sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Absoluto real versus pseudo-absolutos

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Padre Elílio de Faria Matos Júnior 
"Como pensar o homem pós-metafísico em face da exigência racional do pensamento do Absoluto? A primeira e mais radical resposta a essa questão decisiva, sempre retomada e reinventada nas vicissitudes da modernidade, consiste em considerá-la sem sentido e em exorcisar o espectro do Absoluto de todos os horizontes da cultura. Mas essa solução exige um alto preço filosófico, pois a razão, cuja ordenação constitutiva ao Absoluto se manifesta já na primeira e inevitável afirmação do ser, se não se lança na busca do Absoluto real ou se se vê tolhida no seu exercício metafísico, passa a engendrar necessariamente essa procissão de pseudo-absolutos que povoam o horizonte do homem moderno" (LIMA VAZ, Henrique C. de. Escritos de filosofia III. Filosofia e cultura. São Paulo: Loyola, 1997).
Padre Vaz, acertadamente, exprime a insustentabilidade do projeto moderno, na medida em que a modernidade quer livrar-se do Absoluto real, fazendo refluir para o homem a fonte de toda inteligibilidade. A razão humana, no clima filosófico da modernidade, é erigida como única luz e norma da compreensão da realidade. Mas será isso razoável? Dada a orientação constitutiva do espírito humano para a afirmação do sentido absoluto, a negação do Absoluto real só poderá abrir espaço para a afirmação de pseudo-absolutos. O périplo do homem moderno viu erigirem-se e caírem um a um tais pseudo-absolutos - como o progresso, a história, a classe, a vida, etc -, que, por não terem a consistência do Absoluto real, deixaram no horizonte  um céu vazio.

Mesmo a chamada pós-modernidade, que proclama a ausência total de sentido para a vida humana, continua o projeto moderno, na medida em que pressupõe que o homem, que acabou por se mostrar incapaz de alcançar por si só o sentido da vida, seja a única luz do real. O niilismo pós-moderno supõe que não haja outra luz senão a fraca e impotente lanterna humana.

Não estaríamos na hora de voltar a reconhecer a grandeza metafísica do espírito humano e sua orientação para o Absoluto real, isto é, Deus? E isso de tal forma que Deus pudesse iluminar também a nossa vida social?  O Absoluto real é, na verdade, a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo (cf. Jo, 1,9). Embora não possa ser abarcado pela finita inteligência humana, o seu reconhecimento é fator de contemplação deleitosa e fonte de energias vitais para o homem e sua ação moral. Sob a sua luz, a aventura humana sobre a face da terra não estará carente do sentido básico real e objetivo.

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