morte e ressurreição. As questões fundamentais da existência humana – De onde vim? Para onde vou? Que devo fazer? Qual o sentido da vida? – recebem de Cristo as respostas que todo homem gostaria de ouvir. Fomos feitos por Deus e para Deus, e Jesus é quem nos revela a verdadeira face do Pai, fundamento da nossa existência. 

Um desejo profundo acompanha todo homem: viver uma vida feliz e sem fim. Com efeito, a imortalidade feliz constitui o grande anseio da alma humana. Ninguém quer uma existência precária e infeliz; ninguém deseja que a vida feliz lhe seja arrebatada. Todavia, grandes inimigos tentam contrariar o anseio humano: a dor, o sofrimento, a morte. Em uma palavra: o mal. Ora, Jesus veio exatamente para nos salvar do mal. Na oração do Pai-Nosso ensinou-nos a pedir: “Livrai-nos do mal”. Com sua vida, o mal foi concretamente vencido. Na semana santa celebramos o coroamento da vitória de Jesus. O Filho de Deus humanado, atravessando o sombrio vale do sofrimento e da morte, saiu vitorioso na madrugada daquele domingo que marcou para sempre a história da humanidade. As forças obscuras do pecado e da morte cederam lugar à poderosa luz que jorrou da ressurreição. 

A Igreja anuncia há dois mil anos esta grande alegria: o mal não é a última palavra sobre o homem. Fomos criados por um Deus que é inteligência e amor. Não somos frutos, em última análise, de cegas leis naturais ou do acaso. Deus pensou em nós e nos quis. Ele sempre nos acompanha. Na verdade, Deus se aproximou de nós, em Cristo, até o limite do possível. A vida de Cristo é o grande testemunho de que este Deus sabe e pode tirar o bem até mesmo do mal. Do sofrimento tirou a alegria; do pecado do mundo, a salvação dos homens; da morte do inocente, a vida sem fim para todos que dele se aproximam. Que a celebração piedosa do mistério pascal do Senhor Jesus abra-nos as portas da vida em abundância que ele nos veio trazer.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Abusos litúrgicos enfraquecem a fé

Fonte: http://www.catholicherald.co.uk/news/2011/03/03/cardinal-bad-masses-weaken-the-faith/
Tradução do inglês: Padre Elílio

Cardeal Llovera
O enfraquecimento da fé em Deus, o aumento do egocentrismo e a queda no número de pessoas que vão à Missa podem estar relacionados com abusos litúrgicos ou com Missas sem reverência, sustentaram dois cardeais e um consultor do Vaticano. 

O Cardeal Raymond Burke, Prefeito da Signatura Apostólica, disse: “Se nós continuarmos no erro pensando que somos o centro da liturgia, a Missa levará a uma perda da fé”. 

O Cardeal Burke e o espanhol Cardeal Antonio Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, discursaram no lançamento de um livro em Roma. 

O livro, publicado somente em italiano, foi escrito por Nicola Bux, que atua como consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para a Causa dos Santos e como membro do Ofício das celebrações litúrgicas do Papa. 

A tradução do título do livro poderia ser: Como ir à Missa e não perder a fé.  O Cardeal Burke disse aos presentes que concorda com Bux no sentido de que “os abusos litúrgicos levam a uma sério prejuízo para a fé dos católicos”. “Infelizmente, ele disse, muitos padres e bispos consideram que as violações das normas litúrgicas não são importantes, quando, de fato, são ‘sérios abusos’”. 

O Cardeal Cañizares disse que, embora o título do livro seja provocativo, demostra uma convicção que ele endossa. “A participação na Eucaristia pode fazer-nos enfraquecer ou perder a fé se não entramos no espírito da liturgia com propriedade, e se a liturgia não é celebrada de acordo com as normas da Igreja”, disse. “Isso é verdade, quer se trate da forma ordinária ou extraordinária do único Rito Romano”, disse ainda o cardeal. 

O Cardeal Cañizares notou que numa época em que muitas pessoas vivem como se Deus não existisse, elas necessitam de uma verdadeira celebração da Eucaristia para recordá-las que somente Deus deve ser adorado e que o verdadeiro sentido da vida vem somente do fato de Jesus ter dado sua vida para a salvação do mundo. 

Bux disse que muitos católicos modernos pensam que a Missa seja algo que o padre e a assembleia fazem juntos, quando, de fato, é algo que somente Jesus pode fazer. “Se você vai à Missa em um lugar e depois em outro, não verá a mesma Missa. Isso significa que não se trata da Missa da Igreja Católica, à qual o povo católico tem direito, mas é, antes, a Missa desta paróquia ou daquele padre”, disse.

Sobre o mistério da Santa Missa

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Muitos católicos ainda não suficientemente conscientes de sua fé pensam que a Santa Missa é apenas um encontro entre irmãos para uma oração comunitária. Não, a Missa, sem deixar de ser um encontro entre irmãos, é muito mais do que uma reunião fraterna. Na verdade, a Santa Missa condensa e torna atual toda a obra da Redenção. Pela Missa, é Deus que, antes de tudo, vem ao nosso encontro; e só porque Ele vem até nós, nós podemos ir até Ele. Vamos ao Pai por Jesus Cristo na força do Santo Espírito. 

Na Oração sobre as oferendas da Missa da Ceia do Senhor – Missa in Coena Domini - , o sacerdote pronuncia estas palavras: “Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar dignamente da Eucaristia, pois todas as vezes que celebramos este sacrifício em memória de Vosso Filho, torna-se presente a obra de nossa Redenção. Por NSJC”. Uma meditação sobre a riqueza dessa oração seria capaz de dar-nos uma visão adequada do mistério da Santa Missa. 

A oração primeiramente pede que sejamos dignos de participar da Eucaristia. Com efeito, por ser um dom tão elevado, a Eucaristia nos faz tremer. Somos frágeis e pecadores. Deus é forte e santo. O profeta Isaías experimentou o contraste entre a santidade de Deus e a nossa miséria: “Ai de mim, estou perdido! Sou um homem de lábios impuros, vivo entre um povo de lábios impuros, e, no entanto, meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos” (Is 6,5). Entretanto, a ternura de Deus tira o medo do profeta, pois o Senhor toca-lhe os lábios impuros e os purifica: “Agora que isto tocou os teus lábios tua culpa está sendo tirada, teu pecado, perdoado” (Is 6, 7). Semelhantemente, tornamo-nos aptos a tão elevado dom em virtude da misericórdia de Deus. O mesmo Senhor que purificou os lábios de Isaías purifica, em Cristo, o nosso coração. 

Depois a oração explica em que consiste a grandeza da Eucaristia. É que todas as vezes que a celebramos, a obra da nossa Redenção torna-se presente. Como entender isso? Deus nos tirou das trevas e do pecado por meio de Jesus Cristo, que é a Luz do mundo e o Cordeiro de Deus que dissolve o pecado. Toda a vida de Jesus, na Palestina, foi um contínuo ato de obediência à vontade do Pai. A sua obediência, que encontrou máxima expressão na morte de cruz, é capaz de desfazer a nossa desobediência. A sua vida é capaz de enriquecer e transformar a nossa vida. A sua morte e ressurreição mudaram para sempre o sentido da nossa vida e da nossa morte. Em Cristo, tornamo-nos eternos. “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Ora, tudo isso é a obra da Redenção realizada por Jesus. Mas como entrar em contato com essa obra? Como apropriar-se da Redenção? O grande meio deixado por Jesus, ao lado da escuta da Palavra de Deus e do serviço da caridade, são os sacramentos da Igreja, entre os quais sobressai a Eucaristia. Nela o mistério de doação Cristo até a morte de cruz torna-se realmente presente sob o véu dos sinais sacramentais. O Corpo entregue e o Sangue derramado no Calvário estão ali no altar da Santa Missa sob a aparência de pão e de vinho. A “memória de Vosso Filho” mencionada na oração acima não é a simples recordação (nuda commemoratio), mas é memória em sentido ativo, isto é, uma memória que traz o acontecimento passado – a obra realizada por Jesus na Palestina – para o presente da nossa história. Ora, se o mistério de Cristo está presente, a nossa Redenção, cujo autor é o próprio Cristo, também se faz presente, e, assim, nós podemos beber na fonte da graça. A Santa Missa torna presente no hoje de nossa história a obra redentora do Senhor Jesus. 

Uma pergunta que poderia ficar: Por que a oração que estamos meditando chama a Eucaristia de sacrifício ao dizer “todas as vezes que celebramos esse sacrifício? Para entendê-lo é preciso reconhecer que a vida e a obra de Jesus foi um sacrifício. Sim, a obediência de Jesus e todas as suas atitudes, de modo especial a doação na cruz, foram um sacrifício – uma oferta, uma ação sagrada – agradável aos olhos do Pai. Ora, a Missa, ao tornar presente o mistério de Cristo que se doou até a cruz, é um verdadeiro sacrifício. A Missa não repete o sacrifício de Cristo, mas o torna presente. Na verdade, pela Missa, Cristo une a Igreja, que é seu Corpo Místico, ao seu único sacrifício. Nesse sentido, o Papa João Paulo II afirmou: “Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes” (Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 11). 

Caro leitor, poderíamos ainda dizer muitas coisas sobre as inesgotáveis riquezas da Missa. Fiquemmos, por enquanto, por aqui. Lembramos que, antes de tudo, a Missa é um mistério de fé, e é a fé consciente e madura que nos deve levar a amar a Missa e fazer dela o grande meio de união com Deus e com os irmãos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Homem de Deus

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Neste mês de abril, o Papa Bento XVI completa 84 anos de vida e seis de pontificado. Não posso deixar de ver nele um homem de Deus que se consagrou totalmente, desde tenra idade, a Cristo e à Igreja, a fim de anunciar ao mundo o Evangelho – a Boa Nova de Deus para nós através de Jesus.

Este ancião octogenário só tem vigor para cumprir a pesada agenda de um papa porque, certamente, acredita em algo maior, em algo que ultrapassa o homem. Aliás, ele tem tido forças para enfrentar as diversas crises provocadas do interior da Igreja porque se sente apoiado na esperança que não decepciona, conforme a profunda teologia de sua encíclica Spe Salvi. A fé em Deus é o seu esteio e a fonte dinamizadora de seu existir.

O mundo precisa de se enamorar da beleza. Apesar de todas as dificuldades, a vida continua sendo um grande milagre. E acreditar que a vida de cada um de nós é pensada por uma Inteligência infinita e querida por um Amor sem limites faz toda a diferença. Essa fé é o antídoto contra a o mal, contra a injustiça, contra as drogas, contra a violência... O mundo precisa dela!

Com efeito, Bento XVI, com seu jeito tímido, mas afável e corajoso, e com seus belíssimos textos, tem reafirmado que a fé no Deus anunciado por Jesus é uma fé que engrandece o homem e alcança-lhe o profundo sentido do viver. Quando ainda Cardeal, Bento XVI havia dito numa entrevista: “Se Deus não está presente, o mundo desertifica-se e tudo se torna aborrecido, tudo é completamente insuficiente. A grande alegria vem do fato de existir o grande Amor, e é essa a afirmação essencial da fé. Você é alguém indefectivelmente amado”.

A Bento XVI nossa homenagem por se tratar verdadeiramente de um homem que contribui com a vida do homem neste mundo!