Pular para o conteúdo principal

O Ser fala. Falou em Jesus!

O que se manifestou em Jesus de Nazaré foi a luz puríssima da realidade incriada do Ser. Essa luz, chamamo-la Verbo divino. 

As ideias mais puras que um homem pode conceber, os sentimentos mais nobres e as atitudes mais justas e misericordiosas apareceram na consciência e na ação de um jovem pobre, camponês da Galiléia, que, como seu pai putativo, começou a dedicar sua vida à profissão de artesão/carpinteiro/pedreiro, mas, analogamente a grandes profetas antigos, deixou tudo para proclamar o que via com os olhos da alma e sentia com o coração: é que fora tomado pelo fascínio da pureza e da grandeza da Última Realidade, que é também a Primeira. 

A bem da verdade, foi a Primeira e Última Realidade, em sua luz e amor eternos, que assumiu o ser criado de Jesus como órgão da manifestação da Sabedoria imperecível neste mundo temporal. 

O Ser fala. O Ser é luz. O Ser não é opaco nem é irracionalidade. O Ser faz surgir ordem, organismos, consciência e liberdade no mundo material. 

Três maravilhas do Ser: o ser gratuito dado aos entes do universo, o surgimento da vida como autopóiesis, o aparecimento da consciência como forma de o ser criado estar, na luz, junto de si e junto do Ser incriado.

Há uma quarta maravilha: o Ser falou de modo singular em Jesus. E mais: fala também em todo aquele que se dispõe a ouvir o Ser no seu ser.

Comentários

  1. Ouvir a voz de jesus e ouvir a voz do criador ,forma humana para nossa compreensão, sigamos a luz, maravilhoso este texto 🙌🏻🙌🏻🙏🏻

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Escatologia intermediária: visão de Deus e espera da ressurreição final

A fé cristã afirma, desde os seus primórdios, que a morte não é o termo último da existência humana. No entanto, essa afirmação não implica que a ressurreição se dê imediatamente após a morte, nem que ela consista numa simples revivificação do cadáver, como se o destino final do homem fosse uma repetição ampliada da vida biológica. Pelo contrário, uma compreensão mais profunda da escatologia cristã exige distinguir claramente entre o estado intermediário após a morte, em que o eu subsiste e pode aceder à gloria da visão de Deus, e a ressurreição plena no fim dos tempos, bem como entre ressurreição e mera volta à vida como se dá neste mundo. 1. A escatologia intermediária: sair do tempo cronológico Quando o ser humano morre, ele deixa o tempo cronológico, sucessivo, mensurável como o conhecemos — o tempo da história tal como a vivemos neste mundo. A morte marca a passagem para uma outra modalidade de temporalidade, que pode ser chamada de tempo psíquico ou tempo do espírito. Seguindo a...

Criação "ex nihilo"

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Em Deus, e somente em Deus, essência e existência identificam-se. Deus é o puro ato de existir ( Ipsum Esse ), sem sombra alguma de potencialidade. Ele é a plenitude do ser. Nele, todas as perfeições que convém ao ser, como a unidade, a verdade, a bondade, a beleza, a inteligência, a vontade, identificam-se com sua essência, de tal modo que podemos dizer: Deus é a Unidade mesma, a Verdade mesma, a Bondade mesma, a Beleza mesma... Tudo isso leva-nos a dizer que, fora de Deus, não há existência necessária. Não podemos dizer que fora de Deus exista um ser tal que sua essência coincida com sua existência, pois, assim, estaríamos afirmando um outro absoluto, o que é logicamente impossível. Pela reflexão, pois, podemos afirmar que em tudo que não é Deus há composição real de essência (o que alguma coisa é) e existência (aquilo pelo qual alguma coisa é). A essência do universo criado não implica sua existência, já que, se assim fosse, o universo, contingen...

Marín-Sola e o desenvolvimento da teologia da graça

  Francisco Marín-Sola, um teólogo dominicano do século XX, foi um dos principais responsáveis pela reformulação da tradição bañeziana dentro do tomismo. Ele buscou suavizar alguns aspectos da doutrina da graça e predestinação, especialmente no que diz respeito à relação entre a liberdade humana e a causalidade divina. Sua obra tentou conciliar a soberania absoluta de Deus com uma maior ênfase na cooperação humana, evitando o determinismo implícito no modelo de Bañez e Garrigou-Lagrange. ⸻ 1. Contexto da Reformulação de Marín-Sola • A escola tomista tradicional, especialmente na versão de Domingo Bañez e Reginald Garrigou-Lagrange, defendia a moción física previa, segundo a qual Deus pre-move infalivelmente a vontade humana para o bem ou permite o pecado através de um decreto permissivo infalível. • Essa visão levantava críticas, pois parecia tornar Deus indiretamente responsável pelo pecado, já que Ele escolhia não conceder graça eficaz a alguns. • Francisco Marín-Sola...