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Mostrando postagens de dezembro, 2009

A autoridade papal fica de pé

. Padre Elílio de Faria Matos Júnior . O episódio ocorrido na noite de Natal deste ano na Basílica de São Pedro em Roma é, de certa forma, um símbolo dos tempos atuais. O Papa, Vigário de Nosso Senhor Jesus Cristo na Terra, cai. A mitra, símbolo de sua autoridade, rola no chão. A férula, que representa a sua missão de pastor universal, é derrubada pelo homem moderno, desorientado, confuso e como que fora-de-si. Louca ou não, a jovem de 25 anos que provocou o incidente bem representa o mundo de hoje, que joga por terra a autoridade e as palavras do Romano Pontífice, que, na expressão da grande Santa Catarina de Siena, é «o doce Cristo na Terra». A jovem é louca? Não sei. Mas sei que o é, e muito, o mundo que rejeita Deus e o seu Cristo para abraçar o vazio e caminhar nas trevas. Bento XVI se ergue rápido e continua seu caminho. Celebra a Santa Missa, que é o que há de mais sublime sobre a face da Terra, rende o verdadeiro culto a Deus e conserva-se em seu lugar, como pastor colocad

Origens históricas do Natal

.. Papa Bento XVI - Fonte: Santa Sé Para compreender melhor o significado do Natal do Senhor, gostaria de acenar brevemente à origem histórica desta solenidade. O ano litúrgico da Igreja, de facto, não se desenvolveu inicialmente partindo do nascimento de Cristo, mas da fé na ressurreição. Por isso, a festa mais antiga do Cristianismo não é o Natal, mas a Páscoa: a ressurreição de Cristo funda a fé cristã, está na base do anúncio do Evangelho e faz nascer a Igreja. Por isso, ser cristão significa viver de maneira pascal, fazendo-se envolver pelo dinamismo que se originou no Baptismo e que leva a morrer para o pecado e a viver com Deus (cf Rm 6,4).  A primeira pessoa a afirmar com clareza que Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro foi Hipólito de Roma, no seu comentário ao livro do profeta Daniel, escrito cerca de 204. Este exegeta nota, depois, que nesse dia se celebrava a Dedicação do Templo de Jerusalém, instituída por Judas Macabeu no ano 164 antes de Cristo. A coincidência de da

Santo Natal a todos

. É Natal! Que a nossa fidelidade a Deus se renove pela contemplação da extraordinária caridade divina manifestada na encarnação do Verbo Eterno de Deus. Deus nos ama tanto... Amemo-lo também, e sobre todas as coisas! Afinal, amor com amor se paga! . Que neste Natal, nossa vida cristã se revigore. Que aprendamos mais e mais a unir-nos a Deus pela fé, pela esperança e pela caridade. Que o sirvamos como convém na Santa Igreja Católica Apostólica Romana, amando a verdade e a virtude e combatendo o erro e o vício. Aos nossos leitores, um santo e feliz Natal! Com a bênção, Padre Elílio

Kant e o "fim" da metafísica

Padre Elílio de Faria Matos Júnior O texto abaixo apresenta de forma sumária a filosofia crítica de Kant, que acabou por não reconhecer a metafísica como ciência. Não concordamos com a posição kantiana. Nossas críticas à filosofia de Kant, conhecida também como idealismo crítico ou transcendental, virão em outros artigos, que, esperamos, serão publicados em breve neste blog. A crítica a Kant é necessária sobretudo porque a partir dele a metafísica tem sido rechaçada pelos filósofos de maneira geral. Pretendemos mostrar que ninguém rejeita impunemente a metafísica. Quem a nega cai na contradição de ter de supô-la no ato mesmo da pretensa negação. *** Immanuel Kant talvez seja o maior nome da filosofia moderna e, com certeza, é um dos grandes da história da filosofia em geral. Destacou-se por ter elaborado um pensamento que, se de um lado está em linha de continuidade com a “tradição moderna” que se inicia com Descartes e se concentra sobre crítica do conhecimento; de outro, mostra-se in

Filosofia e Teologia: metodologia e objeto

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Sabemos que Filosofia e Teologia são ciências distintas, quer pelo método quer pelo objeto. Enquanto a Filosofia procede por raciocínios lógicos a partir dos primeiros princípios da razão pura e tem como objeto primeiro o mundo e o homem tais como se apresentam ao estudioso pela experiência, a Teologia, por sua vez, procede a partir do ato de fé na revelação divina, procurando um certo entendimento dessa fé, e o seu objeto primeiro é o próprio Deus tal como se dá a conhecer em sua auto-revelação. Assim, a Teologia pode ser dita ciência da fé , enquanto a Filosofia é a ciência da razão . Tal distinção, contudo, não leva necessariamente a uma separação entre as duas ciências. Aliás, ao longo da história da Igreja, pode-se verificar que Teologia e Filosofia muitas vezes se mostraram em íntima relação. Sejam citados aqui o período patrístico e escolástico, que testemunham a relação harmoniosa entre teologia e filosofia estabelecida na obra fecunda de um

A fé é inteligente?

. Do livro: RATZINGER, Joseph. Dios y el mundo. Una conversasación con Peter Seewald. Buenos Aires. Editorial Sudamericana, 2005. Peter Seewald: A Igreja e seus santos ressaltam que também se pode compreender, comprovar e demonstrar a fé cristã por meio da razão. Está certo? Joseph Ratzinger: Sim, mas dentro de certos limites. É verdade que a fé não é uma arquitetura de imagens gratuitas que alguém possa inventar a seu talante. A fé se arremete à inteligência porque expõe a verdade - e porque a razão foi criada para a verdade -. Nesse sentido, uma fé irracional não é uma fé cristã. A fé desafia nossa compreensão. E nessa conversação também pretendemos averiguar que tudo isso - começando pela ideia da criação até a esperança cristã - é uma formulação inteligente que nos apresenta algo razoável. Nesse sentido, pode-se demonstrar que a fé também está conforme à razão.

O Papa adverte sobre os perigos da teologia marxista da libertação e pede superar graves consequências

VATICANO, 05 Dez 09 . / 11:22 am ( ACI ).- O Papa Bento XVI advertiu sobre os perigos da teologia marxista da libertação e alentou os fiéis a superarem suas graves consequências em meio das comunidades eclesiásticas, como a rebelião e o desacordo, à luz da instrução Libertatis nuntius, que cumpre 25 anos de publicação e que foi redigida quando ele era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Ao receber ao meio-dia de hoje ao grupo de Bispos do Brasil da região Sul 3 e Sul 4 em visita ad limina, o Santo Padre recordou que "em agosto passado se cumpriram 25 anos da Instrução Libertatis nuntius da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, que sublinha o perigo que comportava a aceitação acrítica, realizada por alguns teólogos, de tese e metodologias provenientes do marxismo". Bento XVI advertiu, depois de ter refletido sobre o papel das universidades católicas, que as sequelas da teologia marxista da libertação "mais ou m

Bento XVI celebra "ad orientem"

. Padre Elílio de Faria Matos Júnior . Bento XVI celebrou, na Capela Paulina, a Santa Missa ad orientem . Aconteceu dia 1 de dezembro pp., quando o pontífice esteve reunido com os membros da Comissão Internacional de Teologia . Ja tivemos a oportunidade de publicar um artigo neste blog considerando o sentido da oração ad orientem na celebração litúrgica . Tal modo de celebrar é impropriamente conhecido como o modo em que o padre "dá as costas para o povo". Joseph Ratzinger defende que a celebração com o padre voltado a d orientem tem profundas raízes na história da Igreja desde a antiguidade. Com efeito, Ratzinger em Introdução ao espírito da liturgia (1999), sustenta que a posição do padre e da assembleia conjuntamente voltados para o Oriente era tida pela Igreja antiga como uma veneranda tradição recebida dos Apóstolos. Os gestos do Papa falam por si mesmos. Para bom entendendor, meia palavra basta. Bento XVI não se cansa de dar sinais de que deseja uma liturgia bem

Bento XVI usa sua nova férula

O Santo Padre Bento XVI, na celebração das primeiras vésperas do I Domingo do Advento, usou sua nova férula, que lhe foi ofertada pelo Círculo de São Pedro. A férula é o báculo ou cajado pastoral do Papa. Simboliza seu ofício de pastor colocado à frente da Igreja pelo Pastor Eterno. Note-se que a férula papal é encimada por uma cruz, enquanto o báculo dos bispos termina em uma curvatura. Bento XVI até então estava usando a férula que pertencera ao beato Pio IX. Aliás, a mesma instutuição que doara, em 1877, ao beato Pio IX a férula até então em uso, ofertou agora a Bento XVI a nova, que traz o monograma de Cristo de um lado, o Cordeiro Pascal de outro, os quatro Evangelistas nas extremidades dos braços dianteiros e os quatro Doutores - Ambrósio, Agostinho, Atanásio e João Crisóstomo - nas extremidades dos braços de trás. Que o pastoreio de Bento XVI, simbolizado pela férula, conduza o povo de Deus a pastagens sempre verdejantes e afaste o perigo dos lobos. Deus abençoe o Papa, o

A Igreja diz o que pensa sobre si mesma

. Padre Elílio de Faria Matos Júnior A Congregação para a Doutrina da Fé publicou um valioso documento que trata de eclesiologia (doutrina sobre a Igreja). Bento XVI o aprovou e ordenou sua publicação. Tem como título «Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja» . O importante documento, assinado aos 29 de junho de 2007, veio a lume aos 10 de julho do mesmo ano. A Congregação para a Doutrina da Fé já havia publicado alguns documentos sobre eclesiologia, como a Declaração «Mysterium Ecclesiae» (1973), a Carta «Communionis Notio» (1992), e a Declaração «Dominus Iesus» (2000). O propósito é sempre o mesmo: oferecer luz e orientação aos católicos para que sejam fiéis às exigências da fé que receberam dos Apóstolos e não se percam em meio a teorias e opiniões sobre o mistério da Igreja que se fazem cada vez mais plurais e equivocadas nos últimos decênios, e, ao mesmo tempo, prestar um serviço à humanidade, apresentando-lhe o que a Igreja pensa