Pular para o conteúdo principal

Papa Francisco

Pe. Elílio de Faria Matos Júnior

O Papa Francisco já impressionou positivamente o mundo, e isso desde sua primeira aparição ao público como Bispo de Roma e Sumo Pontífice da Igreja Católica na sacada da Basílica de São Pedro no dia 13 de março, quando foi eleito pelos senhores cardeais.

O que mais chamou a atenção foram sua simplicidade e humildade. Dirigiu-se ao povo com palavras simples, soube fazer uma brincadeira (“os cardeais me foram buscar no ‘fim do mundo’”), convidou o povo a rezar pelo Papa Emérito Bento XVI e para si mesmo. Concedida a primeira bênção, o povo se sentia acolhido por um doce pai. Percebi, na Praça de São Pedro, que houve um grande clima de simpatia.

Francisco é um papa pioneiro em muitos sentidos. É o primeiro latino-americano e de todas as Américas. Creio que isso será decisivo no modo como vai conduzir seu ministério. A experiência da nossa América Latina, onde se concentram mais de 40% da população católica do mundo, certamente portará novos ares para o centro da cristandade, Roma. A Igreja latino-americana desenvolveu um estilo de conduzir a pastoral que lhe é próprio, com a atenção ao valor da vida comunitária e sensibilidade aos desafios da justiça social e da solidariedade. Francisco porta consigo essa experiência, o que lhe facilitará uma maior aproximação de toda a Igreja à necessidade de formação de comunidades vivas de fé e de solidariedade. 

Em conformidade com o que estamos dizendo, vem o nome Francisco, que pela primeira vez é escolhido por um papa; indica todo um programa de pontificado. A referência principal é a São Francisco de Assis, o pobre de Deus. O papa indica querer que o foco de toda a evangelização se concentre no essencial. São Francisco foi um homem profundamente espiritual que soube abrir mão de tudo o que julgou supérfluo e se fez capaz de ver a paternidade universal de Deus e a consequente fraternidade das criaturas.

É também o primeiro papa jesuíta. Como filho de Santo Inácio de Loyola, traz uma bagagem marcada pelo estudo, reflexão, e pela determinação de anunciar o Evangelho. Santo Inácio, pela sua vontade firme, era tido como um verdadeiro soldado de Deus.

Diante do novo pontificado, promissor, não nos esquecemos da grandeza do magistério de Bento XVI, homem profundo e intelectual, que tudo fez para anunciar a fé num mundo marcado pelo desencanto pela verdade, pelo relativismo e pelo niilismo. Bento XVI deixou claro que a proposta da Igreja é consistente e está de pé.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Criação "ex nihilo"

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Em Deus, e somente em Deus, essência e existência identificam-se. Deus é o puro ato de existir ( Ipsum Esse ), sem sombra alguma de potencialidade. Ele é a plenitude do ser. Nele, todas as perfeições que convém ao ser, como a unidade, a verdade, a bondade, a beleza, a inteligência, a vontade, identificam-se com sua essência, de tal modo que podemos dizer: Deus é a Unidade mesma, a Verdade mesma, a Bondade mesma, a Beleza mesma... Tudo isso leva-nos a dizer que, fora de Deus, não há existência necessária. Não podemos dizer que fora de Deus exista um ser tal que sua essência coincida com sua existência, pois, assim, estaríamos afirmando um outro absoluto, o que é logicamente impossível. Pela reflexão, pois, podemos afirmar que em tudo que não é Deus há composição real de essência (o que alguma coisa é) e existência (aquilo pelo qual alguma coisa é). A essência do universo criado não implica sua existência, já que, se assim fosse, o universo, contingen...

Maritain e a reformulação da teologia da graça

  A Visão de Jacques Maritain sobre a Permissão do Mal e a Graça Jacques Maritain propôs uma alternativa ao modelo tradicional de Domingo Bañez e Reginald Garrigou-Lagrange na questão da graça, da predestinação e do pecado. Seu objetivo era preservar simultaneamente a soberania de Deus e a autêntica liberdade do homem, rejeitando a ideia de que Deus decreta infalivelmente quem terá a graça e quem terá a graça meramente suficiente sem levar em conta as escolhas humanas. 1. O Problema da Tradição Bañeziana Maritain critica os tomistas “rígidos” da escola de Bañez, argumentando que sua explicação leva a um determinismo disfarçado. Para Bañez e Garrigou-Lagrange: • Deus decreta infalivelmente quem receberá a graça eficaz e quem terá apenas a graça suficiente. • Deus permite o pecado infalivelmente através de um decreto permissivo que assegura a queda de alguns. • O homem sempre resistiria à graça suficiente se Deus não lhe concedesse uma graça eficaz especial. Maritain ar...

A morte de Jesus. Visão de Raymond Brown

  A visão de Raymond E. Brown sobre a morte de Jesus é uma das mais respeitadas no campo da exegese católica contemporânea. Brown foi um dos maiores especialistas em literatura joanina e autor da monumental obra The Death of the Messiah (1994, 2 vols.), que analisa de maneira técnico-teológica os relatos da Paixão nos quatro evangelhos. Seu trabalho é uma síntese rigorosa de crítica histórica, análise literária e teologia bíblica, sustentada por fidelidade à fé católica e abertura ao método científico. Abaixo, apresento um resumo estruturado da sua interpretação da morte de Jesus: ⸻ 1. A morte de Jesus como fato histórico e evento teológico Para Brown, a morte de Jesus deve ser compreendida em duplo registro:  • Histórico: Jesus foi condenado e crucificado por decisão de Pôncio Pilatos, sob a acusação de reivindicar uma realeza messiânica que ameaçava a ordem romana.  • Teológico: desde o início, os evangelistas narram a Paixão à luz da fé pascal, como o momento culminant...