A verdade se apresenta a nós em suas múltiplas facetas. Somente prestando atenção nos nossos limites, que são também a condição de possibilidade do nosso início e do nosso crescimento na busca da verdade, poderemos perceber que, para ser apropriada, a verdade requer de nós o tato de saber reconhecer nossa situação e de saber retornar sempre a ela para iluminá-la e enriquecê-la com o ganho de nossas buscas, encontros, diálogos e interpretações. Estamos no horizonte da verdade, mas cada um, cada povo ou cada época, está numa situação diversa. Daí que palavras como encontro e diálogo nos são necessárias para crescer neste horizonte a partir da nossa situação particular e para enriquecer-nos entre nós, enriquecendo também a nossa situação. O encontro entre as diversas situações promove a fusão de horizontes dentro do único horizonte da verdade.
Na filosofia de Santo Tomás de Aquino, uma das expressões mais densas e provocadoras do mistério divino é aquela que designa Deus como ipsum esse subsistens — o próprio Ser subsistente . Esta fórmula, que representa o cume do pensamento metafísico, não pretende, contudo, oferecer uma definição de Deus no sentido estrito e exaustivo. Antes, ela marca o limite e a elevação máxima a que a razão pode chegar no exercício de sua abertura ao ser. Com efeito, o ser ( esse ) é aquilo que primeiro se apreende pelo intelecto; é o ato mais íntimo e profundo de tudo o que é. Apreendemos o ser presente nos entes antes de reconhecermos o Ser puro subsistente como seu fundamento absoluto. Ora, ao afirmar que Deus é o Ser subsistente, Santo Tomás quer dizer que em Deus não há distinção entre essência e ato de ser pleno, entre o que Ele é e a sua existência necessária. Ele é o próprio Ser — não como um ser entre outros, nem como um gênero supremo, mas como o Ato puro de ser, sem nenhuma composição...
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