sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fonte da felicidade

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Creio que, conforme reconhecia Aristóteles, o grande desejo do homem seja a felicidade. Onde encontrá-la? Essa pergunta foi considerada pelo filósofo, uma vez que muitos em sua época pretendiam achá-la nos prazeres, na riqueza ou na honra. O Estagirita fez ver que a autêntica felicidade não pode depender, em última análise, dessas três coisas, já que, se assim fosse, a realização humana estaria à mercê de algo sobre o que jamais poderíamos ter completo domínio. A honra? Ela depende mais de quem nos honra. A riqueza? De repente, ela pode se dissolver. Os prazeres? Mas eles não representam aquilo que é especificamente humano.

 Aristóteles bem viu que a posse da felicidade, decisiva para a nossa realização, deve depender de algo que não perdemos sem mais. "Ora, sentimos que o bem deva ser algo próprio ao seu possuidor e difícil de ser suprimido". Deve ser algo imune aos azares e acidentes, cuja estabilidade nos traga a alegria do repouso deleitante. É sabido que foi no conhecimento e no amor que o homem pode prestar ao Pensamento subsistente (o Divino) que, fundamentalmente, nosso filósofo identificou a fonte estável da realização humana. O meu amor ao Divino, com efeito, é algo sobre o que eu exerço domínio. Ninguém mo pode roubar. Nenhuma circunstância ou fatalidade mo pode impedir de fazer.

Como todo grego, entretanto, Aristóteles não vislumbrou que pudesse existir uma fonte muito mais segura na qual se funda a felicidade humana. Trata-se, não primeiramente do nosso amor a Deus, mas, antes, do amor de Deus por nós. "Ele nos amou primeiro" (1Jo 4,19). O amor que Deus nos dedica goza de uma estabilidade “absolutamente absoluta”. É amor divino. Deus nos ama sempre, e ele não se desdiz jamais. Apesar de toda a nossa fragilidade e miséria, ele continua a nos amar. É sempre possível voltar para a casa do Pai, pois sempre o encontraremos de braços abertos a nos acolher com ternura. E é como resposta a esse amor eterno que o nosso amor deve surgir, fazendo brotar em nossa alma a fonte inesgotável da felicidade. Para aquele que tem consciência de ser amado por Deus, aconteça o que acontecer, se ele procura a face do Deus cheio de amor, saberá que sua vida está absolutamente segura e será, assim, uma pessoa feliz!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Que é a verdade?


Dom Estêvão Bettencourt, OSB

Aliás, 'que é a verdade?', já perguntava Pilatos (Jo 18,38). Existe a verdade? A sociedade contemporânea tende a relativizá-la, principalmente quando se trata de explicar o mistério do homem. As ciências naturais, em seu progresso constante, são cautelosas ao propor suas teses: o que hoje parece ser a verdade em Física, em Astronomia, em Biologia... amanhã poderá ser tido como erro. A Filosofia moderna é crítica e, por vezes, cética no tocante à possibilidade de atingir a verdade. Todavia é precisamente neste mundo que o cristão há de ter a coragem de afirmar que ele conhece a Verdade, não por ser mais inteligente do que os seus semelhantes, mas porque Deus lhe revelou o verdadeiro sentido do homem e da vida.

Que falta então ao mundo de hoje? – Pode-se dizer que lhe falta o testemunho mais lúcido da verdade revelada por Deus e confiada aos discípulos de Cristo. 'Vós sois o sal da terra', diz o Senhor. 'Mas, se o sal perder o seu sabor, com que o salgaremos?' (Mt 5,13). Os tempos confusos, cheios de linhas cruzadas e contradições fantasiosas em que vivemos, parecem estar interpelando o sal da terra e pedindo-lhe que não deixe dissolver-se o seu sabor. É a graça de Deus que salva o mundo... graça desse Deus que quer agir entre os homens mediante os homens numa continuada encarnação. Daí a pergunta: que fazes, cristão, do teu Batismo? Que fazes da tua Eucaristia? Que fazes da Palavra da Verdade que te foi entregue graciosamente para que amasses e irradiasses? Ama a Verdade e realiza o teu martyrion (testemunho) até as últimas consequências, ainda que isto te custe a própria vida. Dar a vida pela verdade é precioso e indispensável serviço aos irmãos, é fonte de profunda alegria.

Texto publicado na Revista Pergunte e Responderemos nº 449, Outubro/1999

sábado, 16 de julho de 2011

E o retrato de Jesus?

Dom Estêvão Bettencourt, OSB

Em síntese: Não é possível reconstituir o retrato físico de Jesus, visto que faltam dados precisos a respeito nos Evangelhos. Os antigos cristãos estavam muito mais interessados na figura de Jesus glorioso e ressuscitado do que em sua fisionomia mortal. A Tradição afirmou ora que Jesus foi muito feio, ora que foi o mais belo dos filhos dos homens, tentando valer-se de textos bíblicos. Nada disto, porém, tem fundamento. — Pode-se assegurar que, em virtude do mistério da Encarnação, Jesus devia adotar os costumes honestos dos homens do seu tempo: usava barba, cabeleira longa cortada atrás, túnica, cinto, manto, sudário para cobrir a cabeça e o pescoço frente ao sol da Palestina. Devia gozar de saúde física e psíquica vigorosa e resistente, pois viveu muito pobre e se entregou a duras tarefas sem ter, muitas vezes, onde comer e dormir; chegaram os seus parentes a tê-lo como louco, não porque fosse deficiente, mas porque se entregava, sem se poupar, às lides apostólicas. Somente um homem forte, de estatura robusta e grande equilíbrio psíquico, poderia agüentar o que o Evangelho atribui a Jesus.

É muito freqüente procurar-se reconstituir hoje os costumes vigentes no tempo de Jesus; as descobertas literárias e arqueológicas provocam essa válida curiosidade. Especialmente a fisionomia humana de Jesus é objeto de indagações. Qual terá sido o tipo de Jesus homem: alto, forte, cabelos compridos e barba longa?. . . É o que insinua a imagem do Sudário de Turim, cuja atualidade e importância permanecem aceitáveis até hoje.

Há, porém, quem se apóie em outros dados para reconstituir o semblante de Jesus. Dizem, por exemplo, que não devia usar cabelos compridos porque era costume dos gregos e dos romanos o corte curto dos cabelos para os homens; o Talmud dos judeus, por sua vez, prescreve que os sacerdotes vão ao cabeleireiro uma vez por mês para o corte dos cabelos; daí se deduziria que também os rabinos ou mestres judeus estavam sujeitos a esta lei.
Em vista destes dados nem sempre coerentes entre si, pergunta-se: que há de certo sobre a identidade física de Jesus?

1. Os elementos do Evangelho e da Tradição

A partir dos Evangelhos, pode-se compor a seguinte ficha de identidade de Jesus:

1. Nome: Jesus, em hebraico Jeshu'a, abreviação de Jehoshu'a,

2. Pai oficial: José, em hebraico Josef. Por isto, o cognome de Jesus seria, segundo o estilo semita: ben Josef, filho de José; ver Lc 4,22;

3. Mãe: Maria, em hebraico Myriam;

4. Lugar de nascimento: Belém da Judéia;

5. Data do nascimento: "Nos tempos do rei Herodes" (Mt 2,1); por ocasião do "primeiro recenseamento de Quirino, Governador da Síria" (Lc2,1s);

6. Residência: Nazaré da Galiléia (e, depois, Cafarnaum);

7. Estado civil: celibatário;

8. Profissão: carpinteiro (e, depois, rabino);

9. Sinais particulares: nenhum.

Sobre este último ponto os Evangelhos não nos dão informação alguma.
Há quem imagine que Jesus era de baixa estatura por causa do texto de Lc 19,2s:

"Um homem chamado Zaqueu, rico e chefe dos publicanos, procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura".

Geralmente se entende que "de baixa estatura" era Zaqueu, e não Jesus.

Nos primeiros decênios os Apóstolos e discípulos não se preocuparam com o retrato físico de Jesus, pois a figura gloriosa do Ressuscitado lhes interessava mais. Por isto nem nos Evangelhos nem nas cartas de São Paulo há a descrição do físico de Jesus.

Foi somente nos séculos II/III que os escritores cristãos se voltaram para esse aspecto do Senhor. São Justino (+165), Clemente de Alexandria (+215) e Orígenes (+253) — respondendo aos comentários mordazes do filósofo pagão Celso — fazem de Jesus um homem feio ou até deformado, baseando-se na profecia de Isaías, que apresenta o Servo de Javé padecente como alguém que "não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar" (Is 53,2). Tal opinião podia encontrar apoio também na concepção platônica, que via no corpo o cárcere da alma ou algo de indigno do homem; se um corpo bem constituído era obra do demônio tentador, Jesus devia ter uma fisionomia corporal pouco atraente.

No século IV, porém, a literatura cristã reagiu contra essa imagem. Influenciada pelo esteticismo greco-romano, apresentou Jesus como homem fascinante; corroborava esta afirmação apelando para o SI 44,3, que celebra o Rei messiânico por ocasião de suas núpcias: "Tu és o mais belo dos filhos dos homens". — Todavia também esta fundamentação é fraca; não se pode, portanto, asseverar que Jesus tenha sido extremamente belo ou extremamente feio em seu porte físico.

Na Idade Média propagou-se com grande êxito uma carta atribuída a um procônsul romano chamado Lêntulo (sabe-se que na verdade existiu um Gneo Cornélio Lêntulo, que foi cônsul em 18a.C.e em 11 d.C., mas nunca esteve na Palestina). Eis os dizeres desse texto:

"Jesus é homem de estatura elevada e bem proporcionada, de olhar tendente à severidade. Todos os que o consideram, podem amá-lo e temê-lo. Os seus cabelos têm a cor das nozes de Sorrento muito maduras e descem lisos quase até as orelhas; das orelhas para baixo são crespos e formam cachos um pouco mais c/aros e brilhantes; caem ondulados sobre os ombros. A cabeleira está dividida ao meio, segundo o costume dos nazarenos. A sua fronte é lisa e muito serena; o semblante não traz nem rugas nem manchas e é embelezado por um colorido róseo. O nariz e a boca são regulares e perfeitos. Tem barba densa, da mesma cor que os cabelos; não é longa e parte-se na altura do queixo. O seu aspecto é simples e maduro. Os seus olhos são azuis, vivazes e brilhantes. . . A estatura do corpo é alta e reta, as mãos e os braços são graciosos ao olhar. Fala pouco, séria e comedidamente..."

Ora este "retrato" de Jesus não parece anterior aos séculos XIII/XIV.— Já em 1450 o famoso humanista Lourenço Valla o tinha na conta de falso. Não se pode dar crédito a essa imagem tardia e certamente espúria.

Procuremos, pois, desenvolver os traços certeiros da fisionomia de Jesus fornecidos pelos Evangelhos.

2. Tentando uma aproximação

Os textos do Evangelho dão a impressão de que o aspecto físico de Jesus devia ser agradável e atraente. É o que se depreende do impacto que Ele causava às multidões e também aos enfermos, aos pecadores e às pecadores (cf. Mc 1,27.37.45; Lc 7,16s...). Esse impacto era devido não somente ao vigor espiritual e religioso de Jesus, mas também à graça de seu semblante e do seu porte. Principalmente o olhar de Jesus devia sacudir, censurar, inflamar, como se deduz da locução familiar a São Marcos: "Ele, olhando em torno de si, disse..." (cf. Mc 3,5.34; 5,32; 10,23; 11,11).

Além disto, pode-se dizer que Jesus gozou de boa saúde física; era apto ao trabalho árduo e mostrava-se resistente à fadiga. Iniciava o dia bem cedo, como atestam os evangelistas:

"E pela manhã, muito cedo, levantou-se e foi a um lugar deserto para orar" (Mc 1,35).

"Ao romper da aurora, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles" (Lc6,13).

Jesus se dava bem ao contato com a natureza. Gostava do lago e das colinas da Galiléia. Aliás, toda a sua vida pública foi um ir-e-vir contínuo pelas serras e planícies da sua terra. Caminhava com o mínimo de apetrechos ou subsídios, como Ele recomendava aos discípulos: "Nada leveis convosco para o caminho, nem bastão, nem bolsa, nem pão nem dinheiro" (Lc 9,3). Muitas vezes terá experimentado a fome e a sede. Ele, aliás, podia dizer: "As raposas têm tocas, e as aves do céu ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça" (Mt 8,20). Quando penetrava numa casa, era hóspede ou peregrino, porque não tinha nem casa nem onde repousar a cabeça. Pode-se crer que tenha passado muitas noites ao relento.

Diz ainda São Marcos que a atividade apostólica de Jesus era tão intensa que por vezes não tinha tempo nem para comer e, por isto (porque muito dedicado ao trabalho), passava por louco; cf. Mc 3,20; 6,31. Até horas tardias da noite os doentes o procuravam; cf. Mc 3,7.

Nunca se lê que Jesus tenha perdido a calma, nem mesmo nas ocasiões mais excitantes. Certa vez, durante forte tempestade no lago de Genesaré foi encontrado pelos discípulos a dormir tranqüilamente sobre um travesseiro. Despertado pelos Apóstolos, não se perturbou, mas com toda a presença de espírito dominou a tormenta (cf. Mc 4,38s).

O conjunto destes fatos mostra claramente que Jesus gozava de pleno equilíbrio psíquico e físico ou de saúde perfeita e vigorosa.

O mistério da Encarnação leva-nos a crer que Jesus seguia os costumes honestos de seus contemporâneos: barba longa, usual entre os judeus; cabelo pendente e cortado atrás, à diferença dos nazarenos, que nunca o cortavam (cf. Nm 6,5). São Paulo, aliás, nos diz que para o varão é desonra "deixar crescer a cabeleira" (cf. 1Cor 11,14). Vestia uma túnica de lã, um cinto que trazia eventualmente a bolsa do dinheiro (cf. Mt 10,9), um manto (cf. Lc 6,29) e sandálias (cf. At 12,8). O relato da Paixão diz que a túnica de Jesus era "inconsútil, tecida de uma só peça" (cf. Jo 19,23). Um sudário branco, que cobria a cabeça e o pescoço, devia protegê-lo contra as intempéries do sol nas suas longas caminhadas; Pedro havia de encontrar dobrado no sepulcro esse sudário; cf. Jo 20,7. Jesus, porém, desprezava toda preocupação excessiva com o seu modo de vestir-se (cf. Mt 6,28).

Eis o que se pode dizer de mais seguro sobre o aspecto físico ou o retrato humano de Jesus. O cristão sabe que mais importante do que essa fisionomia exterior é a face interior e íntima do Senhor Jesus, que a fé — e somente a fé — é capaz de conhecer e experimentar.

Ver a respeito Karl Adam Jesus Cristo. Ed. Quadrante, Rua Iperoig 604, 05016 São Paulo (SP).

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 347 – abril 1991

"Escolha sua Igreja..."

Dom Estêvão Bettencourt, OSB


Em síntese: O sociólogo Gilson Gondim comenta a multiplicação de "Igrejas"protestantes, mostrando a manipulação do conceito de Igreja por parte de empreendedores que chegam a vender igrejas com seus membros. As novas comunidades eclesiais têm nomes fantasiosos, que ilustram o vilipêndio da noção de Igreja.

O JORNAL DA PARAÍBA, edição de 11/10/03, publicou significativo artigo do sociólogo Gilson Gondim, que vai, a seguir, transcrito e comentado:

"Escolha sua Igreja. Ou funde uma."

O Brasil tem, segundo o Censo, cerca de 26 milhões de evangélicos. A revista 'Eclésia', em sua edição no91, informa que o número médio de membros por denominação é de aproximadamente 1.500. Isto significa que há no Brasil cerca de 17.000 (isso mesmo: dezessete mil) denominações evangélicas. O número de templos é calculado pela revista em 150.000, o que dá uma média em torno de nove templos por igreja. Como algumas igrejas têm centenas ou milhares de templos, a grande maioria tem apenas um ou dois.

É extremamente fácil fundar uma igreja por aqui. Basta formar uma diretoria composta de oito pessoas, fazer uma reunião para aprovar a ata de fundação, elaborar o estatuto e registrá-lo em cartório. O processo todo custa 250 reais, mais o que se pagar ao contador que cuidar da papelada. Uma parte muito importante do empreendimento é a escolha do nome. Alguns empreendedores evangélicos escolhem nomes grandiloqüentes e pretensiosos. Outros incluem palavras consagradas por denominações já estabelecidas. Os mais atentos fazem as duas coisas. É o caso da Igreja Universal da Assembléia dos Santos, que pega uma carona nos nomes da pentecostal Assembléia de Deus e da neopentecostal Igreja Universal do Reino de Deus. A pretensão fica por conta do adjetivo "Universal" e do substantivo "Santos". E assim vão se fundando cinco igrejas por semana, somente no Estado do Rio de Janeiro.

Algumas igrejas fazem uma salada teológica. É o caso da Igreja Evangélica Muçulmana Javé É Pai e da Igreja Evangélica Espírita Nacional. Se o fundador desiste do negócio, pode vender a igreja. O jornal carioca Balcão, que publica anúncios vendendo de varas de pesca a livros raros, publicou um anúncio que oferecia uma igreja com prédio próprio, móveis e sistema de som completo, além de cerca de 200 membros. Estava vendendo até os membros da congregação! Muitas das 17 mil igrejas têm nomes esquisitos. O professor Paulo Donizéti Siepierski, membro da Associação Brasileira da História das Religiões, explica que a criatividade dos nomes é fundamental para o sucesso do empreendimento: 'A concorrência no mercado religioso tornou-se bastante acirrada nos últimos anos. A necessidade de se diferenciar passou a ser imperativa'.

Se você não quer fundar uma igreja nova e prefere aderir a uma já existente, eis algumas delas:

Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo;

Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D'Agua;

Igreja Evangélica Abominação á Vida Torta;

Igreja Bola de Neve;

Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, A Sumidade;

Igreja Pentecostal do Pastor Sassá;

Igreja Evangélica Adão é o Homem;

Igreja da Pomba Branca;

Igreja do Amor Maior que Outra Força;

Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado;

Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica;

Igreja Evangélica Pentecostal A Última Embarcação Para Cristo;

Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo;

Igreja Cristo é Show...".



QUE DIZER?

Abstração feita dos possíveis exageros nos cálculos do artigo, este não deixa de refletir uma dolorosa realidade: a comercialização dos valores sagrados. Pode-se crer que muitos daqueles que fundam uma nova igreja, estejam de boa fé, não percebendo o mal que cometem. Tal é o subjetivismo (aliás patrocinado por Lutero com a sua tese do "livre exame da Bíblia") impregnado nesses irmãos que concebem a Igreja como um clube ou um partido político, que cada interessado pode fundar e vender de acordo com as suas conveniências. As denominações recenseadas por Gilson Gondim têm seu estilo popular, semelhante ao de uma brincadeira.

Na verdade, só existe uma Igreja fundada por Cristo: aquela que Ele construiu sobre a Rocha e confiou ao pastoreio de Pedro e seus sucessores. Essa Igreja é sacramento ou uma realidade divino-humana; ela de certo modo continua o mistério da Encarnação; o Filho de Deus aí se recobre de fragilidade humana... fragilidade porém que não impede a sua ação santificadora em favor de quantos O procuram através dos véus humanos. Vê-se, pois que ninguém pode fundar uma igreja nova; Igreja não é clube esportivo nem partido político.

Fonte: PERGUNTE E RESPONDEREMOS 500 – fevereiro 2004

domingo, 10 de julho de 2011

São Bento

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Hoje é dia de São Bento de Núrsia, protagonista do monaquismo ocidental. A grande mensagem que esse santo do século VI nos deixa é a de que o homem precisa colocar a Deus como prioridade de suas escolhas: Nihil Christo praeponere.

Diante de um mundo secularizado como é o nosso, o homem precisa redescobrir a beleza da fé em Deus. O homem sem Deus desumaniza-se. Torna-se escravo do finito: de si mesmo, dos outros e das coisas. Com Deus, ao contrário, ele atinge os mais altos patamares de humanidade, de liberdade interior e de vitalidade.

São Bento descobriu, desde tenra idade, que o homem vivo é o homem que acolhe a Deus em sua alma e se deixa transformar pela Palavra da Verdade. Enviado à Roma pagã para estudar, vê a dissolução dos costumes reinante entre os estudantes, e prefere retirar-se para estar a sós com Deus. Foi, então, quando se voltou para Deus, não querendo outra coisa senão o que Deus mesmo queria, que pôde transformar o mundo. Seu legado, uma decorrência de sua profunda espiritualidade, ajudou a fundar a Europa e ainda hoje nos ilumina. Viva São Bento!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Questões de fé

Padre Elílio de Faria Matos Jr.

1. Em que nos manda crer a fé católica?
R.: A fé católica nos manda crer em Deus Pai, em seu Filho Jesus Cristo, que veio ao mundo para nos salvar, e no Espírito Santo, que assiste a Igreja e santifica o cristão. Deus é Uno e Trino, ou seja, é um só em três pessoas realmente distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Fomos criados por ele e para ele. Deus Filho assumiu a natureza humana, veio nos ensinar o caminho para Deus, conquistar a nossa Redenção e nos dar a graça, pelo Espírito, para vencer o pecado e amar a Deus e ao próximo, vivendo no seio da família que ele congregou, a Igreja, na esperança da vida eterna e da feliz ressurreição dos mortos.


2. Deus foi quem criou todas as coisas?
R.: Sim. É por Deus que tudo existe. Deus é o Ser que existe desde sempre e para sempre. Tudo o mais foi criado por ele do nada. Mas do nada, dada pode vir – replicará alguém. É verdade. Do nada, nada pode sair. O Universo, porém, não veio do nada, mas veio após um nada; veio do poder infinito de Deus, que não precisa de nenhuma matéria prima ou instrumento para fazer existir tudo o que existe. Foi por amor, para comunicar o seu Ser e difundir a sua Bondade, que Deus tudo criou. Criar é dar a existência àquilo que não existia.


3. Como Jesus Cristo conquistou nossa Redenção?
R.: Redimir quer dizer resgatar. Jesus nos resgatou do mal do pecado e da morte. Como homem, ungido pelo Espírito Santo, foi em tudo fiel à vontade do Pai, e isso até a morte de cruz, que foi o supremo testemunho de sua fidelidade. O amor e a obediência de Cristo são capazes de dissolver todos os pecados dos homens. Por isso, devemos crer n´Ele, receber o batismo e viver junto dele, na Igreja, fazendo frutificar a graça que d´Ele recebemos, para sermos, de fato, homens novos e podermos ver a Deus face-a-face um dia. A ressurreição de Cristo é o penhor da nossa ressurreição futura. “Ó morte, onde está a tua vitória?”.


4. O Espírito Santo nos santifica? Como?
R.: Sim. O Espírito Santo nos santifica. Santificar é separar para Deus, para viver a vida de Deus. Jesus nos prometeu o Espírito como um outro Parákletos, isto é, um outro Advogado ou Consolador. O próprio Jesus é o primeiro Parákletos. A missão do Espírito é a de fazer a vida divina, vivida por Cristo como homem, chegar até nossos corações e, assim, animar e fortalecer a Igreja. O Espírito Santo, docilmente, na medida de nossa abertura, faz a nossa vontade tornar-se uma só coisa com a vontade divina. Ele nos torna amigos de Deus, já que a amizade acontece quando um e outro querem as mesmas coisas e rejeitam as mesmas coisas - “Idem velle, idem nolle” (Salústio). O Espírito faz com que o cristão, decididamente, abrace o que é da vontade de Deus e rejeite tudo o que lhe é contrário. Ele nos renova em Cristo e nos dá a graça da deificação, que nos faz viver a vida de Deus, capacitando-nos para receber o prêmio da vida eterna.


5. Viver na Igreja e como Igreja é necessário ao cristão católico?
R.: Sim. Ser Igreja é indispensável ao católico. Faz parte da fé viver na Igreja e como Igreja. A palavra “Igreja” quer dizer “convocação” ou “assembleia reunida”. Só Deus, não os homens, pode convocar o seu Povo e estabelecer a sua Igreja. Jesus Cristo foi quem fundou a Igreja ao convocar os apóstolos, ao escolher Pedro para estar à sua frente, ao ordenar que batizassem e celebrassem a Eucaristia, ao enviar em missão e ao derramar o Espírito Santo. Cristo inaugurou novos tempos e, assim, fundou o Novo Povo de Deus. A Igreja é a casa e a família de Deus no mundo. Se o católico não participa da vida da Igreja, a sua fé ainda não está completa.

6. Qual a importância da Missa dominical?
R.: A Missa dominical é o centro de toda a atividade da Igreja. Tudo o que a Igreja faz ordena-se, em última instância, a que todos participem ativa e piedosamente da Missa; toda a ação da Igreja em favor do Reino de Deus tira sua vitalidade da celebração da Eucaristia. Na Missa, acontece a atualização da obra redentora de Jesus Cristo. É na Missa que, além de ouvirmos atentamente a Palavra de Deus, o Corpo de Cristo entregue por nós e o Sangue que ele derramou na cruz tornam-se realmente presentes. O único sacrifício de Cristo torna-se atual, fazendo-se presente no hoje de nossa história. Pela Eucaristia, entramos em comunhão com a vida de Cristo e recebemos a caridade que o levou a doar a sua vida. O mistério da sua ressurreição e ascensão do Senhor também se faz presente, uma vez que Cristo não poderia atualizar sua entrega ao Pai se não estivesse vivo nos céus. Foi Jesus mesmo que ordenou aos apóstolos a celebração da Missa, quando disse, na última ceia, depois de ter convertido o pão e o vinho em seu corpo e sangue: “Fazei isto em memória de mim”. Os primeiros cristãos, cumprindo o mandato do Senhor, reuniam-se no Domingo, dia da Ressurreição, para celebrar a Eucaristia. Até hoje a Igreja exige dos seus fiéis a participação na Missa dominical, consciente de que a Eucaristia é o grande dom deixado à Igreja por Cristo. Se é a Igreja que faz a Eucaristia, por outro lado é a Eucaristia que faz a Igreja.

7. Posso comungar sempre na Missa o Corpo de Cristo no sacramento?
Em princípio, todo fiel deveria receber o sacramento da Eucaristia na Missa de que participa. Pode-se comungar até duas vezes ao mesmo dia, se a segunda vez for dentro da Missa. A única coisa que impede a comunhão sacramental é o pecado grave ou a situação irregular. Quem está em pecado grave, deve procurar o quanto antes o sacramento da Penitência, confessar-se com arrependimento e voltar a comungar sacramentalmente. Quem vive numa situação gravemente irregular, como são os que vivem amasiados ou os casais em segunda união, embora não possam comungar sacramentalmente, podem e devem participar da vida da Igreja, especialmente da Missa, educar os filhos na fé, praticar boas obras... Os amasiados, se não há nenhum impedimento, se convivem bem, procurem o sacramento do matrimônio. Por que não? Os casais em segunda união procurem pedir a Deus que lhes aponte o caminho certo e, ao mesmo tempo, estejam abertos para receber as luzes que Deus lhes enviar e agir em conformidade. A Igreja os acolhe como mãe e deseja que sejam guiados por Deus.