Pular para o conteúdo principal

Postagens

Em que dia nasceu Jesus?

Não há documentação suficiente e argumentos incontestáveis para atestar a data exata do nascimento de Jesus. O primeiro que afirmou com clareza que Jesus nasceu a 25 de Dezembro foi Hipólito de Roma, no seu comentário ao Livro do profeta Daniel, escrito por volta de 204. Entretanto, não havia consenso entre os cristãos.  Clemente de Alexandria (+215) dizia: “Há aqueles que determinaram não somente o ano do nascimento de nosso Senhor, mas também o dia; eles dizem que aconteceu no 28º ano do reinado de Augustus e no dia 25 de Pachon (20 de maio) […]. Posteriormente, outros disseram que Ele nasceu no dia 24 ou 25 de Pharmuthi (20 ou 21 de abril)”. Vê-se que a data era discutida antes da oficialização da celebração do Natal em Roma a 25 de dezembro de cada ano. O Cronógrafo de Filocalo, de 354, filologicamenre datável de 336, fala de 25 de dezembro como dia do nascimento de Jesus. Segundo João de Niceia teria sido o Papa Júlio I (337-352) a introduzir a festa do Natal em Roma a 25 de...

Modernidade, autonomia e Deus

O mistério está no fato de que as coisas existam! Penso que um dos ganhos da modernidade, de perene atualidade, é a consciência da j usta autonomia das realidades terrenas . A ideia da autonomia é um legado da modernidade, que se afirmou de modo particular no campo das ciências, mas também no campo da antropologia filosófica. Sabemos hoje, de modo mais consciente do que no passado, que o mundo e o homem têm sua consistência própria. Uma visão mítica, sobrenaturalista, em que o mundo perde sua consistência por causa das contínuas intervenções de seres sobrenaturais, já não goza de respaldo. Mas isso não significa que Deus tenha perdido o seu lugar. Ao contrário, creio que uma concepção mais adequada de Deus nos leve justamente a afirmar a justa autonomia da sua criação.   Deus é o Mistério por excelência , ou, como se expressa Karl Rahner, o Mistério Santo . Sua realidade nos ultrapassa, e tudo o que podemos dizer dele, o fazemos pelo recurso à analogia, com a consciência de que, s...

A transcendência do Ser e o mistério do homem

A grande tentação do pensamento humano foi e é a de captar e apresentar o Ser num sistema perfeitamente delineado pelo conceito. Mas é preciso reconhecer os limites dos conceitos humanos e a transcendência do Ser. O Ser é o mistério originário. É o Tudo e o Fundamento. É, como viu Parmênides, o que existe desde sempre e para sempre. Para as religiões, é Deus ou o divino. O cristianismo ensina que só Deus (infinito) existe por si, ao passo que os entes finitos existem por Deus. Agostinho, um dos maiores luminares da filosofia cristã, diz que só Deus merece o nome de Ser porque ele é o único que não muda. Tomás de Aquino, o maior pensador cristão da Idade Média, ensina que o nome Ser é apropriado a Deus porque só ele reúne todas as perfeições puras em grau infinito; ele é Ato puro, pura perfeição não restrita por nenhum limite, ao passo que os entes (criados) são limitados por sua essência; assim, só Deus é em sentido pleno, porque é pura atualidade. Deus é o Ser, e os entes têm ser....

O ser humano como corpo, psiquismo e espírito

O ser humano é expressividade . É vida que age, e, agindo, se constrói e se conhece na relação com o mundo, com os outros e com o divino, já que vive num horizonte aberto ao infinito .  De forma mais imediata, o ser humano se conhece como corpo. O corpo é o lugar de sua expressão no mundo. O corpo aqui não é o simples objeto da ciência biológica nem da anatomia. É o corpo vivido como corpo próprio . Pelo corpo, tenho uma história — a história da espécie humana e a história familiar. É através do corpo que posso dizer onde e quando nasci e apontar o lugar e o tempo em que vivo. A vida corporal me faz um ser no mundo, existindo nas coordenadas do espaço e do tempo.  Mas a expressão do ser humano não se identifica totalmente com o corpo. Ele se percebe como corpo, mas não somente como corpo. O ser humano se percebe também como psiquismo . Ele sente, prova emoções, tem memória e vive de acordo com seus projetos. Ele imagina e deseja. Tem ideias e conhece coisas e pessoas. Embora ...

Nota sobre a “Suma de teologia”

A Suma de Teologia,  de Santo Tomás, é uma obra, evidentemente, de teologia. Segue o método teológico tal como era considerado no tempo de S. Tomás. Isso significa dizer que o discurso parte de Deus considerado em si mesmo, tal como se deu a conhecer pela revelação histórica dos patriarcas, de Moisés, dos profetas, de Jesus e dos apóstolos, cujo depósito foi confiado à Igreja, para que o guardasse e anunciasse.  Assim, Tomás começa a obra falando de Deus. Se fosse uma obra de filosofia, a teria começado pela consideração do mundo e do homem.  Quando trata de Deus, Tomás, no entanto, para fazer ver que o que propõe a fé católica não está em contradição com a razão, vale-se de argumentações filosóficas e de analogias delineadas pela razão.  Assim, ao tratar da unicidade e unidade de Deus (Deus que é único e uno), primeiro Tomás procura fazer ver que a razão humana oferece caminhos para afirmar a existência de um Princípio transcendente  (que explica metafisicament...

A justiça social

 Por muito tempo, durante toda a modernidade, a teologia moral social privilegiou a consideração da justiça comutativa, que é a justiça que trata da igualdade ou proporcionalidade entre bens que se trocam, se vendem e se compram, ou entre contratos que se fazem, de pessoas para pessoas, físicas ou jurídicas. O objetivo da justiça comutativa é que as pessoas não sejam lesadas em seus direitos particulares. As relações de pessoas para pessoas são relações particulares.  No entanto, no século XIX, veio à tona um outro tipo de justiça, mais fundamental e determinante. Trata-se da justiça social . Esta não está confinada a relações meramente particulares, mas tem em vista a sociedade como um todo. Percebeu-se que há uma estrutura social, amparada por leis ou costumes, que condiciona universalmente a vida das pessoas antes de determinar as relações particulares entre elas. Essa estrutura pode ser justa ou injusta. Será injusta se não garantir a alguns membros da sociedade (minorias ...

O homem e a religião

Se não encontramos em nós mesmos as condições de possibilidade de receber uma luz de ordem metafísica; mais: se não reconhecemos em nós uma abertura dinâmica, um movimento para uma luz que em si mesma ultrapassa todas as exigências e expectativas puramente humano-mundanas; ou seja, se não reconhecermos que estamos já, de alguma maneira, para além do mundano e do meramente humano, todo o discurso da religião, com suas narrativas e dogmas, de modo especial nestes tempos de grandes mudanças, soará como obsoleto. Ou então estará simplesmente entregue ao sentimentalismo que não convence os espíritos mais exigentes ou ao fanatismo ou ao fundamentalismo que o desfiguram.  A revelação cristã não é simplesmente um pacote que cai abruptamente do céu sem nenhuma relação com o que o homem é em sua constituição íntima. Embora o conteúdo ou a finalidade da revelação ultrapasse toda medida humana, pois, em última análise, o seu objeto é a transformação em Deus, é graça pura, ela não encontra na c...

Quem é Padre da Igreja?