Pular para o conteúdo principal

As “moradas” de S. Teresa d’Ávila

As “sete moradas” são a grande imagem espiritual usada por Santa Teresa de Ávila em O Castelo Interior para descrever o caminho da alma até a união plena com Deus. Ela compara a alma a um castelo de cristal, com muitas moradas (ou “aposentos”), no centro do qual habita Deus. O itinerário é um progresso da vida espiritual, da conversão inicial até a união mística.

Aqui está um resumo de cada uma:


1ª Morada – Entrada no Castelo

 • A alma começa a tomar consciência de Deus.

 • Ainda presa ao pecado, às distrações e vaidades.

 • É o despertar para a vida espiritual, mas sem firmeza.


2ª Morada – Início da oração e luta espiritual

 • A alma começa a rezar mais e a ouvir o chamado de Deus.

 • Há luta entre os apegos mundanos e o desejo de avançar.

 • A oração torna-se mais regular, mas ainda difícil e cheia de distrações.


3ª Morada – Vida de virtude

 • A alma já vive com esforço as virtudes (humildade, caridade, fé, esperança).

 • Há uma estabilidade maior na prática da vida cristã.

 • Risco: a tentação do orgulho espiritual, achando-se já “santa”.


4ª Morada – Oração de quietude

 • Deus começa a agir de maneira mais direta.

 • A oração deixa de ser apenas esforço humano e passa a ser experiência de graça.

 • A alma experimenta paz interior, recolhimento e início da união mais íntima com Deus.


5ª Morada – União inicial com Deus

 • Santa Teresa usa a imagem do casamento espiritual em promessa.

 • A alma já experimenta união profunda com Deus, embora não plena e definitiva.

 • Oração de união: vontade unida à vontade divina, mesmo sem visões extraordinárias.


6ª Morada – Purificações e sofrimentos do amor

 • A alma passa por grandes provações interiores e exteriores.

 • Experiências místicas intensas, êxtases, mas também aridez, perseguições e doenças.

 • É o tempo das últimas purificações: a alma já vive quase continuamente na presença de Deus.


7ª Morada – União transformante

 • A plenitude: a alma se torna uma só coisa com Deus.

 • É o “matrimônio espiritual”: a união estável, permanente, indissolúvel.

 • A vida é totalmente entregue ao amor divino, com paz profunda, caridade ardente e liberdade interior.

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Reencarnação ou ressurreição?

Muitos são levados a crer na reencarnação porque acham que ela pode explicar, com lógica férrea, o fato de uns viverem neste mundo em melhores condições do que outros. Assim, uns vêm de boas famílias, que lhes dão todas as condições para uma vida digna e feliz, enquanto outros ficam privados da educação mínima e da formação do caráter por não terem tido a sorte de nascerem no seio de uma família estruturada. Outros, muitos dos quais inocentes e gente que só faz o bem, são atormentados com terríveis sofrimentos corporais e psíquicos, morais e espirituais, sem que entendamos o porquê de uma situação aparentemente tão injusta. Os exemplos poderiam multiplicar-se, dando-nos a ver que a vida parece ser muito injusta com não poucos homens e mulheres. O relativo sucesso da doutrina reencarnacionista estaria em oferecer uma resposta a esse impasse, ensinando que as diversas sortes das pessoas neste mundo devem-se ao teor do comportamento moral que levaram em vidas passadas. Dizem q...

Marta e Maria, atividade e repouso

Marta e Maria podem representar dois estilos de vida — o ativo e o contemplativo.  A realidade consta de duas dimensões: 1) A dimensão originária, primária, não derivada, que se basta a si mesma. 2) A dimensão emanada, secundária, derivada, que depende da primeira.  A dimensão originária é o Real propriamente dito. É o que chamamos de Deus. Essa dimensão é paz, quietude, repouso, bem-aventurança! É a eterna luz do Ser em sua verdade, o eterno regozijo do Ser em sua bondade.  A dimensão emanada é real por participação. É o universo criado. Essa dimensão é marcada pela dualidade, finitude e limitação. Tem algo do Ser, mas não é o Ser. Experimenta algo da plenitude, mas sofre também com a falta. É marcada pela alegria e tristeza, vitória e derrota, gozo e dor.  Por causa da não plenitude, a dimensão derivada tem de mover-se para ser mais. Tem de transpor obstáculos. Tem de crescer. Tem de tomar consciência e decidir livremente.  A dimensão originária cria a dimensã...

O Papa adverte sobre os perigos da teologia marxista da libertação e pede superar graves consequências

VATICANO, 05 Dez 09 . / 11:22 am ( ACI ).- O Papa Bento XVI advertiu sobre os perigos da teologia marxista da libertação e alentou os fiéis a superarem suas graves consequências em meio das comunidades eclesiásticas, como a rebelião e o desacordo, à luz da instrução Libertatis nuntius, que cumpre 25 anos de publicação e que foi redigida quando ele era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Ao receber ao meio-dia de hoje ao grupo de Bispos do Brasil da região Sul 3 e Sul 4 em visita ad limina, o Santo Padre recordou que "em agosto passado se cumpriram 25 anos da Instrução Libertatis nuntius da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, que sublinha o perigo que comportava a aceitação acrítica, realizada por alguns teólogos, de tese e metodologias provenientes do marxismo". Bento XVI advertiu, depois de ter refletido sobre o papel das universidades católicas, que as sequelas da teologia marxista da libertação "mais ou men...