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Quem és tu, ó homem?



O homem conhece. Com os últimos progressos do saber científico, muitas coisas outrora ocultas têm sido desveladas ante seus olhos maravilhados. O nosso conhecimento do Universo, tanto em nível macrofísico quanto em nível microfísico, é admirável. Sabemos, como nunca, como funciona o mundo e o nosso organismo biológico, e avançamos no conhecimento de nossa psicologia. No entanto, todo o cabedal de conhecimento que temos adquirido revela também a face misteriosa do ser. O mundo material não está totalmente iluminado pelos raios de nossa ciência. Fala-se de grande proporção de matéria e energia escuras, de indeterminação quântica e de muitas outras coisas que desafiam a nossa busca do conhecimento. Há quem negue o realismo das ciências, reduzindo-as a um saber paradigmático que fala mais da construção teórica dos cientistas do que da constituição real das coisas. Como quer que seja, para além do saber científico, de cujas grandezas e limites hoje somos bastante conscientes, existe o estupor metafísico. O ser é! A gratuidade do que existe eleva ainda mais o senso do mistério. Leibniz formulou a grande questão, vulgarizada depois por Heidegger: Por que algo existe ao invés do nada? Na verdade, o nada não pode existir, de modo que é necessário que o Ser seja! Se algo existe, Algo sempre existiu! Mas nos admira a existência do ser contingente, do ser que poderia não existir. Que gratuidade é esta?

Se o ser em geral encerra um grande mistério para o homem, a grande questão que se lhe coloca é, sem dúvida, a da sua própria existência como espírito no mundo – Geist in Welt, como dizia Karl Rahner. Que é o homem? Dada a sua subjetividade espiritual, que não permite nunca ser totalmente objetivada, o homem não é um que, mas um quem. Assim, a pergunta mais exata é: Quem é o homem?

Certamente o homem poderá colher mais abundantes frutos do autoconhecimento do que do conhecimento da os objetos. Acontece, porém, que o conhecimento dos objetos lhe possibilita o autoconhecimento. O homem, de algum modo, conhece-se no conhecer os objetos. Ele pode captar-se, de alguma maneira, no captar os entes. Como dizem os tomistas, ele é capaz de redire in seipsum reditione completa – voltar-se para si mesmo por uma reflexão completa. Depois de conhecer as coisas, ele pode conhecer-se como conhecedor. Conhecendo um objeto, ele se apreende como sujeito. Ao voltar-se para si, toma consciência da própria subjetividade que não pode ser totalmente objetivada. Ao objetivar o conhecimento, inclusive o conhecimento de si, a subjetividade sempre se mantém irredutível como tal, pois que sempre está diante do objeto sem jamais deixar-se absorver por ele. A subjetividade é um centro originário de luz e de espontaneidade, de visão e de liberdade! Assim, o homem descobre-se como mistério inobjetável diante do mistério do ser; descobre-se como espírito!







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