Pular para o conteúdo principal

Em que dia nasceu Jesus?

Não há documentação suficiente e argumentos incontestáveis para atestar a data exata do nascimento de Jesus.

O primeiro que afirmou com clareza que Jesus nasceu a 25 de Dezembro foi Hipólito de Roma, no seu comentário ao Livro do profeta Daniel, escrito por volta de 204. Entretanto, não havia consenso entre os cristãos. 

Clemente de Alexandria (+215) dizia:

“Há aqueles que determinaram não somente o ano do nascimento de nosso Senhor, mas também o dia; eles dizem que aconteceu no 28º ano do reinado de Augustus e no dia 25 de Pachon (20 de maio) […]. Posteriormente, outros disseram que Ele nasceu no dia 24 ou 25 de Pharmuthi (20 ou 21 de abril)”.

Vê-se que a data era discutida antes da oficialização da celebração do Natal em Roma a 25 de dezembro de cada ano. O Cronógrafo de Filocalo, de 354, filologicamenre datável de 336, fala de 25 de dezembro como dia do nascimento de Jesus. Segundo João de Niceia teria sido o Papa Júlio I (337-352) a introduzir a festa do Natal em Roma a 25 de dezembro. O cronógrafo citado, porém, remontaria a 336. 

Alguns querem deduzir a data de 25 de dezembro a partir do relato de Lucas, segundo o qual Zacarias foi avisado da concepção de João Batista quando oficiava no Templo. Se Zacarias pertencia ao turno de Abia, ele estaria oficiando no final de setembro, quando então João teria sido concebido por Isabel. Se assim é, João terá nascido nove meses depois, no final de junho (25 de junho). Conforme o mesmo Lucas, Isabel já estava no sexto mês de gravidez quando Maria concebeu Jesus, sendo este, portanto, seis meses mais jovem que João. Se João nasceu aos 25 de junho, Jesus terá nascido, portanto, aos 25 de dezembro. 

Há também quem pense que o 25 de dezembro foi escolhido baseado na crença de que Jesus teria 33 anos ao morrer crucificado ou na crença de que um santo ou mártir morre no mesmo dia em que vem ao mundo. Se Jesus morreu no do 14 de Nisan (que corresponderia ao 25 de março), ele teria sido concebido aos 25 de março e nascido, portanto, aos 25 de dezembro. 

Outros acham que a festa do Natal do Sol Invicto, celebrada em Roma aos 25 de dezembro, no solstício de inverno, teria sido a causa da data. A Igreja, com sabedoria pedagógica, teria cristianizado a festa pagã, fazendo ver que o verdadeiro Sol invicto é Jesus Cristo. 

Parece que a heresia ariana desempenhou grande papel na motivação da festa. Como se sabe, o arianismo perturbou a paz dos cristãos no século IV, dizendo que Jesus era uma criatura excelente, intermediária entre Deus e os homens, mas não era Deus. Para realçar a divindade de Jesus, a Igreja romana teria insistido na celebração de seu nascimento, fazendo ver que no Natal não nascia um menino comum, mas o menino-Deus.

Em suma, ainda que 25 de dezembro não seja o dia exato do nascimento de Jesus, é, no entanto, o dia escolhido para a celebração do grande evento da intervenção de Deus na história. É a data-símbolo da entrada de Deus no nosso mundo através da encarnação do seu Verbo eterno. 

Comentários

  1. É muito importante termos conhecimento deste estudo em torno do dia do nascimento de Jesus

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Criação "ex nihilo"

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Em Deus, e somente em Deus, essência e existência identificam-se. Deus é o puro ato de existir ( Ipsum Esse ), sem sombra alguma de potencialidade. Ele é a plenitude do ser. Nele, todas as perfeições que convém ao ser, como a unidade, a verdade, a bondade, a beleza, a inteligência, a vontade, identificam-se com sua essência, de tal modo que podemos dizer: Deus é a Unidade mesma, a Verdade mesma, a Bondade mesma, a Beleza mesma... Tudo isso leva-nos a dizer que, fora de Deus, não há existência necessária. Não podemos dizer que fora de Deus exista um ser tal que sua essência coincida com sua existência, pois, assim, estaríamos afirmando um outro absoluto, o que é logicamente impossível. Pela reflexão, pois, podemos afirmar que em tudo que não é Deus há composição real de essência (o que alguma coisa é) e existência (aquilo pelo qual alguma coisa é). A essência do universo criado não implica sua existência, já que, se assim fosse, o universo, contingen...

Se Deus existe, por que o mal?

O artigo ( leia-o aqui ) Si Dieu existe, pourquoi le mal ?,  de Ghislain-Marie Grange, analisa o problema do mal a partir da teologia cristã, com ênfase na abordagem de santo Tomás de Aquino. O autor explora as diversas tentativas de responder à questão do mal, contrastando as explicações filosóficas e teológicas ao longo da história e destacando a visão tomista, que considera o mal uma privação de bem, permitido por Deus dentro da ordem da criação. ⸻ 1. A questão do mal na tradição cristã A presença do mal no mundo é frequentemente usada como argumento contra a existência de um Deus onipotente e benevolente. A tradição cristã tem abordado essa questão de diferentes formas, tentando reconciliar a realidade do mal com a bondade e a onipotência divinas. 1.1. A tentativa de justificar Deus Desde a Escritura, a teologia cristã busca explicar que Deus não é o autor do mal, mas que ele é uma consequência da liberdade das criaturas. No relato da queda do homem (Gn 3), o pecado de Adão e E...

Convite ao eclesiocentrismo

O Cardeal Giacomo Biffi, arcebispo emérito de Bologna, faz um convite quase insuportável aos ouvidos que se consideram avançados e atualizados em matéria teológica: trata-se de um convite ao eclesiocentrismo. O quê? Isso mesmo. Um convite ao eclesiocentrismo. É o que podemos ler, estudar e meditar em seu livro sobre eclesiologia - La Sposa chiacchierata: invito all’ecclesiocentrismo -, que ganhou uma tradução portuguesa sob o título Para amar a Igreja . Belo Horizonte: Centro de Cultura e Formação Cristã da Arquidiocese de Belém do Pará / Editora O Lutador, 2009. . O motivo que leva o arcebispo e cardeal da Igreja Giacomo Biffi a fazer um convite assim tão «desatual» é o seu amor pela verdade revelada em Cristo. A teologia para Biffi não se deve ocupar com discursos divagantes sobre hipóteses humanas, não deve fazer o jogo do «politicamente correto», mas deve, isto sim, contemplar a « res », isto é, a realidade que corresponde ao desígnio do Pai, a sua verdade. E com relação à ver...