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É rico o Vaticano?

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Certa vez, um amigo me perguntou o que se deveria responder àqueles que censuram a S. Igreja de ser muito rica, de modo especial o Vaticano. Eis um esboço de resposta: O Vaticano não é rico. Frequentemente as contas fecham no vermelho. O dinheiro que chega ao Papa é, em grande parte, proveniente de doações. Outra coisa são as obras de arte que estão em posse da Igreja no Vaticano, como os edifícios/arquitetura, estátuas, pinturas.... Essas tem um valor inestimável. Nem se pode calcular. Tais obras foram se acumulando ao longo da história da Igreja e hoje o Papa não pode se desfazer delas, nem seria desejável. Trata-se de bens culturais, que foram até proclamados "Patrimônio Comum da Humanidade". A arte que vemos nas posses da Igreja pelo mundo inteiro é um modo que o espírito e a religiosidade de nossos antepassados encontraram de louvar a Deus. Hoje se louva o dinheiro e o consumo desenfreado. Quais são hoje os mais belos pré...

Homenagem a Santo Tomás

Santo Tomás de Aquino! Como esquecer esse santo e sábio italiano? Desde minha adolescência, quando tive meus primeiros contatos com sua obra, não pude deixar de admirá-lo. Cresceu entre nós uma verdadeira simpatia, um sentimento de conaturalidade. Lia seus escritos sobre as relações entre fé e razão e não podia não ficar estupefato. Sim, a estupefação é o motor da pesquisa e do estudo. Suas palavras, de algum modo, diziam claramente o que para mim era uma certeza, mas ainda envolta nas nuvens de uma intuição vivida, à procura de inteligência e clareza. Homenagem a Santo Tomás no seu dia - 28 d janeiro!

Fé e razão andam juntas

Quando o então Cardeal Ratzinger teve um colóquio acadêmico com o filósofo J. Habermas em 2004, ele sustentou que o conúbio entre fé e razão é sempre necessário. O Cristianismo se entende como uma religião que fez opção pela razão, e isso desde as suas origens. A razão é importante para impedir que a fé avance pelas vias do fundamentalismo e do exclusivismo, como se não houvesse nada de positivo fora de seu âmbito de irradiação. A fé, por sua vez, é importante para não deixar a razão se instrumentalizar por interesses ideológicos ou pessoais, proporcionando-lhe o direcionamento do olhar para o Bem infinito. Um exemplo de uma razão desviada é aquele vivido no século XX, com as duas Grandes Guerras. É também aquele do "capitalismo selvagem" e dos totalitarismos. Adorno e Horkheimer bem viram que o progresso alcançado pela razão foi também um progresso para o pior, da funda à bomba atômica. Fé e razão, mantendo-se na distinção, devem abrir-se uma à outra para que cada qual sej...

São Roque (resumo da vida)

São Roque viveu no século XIV. Aos 20 anos, órfão de pai e mãe, os quais lhe haviam deixado uma grande fortuna em herança, decide doar seus bens e fazer-se peregrino rumo a Roma. No caminho, encontra inúmeros contagiados pela Peste Negra, aos quais presta assistência. Em Roma, reza todos os dias sobre o túmulo de São Pedro. De volta à cidade natal, Montpellier, depois de ter curado milagrosamente várias pessoas infectadas, acaba contraindo a doença e retira-se em uma floresta, aonde um cão lhe levava alimento. Curado, chega a Montpellier, mas, não reconhecido, é detido e preso, suspeito de espionagem. Sua família fora governante da cidade. Morre no cárcere, resignado e entregue totalmente a Deus. Sua festa é celebrada no dia 16 de agosto.

Novo tempo-eixo?

O filósofo Karl Jaspers identificou na Antiguidade o que ele chamou de "tempo-eixo", um período de tempo entre 800 e 200 a.C., que, da Grécia até o Extremo Oriente, foi capaz de forjar o destino da história subsequente. O que caracterizou esse fecundo período, na verdade, foi a tomada de consciência de que o sentido do mundo não se encerra no próprio mundo. Rompendo com visões rigidamente cosmocên tricas, grandes individualidades na Grécia (os filósofos), em Israel (os profetas), na China e na Índia apontaram para uma Realidade metacósmica e nela viram o fundamento do mundo e do homem. Notadamente, o globo simbólico de nossa civilização ocidental foi constituído pelo encontro de duas experiências nascidas no tempo-eixo, a saber, a experiência da Revelação em Israel e a experiência da Ideia na Grécia. Em ambas as experiências, o homem e o mundo são remetidos a um fundamento transcendente, que não está simplesmente ao dispor das arbitrariedades e decisões humanas. No caso d...

Resumo de uma parte de um livro sobre moral

BRUGUÈS, Jean-Louis, Introduzione. Il ritorno della morale. In ____ Corso di teologia morale fondamentale . 1: Che cosa è la morale e a che serve, Edizioni Studio Domenicano, Bologna 2004, p. 9-42. Introdução O autor começa referindo-se à grande crise da moral vivida sobretudo a partir da onda libertária de 1968. Em um clima refratário à lei e amante da pura liberdade, a moral era vista como algo repressivo e limitante. Reivindicavam-se os direitos do homem, esquecendo-se, porém, de que sobre ele recaem também deveres. Atualmente, entretanto – o autor escreve nos anos 90 -, a moral retorna! A onda revolucionária não conseguiu as liberdades esperadas. Problemas como a AIDS, a pobreza e o desencanto com as ideologias rederam os homens mais comedidos em relação a uma fácil libertação que proviria do uso da pura liberdade. Mesmo as democracias, tão sonhadas pelas sociedades modernas, dão sinais de cansaço e apresenta problemas: o desinteresse dos jovens pela vida cívica, os escân...

Concílio Vaticano II : 50 anos

O Concílio Vaticano II está comemorando os 50 anos de sua abertura. Seus textos devem hoje ser relidos e meditados com seriedade. São ricos e conservam a atualidade. Como ensina Bento XVI, eles são a bússola a guiar a Igreja neste início do 3º milênio. Creio que os melhores frutos do concílio ainda estão por vir, mas para isso é preciso lê-lo e interpretá-lo seguindo as orientações fundamentais dos Papas, de João XXIII a Bento XVI. O Vaticano II não quis fundar uma nova Igreja, como muitos deram a entender nos anos de eferverscência pós-conciliar, mas apresentar a mesma fé de sempre de um modo renovado, isto é, em diálogo com o mundo moderno a quem se deve portar o Evangelho. A vida da Igreja é assim: sempre se renova dentro da relação fundamental com as origens.

Reencarnação ou ressurreição?

Muitos são levados a crer na reencarnação porque acham que ela pode explicar, com lógica férrea, o fato de uns viverem neste mundo em melhores condições do que outros. Assim, uns vêm de boas famílias, que lhes dão todas as condições para uma vida digna e feliz, enquanto outros ficam privados da educação mínima e da formação do caráter por não terem tido a sorte de nascerem no seio de uma família estruturada. Outros, muitos dos quais inocentes e gente que só faz o bem, são atormentados com terríveis sofrimentos corporais e psíquicos, morais e espirituais, sem que entendamos o porquê de uma situação aparentemente tão injusta. Os exemplos poderiam multiplicar-se, dando-nos a ver que a vida parece ser muito injusta com não poucos homens e mulheres. O relativo sucesso da doutrina reencarnacionista estaria em oferecer uma resposta a esse impasse, ensinando que as diversas sortes das pessoas neste mundo devem-se ao teor do comportamento moral que levaram em vidas passadas. Dizem q...