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Mostrando postagens de janeiro, 2010

Memória de Santo Tomás de Aquino

. Homilia proferida por mim na festa de Santo Tomás de Aquino em Missa celebrada no Instituto Cultural Santo Tomás de Aquino, de Juiz de Fora, MG, do qual sou membro. Pe. Elílio de Faria Matos Júnior Prezados irmãos e irmãs na santa fé católica, Ao celebrarmos a memória de Santo Tomás de Aquino, patrono de nosso instituto, desejo reportar-me às palavras que o santo doutor, tomando-as emprestadas de Santo Hilário, escreveu logo no início de uma de suas mais importantes obras, a Summa contra gentes , e que bem representam a profunda espiritualidade do Aquinate e a vida mística que envolvia sua alma. Sim, Santo Tomás, além de filósofo e teólogo, homem das especulações profundas e áridas, era também um santo e um místico, homem da união com Deus. São estas as palavras: “Ego hoc vel praecipuum vitae meae officium debere me Deo conscius sum, ut eum omnis sermo meus et sensus loquatur” , isto é, “Estou consciente de que o principal ofício de minha vida está relacionado a Deus, a quem me

Ainda o "Programa Nacional de Direitos Humanos"

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Papado, princípio e fundamento da unidade da Igreja

Padre Elílio de Faria Matos Júnior O Papado é a grande referência visível da Igreja de Cristo. Sua origem é divina e decorre da vontade de Jesus, tal como se expressou no testemunho da Escritura (cf. Mt 16,16-19; Lc 22, 31s.; Jo 21,15-17) e da Tradição, desde os primórdios da existência cristã. Ao longo da história da Igreja, o primado efetivo do Bispo de Roma, Sucessor do Apóstolo Pedro, foi conhecendo ocasiões para se manifestar com o o  "perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade quer dos Bispos quer da multidão dos fiéis" ( Concílio Vaticano II , Lumen gentium , 23). Como princípio e fundamento da unidade da Igreja, o Papado é, em última análise, o antídoto, deixado por Jesus, contra a divisão dos fiéis, divisão que, por causa do pecado, sempre está a ameaçar a Igreja, sem, contudo, jamais conseguir destruir a unidade com que Cristo dotou a sua Esposa. O protestantismo, por carecer de um ponto de referência visível, tem como destino dividir-se e subdiv

Papa à Congregação para a Doutrina da Fé

. Papa espera a união com a FSSPX e agradece a congregação pelo trabalho com os anglicanos  (Tradução do inglês: Padre Elílio) Cidade do Vaticano, 15 jan. 2010 / 11h41 ( CNA ). Em um discurso aos membros da Assembleia Plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, nesta tarde de sexta-feira, o Papa Bento XVI falou da unidade que deseja ver na Igreja católica. Ele expressou a esperança de uma “plena comunhão” com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) e da adesão de anglicanos “à verdade recebida de Cristo”. “A unidade é primeira e principalmente a unidade da fé, transmitida pela sagrada tradição, cujo primeiro guardião e defensor é o sucessor de Pedro”, disse o Papa ao presidente do dicastério, O cardeal Willian Levada, e aos demais membros presentes. “O Bispo de Roma, com a participação da Congregação, deve sempre proclamar ' Dominus Iesus ' – Jesus é o Senhor”, disse o Papa Bento, que explicou que isso deve ser feito para que a Verdade que é Cristo continue a br

Confiar e trabalhar. Sobre a tragédia no Haiti

. Padre Elílio de Faria Matos Júnior Diante do terremoto que sacudiu o Haiti, provocando milhares de mortes e prejuízos incalculáveis, a nossa reação de cristãos deve ser pautada pela solidariedade efetiva para com os sofredores e pela confiança em Deus. "Não é hora para desânimo", disse o Cardeal Arns referindo-se à morte de sua irmã, a benemérita Dra. Zilda Arns, provocada pelo desastre. O mundo da natureza é regido por leis próprias. Deus, na verdade, deu autonomia à natureza e a seu funcionamento. A causa do terrível terremoto pode, assim, ser explicada pelo recurso às leis naturais. Aliás, por se falar em natureza, é necessário aprender a cuidar melhor do meio ambiente, o nosso lar comum neste mundo. Ainda que, no caso do Haiti, não haja ligação entre a interferência humana no mundo natural e o terremoto, em muitos casos a natureza pode se mostrar "irritada" em virtude abusos do homem. Entretanto, mesmo gozando da autonomia que lhes é própria, as leis da

O "Plano Nacional de Direitos Humanos" e o aborto

. Padre Elílio de Faria Matos Júnior O III   Plano Nacional de Direitos Humanos , anunciado pelo presidente Lula no final do ano passado, tem gerado polêmicas, entre outras coisas, porque favorece a prática do aborto. Em sua versão original, o texto do plano fala de "autonomia" da mulher em relação ao próprio corpo e recomenda que o Congresso altere o Código Penal a fim de descriminalizar a prática do aborto. Um verdadeiro absurdo! Posicionar-se contra o aborto provocado é, antes do mais, uma questão de humanidade, Como um plano de direitos humanos pode querer favorecer uma das maiores desumanidades, o aborto? Que contradição! Coisa digna de um mundo que nega Deus e também a lei moral natural que Ele inscreveu no profundo das consciências. Seguisse apenas a voz da consciência moral, o homem não chegaria a barbaridade tão grande! Não há nada que possa justificar o aborto, porque nada pode justificar o assassinato, frio e calculado, de uma vida humana inocente. A Igreja

Papa volta a celebrar "ad orientem"

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Bento XVI voltou a celebrar a Santa Missa, na forma ordinária do Rito Romano, posicionado  ad orientem (em direção ao Senhor, simbolizado pelo sol nascente). Aconteceu no último dia 11 de janeiro. Assim, ao celebrar versus Deum , Bento XVI reforça a tese de que a reforma litúrgica pedida pelo Concílio Vaticano II não implica, de maneira alguma, uma ruptura com a tradição, de modo que ficasse proibida a orientação do sacerdote ad orientem na oração litúrgica. Celebrar ad orientem , como a Igreja fez por séculos e séculos, não está proibido, e pode expressar, com muita clareza, a centralidade de Deus no culto litúrgico. Foi com este mesmo espírito, contrário a qualquer ruptura, que Bento XVI, pelo Motu proprio   Summorum Pontificum , liberou para toda a Igreja a celebração da Santa Missa na forma antiga, jamais ab-rogada, segundo a edição do Missal de 1962. Veja aqui um artigo que já publicamos neste blog sobre a questão da orientação do sa

Um novo movimento litúrgico

. Padre Elílio de Faria Matos Júnior O Cardeal Antônio Cañizares, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos , concedeu uma entrevista muito interessante ao vaticanista Paolo Rodari. Confira  aqui . O Cardeal, entre outras coisas, fala da necessidade de fazer nascer na Igreja um novo movimento litúrgico . Aliás, Bento XVI, quando ainda era o Cardeal Ratzinger, publicou um livro – Introdução ao espírito da liturgia – no qual expressa o seu desejo de que na Igreja aconteça um novo movimento litúrgico. Assim, vê-se bem a comunhão de ideias e propósitos que une o Cardeal Cañizares a Bento XVI. A necessidade de um novo movimento litúrgico se impõe aos tempos atuais porque, hoje talvez mais do que nunca, a autêntica sensibilidade litúrgica corre o sério perigo de esvair-se da consciência dos fiéis em geral. Ratzinger, no seu Introdução ao espírito da liturgia , diz que o tesouro litúrgico da Igreja assemelha-se, nos tempos atuais, a um afresco que corre o

Jesus de Nazaré: manifestação da Beleza entre nós

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Jesus de Nazaré, afirma a fé católica, é o Verbo de Deus encarnado[1]. A segunda Pessoa da Santíssima Trindade assumiu a natureza humana do seio virginal de Maria Santíssima sob a ação do Espírito Santo, de modo que a humanidade do Filho de Deus tornou-se o sacramento por excelência do Deus vivo e da Beleza infinita entre nós. Jesus é a manifestação definitiva de Deus na história. Os primeiros concílios da Igreja definiram, diante de interpretações errôneas do mistério de Jesus, o realismo da encarnação do Verbo divino: Jesus possui duas naturezas distintas, a divina e a humana, unidas sem confusão e sem divisão na única pessoa do Verbo eterno[2]. Ele, e somente ele, revela Deus ao homem e o homem a Deus. "Por isso, nele o cristianismo e a Igreja têm não só sua origem, mas também seu centro e fundamento permanentes: 'ninguém pode colocar outro fundamento' (1Cor 3,11; cf. Mc 12,10s)."[3] O evento Jesus Cristo, com efeito, situa-s

Convite ao eclesiocentrismo

O Cardeal Giacomo Biffi, arcebispo emérito de Bologna, faz um convite quase insuportável aos ouvidos que se consideram avançados e atualizados em matéria teológica: trata-se de um convite ao eclesiocentrismo. O quê? Isso mesmo. Um convite ao eclesiocentrismo. É o que podemos ler, estudar e meditar em seu livro sobre eclesiologia - La Sposa chiacchierata: invito all’ecclesiocentrismo -, que ganhou uma tradução portuguesa sob o título Para amar a Igreja . Belo Horizonte: Centro de Cultura e Formação Cristã da Arquidiocese de Belém do Pará / Editora O Lutador, 2009. . O motivo que leva o arcebispo e cardeal da Igreja Giacomo Biffi a fazer um convite assim tão «desatual» é o seu amor pela verdade revelada em Cristo. A teologia para Biffi não se deve ocupar com discursos divagantes sobre hipóteses humanas, não deve fazer o jogo do «politicamente correto», mas deve, isto sim, contemplar a « res », isto é, a realidade que corresponde ao desígnio do Pai, a sua verdade. E com relação à ver