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Mostrando postagens de setembro, 2009

Ratzinger sobre a Liturgia

Palavras que ajudam a pensar: É totalmente absurdo, na tentativa de tornar a Liturgia “mais atraente”, recorrer a espetáculos de pantominas de dança, possivelmente com grupos profissionais, que muitas vezes, terminam em aplauso. Sempre que haja aplauso pelos aspectos humanos na Liturgia, é sinal de que a sua natureza se perdeu inteiramente, tendo sido substituída por diversão de gênero religioso.” (RATZINGER, Joseph. Introdução ao Espírito da Liturgia . Paulinas: Prior Velho (Portugal), 2006, p.147)

Liturgia: um desafio

Jornal O Lutador Online Edição 3670 - 21 a 30 de setembro de 2009 Do lado de fora, o mundo envolve a Igreja com suas crises: a fome e o desemprego, a violência urbana e o terrorismo, entre tantas outras. Do lado de dentro, pulsa um desafio inadiável: reorientar a vida litúrgica para seu verdadeiro foco: celebrar a Páscoa do Ressuscitado. Excessos e desvios No próximo dia 4 de dezembro, vamos comemorar o 46º aniversário natalício da Constituição conciliar sobre a liturgia, a Sacrosanctum Concilium , aprovada em sessão solene do Vaticano II com 2.147 votos, e apenas 4 sufrágios negativos. Após um período de entusiasmo e experiências de todo tipo, hoje a Igreja Católica se vê diante de um desafio que pede atitudes bem concretas: reformar a reforma pós-conciliar para recuperar valores essenciais da vida litúrgica. De todos os quadrantes, erguem-se denúncias e protestos contra o clima de nossas celebrações: excesso de ruído – mesmo disfarçado de música – nas assembléias dominicai

"Caritas in veritate": dedo na chaga da civilização

Padre Elílio de Faria Matos Júnior A encíclica social de S. S. o Papa Bento XVI, intitulada Caritas in veritate (29-6-2009), põe o dedo na chaga da civilização atual. Com efeito, a civilização ocidental é a primeira civilização da história a alcançar, de alguma maneira, um desdobramento universal. A sua grande invenção, que lhe proporcionou tal façanha, é a ciência e sua aplicação prática, a técnica. A economia globalizada é também, de certa maneira, o resultado da racionalidade científico-técnica ocidental, que planeja, faz cálculos, sopesa os lucros e os prejuízos, liga meios a fins, etc. No entanto, se, de um lado, a economia é globalizada e o domínio científico-técnico tem alcançado o mundo inteiro e, assim, levado o mundo ocidental a penetrar o globo terrestre, há, de outro lado, um notório déficit ético, pois que à ética não é dada a mesma capacidade de universalização. Ora, se crescem as possibilidades do fazer , deveriam acompanhá-las o discernimento do que se deve fazer .

Padre Vaz e a originalidade da metafísica tomásica do "esse"

Padre Vaz, em sua “rememoração” do pensamento de Santo Tomás, acolhe os grandes traços da leitura gilsoniana segundo a qual a grande originalidade do Aquinate consiste em ter ultrapassado as perspectivas da metafísica grega e ter fundado, assim, a metafísica do esse . Em seu último livro publicado, Escritos de filosofia VII – Raízes da modernidade , Padre Vaz apresenta o original passo dado por Santo Tomás em meio às disputas de seu tempo no campo da metafísica. A fisionomia do século XIII é apresentada por Padre Vaz nos capítulos 2,3,4,5 e 6 da referida obra. Destacamos que, na leitura apresentada por Padre Vaz, o século XIII foi um século efervescente, principalmente em sua segunda metade, quando a penetração do corpus aristotélico estará praticamente terminada nas Universidades de Paris e Oxford. [1] Ao introduzir, no universo cultural de então, questões novas, a obra de Aristóteles suscitou reações diversas, gerando uma grande crise no final do século XIII. Não vamos considerar

A originalidade da metafísica tomásica do "esse" segundo Étienne Gilson

Padre Elílio de Faria Matos Júnior A genialidade de Tomás de Aquino no campo da metafísica foi ressaltada, entre outros, por Étienne Gilson em sua grande publicação L’être et l’essence . [1] Em síntese, Gilson destaca o passo metafísico que Santo Tomás, iluminado pela noção de criação , dá para além de Aristóteles e da metafísica grega em geral, ultrapassando o nível de inteligibilidade da substância ou da essência, e alcançando um nível ulterior, o nível radical da inteligibilidade, o do esse entendido como ato de existir . Aristóteles, em sua inquisição sobre o ser, chegou à ousia ( substância) como suprema instância de inteligibilidade do real. A metafísica aristotélica é a ciência do ser enquanto ser. Quando Aristóteles trata de saber o que é o ser, ele diz que o ser se diz de muitas maneiras, mas sempre em relação a uma e mesma realidade fundamental, que é a ousia . O modo de ser fundamental é o da substância, pois que todos os demais modos de ser se resolvem nela

Exegese e teologia

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Aos 14 de outubro de 2008, o Santo Padre Bento XVI fez uma importantíssima intervenção no Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja , que se realizou em Roma de 5 a 26 do referido mês. O Papa falou das duas dimensões da exegese escriturística, a saber, a histórico-crítica e a teológica . Confira aqui: http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/208710?sp=y . Bento XVI confirmou a necessidade da exegese histórico-crítica bem como enalteceu os frutos que dela se podem colher para o aprofundamento da intelecção do Cristianismo, uma vez que a história é essencial para a fé cristã em virtude de o Verbo ter-se feito carne – “Et Verbum caro factum est” (Jo 1,14). O Cristianismo não é uma mitologia, mas está fundado na história, isto é, há verdadeiras marcas históricas que são constitutivas da fé cristã. Esta não é uma criação aérea do espírito humano. Entretanto, o Santo Padre referiu-se também ao perigo que a exegese histórico-críti