Pular para o conteúdo principal

Qualidades indispensáveis da oração

.
Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Em sua pregação sobre a Oração do Senhor (In Orationem Dominicam videlicet "Pater Noster" Expositio), Santo Tomás elenca as cinco qualidades mais importantes para uma boa oração. E assevera que a Oratio Dominica satifaz de modo excelente a todas elas, de tal maneira que "entre todas as orações, o Pai-nosso ocupa manifestamente o primeiro lugar" (Prólogo).

Eis as qualidades enumeradas por Santo Tomás, qualidades que, se quisermos colher bons frutos, jamais devemos deixar faltar às nossas orações:

1) A oração deve ser confiante: "devemos pedir com fé, em nada hesitando" (Tg 1,6).

2) A oração deve ser conveniente: devemos pedir a Deus só o que é justo e proveitoso. Alguns não são ouvidos porque pedem o que não convém: "Pedis e não recebeis, porque pedis mal (Tg 4,3).

3) A oração deve ser ordenada: devemos pedir de acordo com uma certa ordem, de modo a preferirmos os bens espirituais aos temporais, os celestes aos terrenos, conforme o ensinamento do Senhor: "procurai primeiro o reino de Deus e sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6,33).

4) A oração deve ser devota: devemos rezar com fervor e devoção. Para isso ajuda a brevidade das palavras, uma vez que "frequentemente a devoção se enfraquece com a prolixidade da oração" (Prólogo). A devoção, sendo fruto da caridade, deve manifestar nosso amor a Deus e ao próximo.

5) a oração deve ser humilde: devemos esperar tudo alcançar pelo poder de Deus, não pelas nossas próprias forças. "Deus se volta para a oração dos humildes e não despreza sua súplica" (Sl 101,18). O publicano que se humilhou diante de Deus voltou para casa justificado; o fariseu, que se exaltou, não obteve justificação (cf. Lc 18 9,15).

Que a vida de oração, que outra coisa não é senão vida unida a Deus e em diálogo com Ele, produza em nós e através de nós frutos que durem para a vida eterna!

Comentários

  1. Prezado Pe. Elilio,
    Salve Maria!

    Tenho acompanhado seu blog e solicito sua autorização para reproduzir este e outros posts seus em nosso blog. Somos uma associação de ex-seminaristas redentoristas (UNESER-União de Ex-Seminaristas Redentoristas). Temos um site e um blog que administro (http://uneserinterativa.blogspot.com)onde postamos artigos de conteúdos diversos (sobre a CSsR, Igreja, Colegas, etc).
    Este seu artigo sobre as qualidades da oração, já estou reproduzindo, porém, se não concordar, deleto-o tão logo receba sua resposta.
    Visite nosso blog e sinta-se à vontade para participar dele.
    Parabéns pelo blog!
    José Roberto Staliano

    ResponderExcluir
  2. Prezado José Roberto,
    Obrigado por estar acompanhando o blog. O senhor tem autorização plena para reproduzir as matérias aqui postadas. Parabéns pelo seu blog, que vou passar a seguir.
    Deus o abençoe sempre!

    ResponderExcluir
  3. Padre Elídio
    Paz e Bem!
    Também venho solicitar sua autorização para reproduzir, no blog que administro, seus posts.Aproveitarei também para divulgar seu blog, se concordar, é lógico.
    Sua bênção.

    ResponderExcluir
  4. Sim; tem autorização plena para reproduzir meus artigos e divulgar o blog. Obrigado!

    Aproveito para agradecer a Fábio Graa pelas palavras amigas.

    ResponderExcluir
  5. A boa oração é a que atinge os resultados esperados? Como saber se ora-se a Deus ou se é uma espécie de negociação? Como fica a liberdade se a oração cria novos caminhos?

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Transformação em Deus: fonte de vida e renovação

Há momentos em que se tem a impressão de que a vida cristã contemporânea se tornou excessivamente ocupada consigo mesma. Multiplicam-se reuniões, planejamentos, projetos, estratégias pastorais, metodologias de gestão, técnicas de comunicação, iniciativas de visibilidade e eficiência. Em muitos ambientes eclesiais, parece haver uma preocupação constante com organização, desempenho e resultados. Em outros, observa-se uma forte centralidade da emoção religiosa: experiências afetivas intensas, entusiasmo devocional, busca de consolações espirituais e de sentimentos de pertença. Tudo isso possui seu lugar e sua legitimidade relativa. A Igreja, enquanto realidade histórica, necessariamente se organiza; e a experiência religiosa toca também a dimensão afetiva do ser humano. Contudo, permanece a pergunta: onde está o caminho da transformação interior? Onde está a busca silenciosa da união com Deus?  Os grandes místicos cristãos recordam que o centro da vida espiritual não consiste nem na e...

Deus se revela

A Igreja sempre defendeu que Deus revelou-se positivamente na história dos homens, ao contrário do deísmo, que vê na Divindade algo um tanto quanto impessoal. Não se revelaria pessoalmente o Criador das pessoas? O Amor-Doação não se doaria ao homem? A Igreja sustenta que a Beleza infinita quer que participemos de seu esplendor, e, para tanto, manifestou-se na história para além daquilo que chamaríamos de revelação natural. A finalidade da Revelação de Deus na história é a elevação do homem à vida divina 1 , elevação essa que, ultrapassando as possibilidades meramente humanas, leva o ser humano a participar da felicidade absoluta no seio da Trindade eterna, que é o único Deus verdadeiro. Deus revela-se a si mesmo e o plano de sua vontade salvífica; ele, "levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos, e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber" 2 . A Revelação divina é histórica e progressiva, de modo que, tendo começado com os patr...

A Primeira Via de Santo Tomás

A primeira via de São Tomás de Aquino para provar a existência de Deus é a chamada prova do motor imóvel, que parte do movimento observado no mundo para concluir a existência de um Primeiro Motor imóvel, identificado como Deus. Ela é formulada assim: 1. Há movimento no mundo. 2. Tudo o que se move é movido por outro. 3. Não se pode seguir ao infinito na série de motores (causas de movimento). 4. Logo, é necessário chegar a um Primeiro Motor imóvel, que move sem ser movido. 5. Esse Primeiro Motor é o que todos chamam de Deus. Essa prova se fundamenta em princípios metafísicos clássicos, especialmente da tradição aristotélica, como: • A distinção entre ato e potência. • O princípio de que o que está em potência só passa ao ato por algo que já está em ato. • A impossibilidade de regressão ao infinito em causas atuais e simultâneas. Agora, sobre a validade perene dessa via, podemos considerar a questão sob dois ângulos: 1. Validade ontológica e metafísica: sim, perene A estrutura m...