Agostinho, além de filósofo e teólogo, foi místico. Deus está na dimensão mais profunda (e mais alta) da alma. Trata-se daquela dimensão pela qual a alma pode ver o que vê. Se a alma vê (a consciência é um campo de visão espiritual), ela só pode ver porque é iluminada por uma Luz. A alma tem luminosidade com a qual ilumina as coisas, concebendo ideias e palavras. Mas o fundamento desta luminosidade é a Luz inefável pela qual a luminosidade existe. A respeito das ideias transcendentais, a alma não as julga, mas é julgada por elas. Tais são as ideias, por exemplo, de harmonia, perfeição e, em última análise, as ideias de verdade e de ser, de máxima transcendentalidade. Tais ideias decorrem da Luz de que a alma não dispõe, Luz que, ao contrário, dispõe da alma. S. Agostinho se referia a esta Luz que acende a própria luminosidade da alma nestes termos: “Reconhece, portanto, o que é a suprema conveniência: não te dirijas para fora, regressa a ti mesmo; no homem interior habita a...
Teologia, Filosofia e Diálogo entre Fé e Razão