A pedido de um amigo, faço algumas considerações histórico-teológicas sobre o Purgatório: 1) Nos inícios do povo de Israel, não havia fé na ressurreição ou na imortalidade da alma. Acreditava-se, como era comum entre muitos povos antigos, que “sombras” do homem restassem no sheol depois da sua morte, isto é, numa região inferior, conforme a cosmologia da época. Aí não se tinha vida consciente, mas uma existência espectral. As “sombras” de quem morria iam juntar-se às dos pais. Daí vem a noção de “mansão dos mortos”. 2) Aos poucos surgiu a fé na ressurreição dos mortos no meio do povo bíblico. Metáforas de Deus agindo em favor da restauração e da revitalização do povo foram relidas na perspectiva de uma ressurreição individual. Afinal, seria ininteligível que os bons e piedosos homens do século II a.C., que morriam nas batalhas resistindo à helenização de Israel sob Antíoco IV Epífanes, desaparecessem no nada das sombras. Espera-se, então, a ressureição dos justos. Depois, a fé na...
Teologia, Filosofia e Diálogo entre Fé e Razão