O Concílio Vaticano II está comemorando os 50 anos de sua abertura. Seus textos devem hoje ser relidos e meditados com seriedade. São ricos e conservam a atualidade. Como ensina Bento XVI, eles são a bússola a guiar a Igreja neste início do 3º milênio. Creio que os melhores frutos do concílio ainda estão por vir, mas para isso é preciso lê-lo e interpretá-lo seguindo as orientações fundamentais dos Papas, de João XXIII a Bento XVI. O Vaticano II não quis fundar uma nova Igreja, como muitos deram a entender nos anos de eferverscência pós-conciliar, mas apresentar a mesma fé de sempre de um modo renovado, isto é, em diálogo com o mundo moderno a quem se deve portar o Evangelho. A vida da Igreja é assim: sempre se renova dentro da relação fundamental com as origens.
Há momentos em que se tem a impressão de que a vida cristã contemporânea se tornou excessivamente ocupada consigo mesma. Multiplicam-se reuniões, planejamentos, projetos, estratégias pastorais, metodologias de gestão, técnicas de comunicação, iniciativas de visibilidade e eficiência. Em muitos ambientes eclesiais, parece haver uma preocupação constante com organização, desempenho e resultados. Em outros, observa-se uma forte centralidade da emoção religiosa: experiências afetivas intensas, entusiasmo devocional, busca de consolações espirituais e de sentimentos de pertença. Tudo isso possui seu lugar e sua legitimidade relativa. A Igreja, enquanto realidade histórica, necessariamente se organiza; e a experiência religiosa toca também a dimensão afetiva do ser humano. Contudo, permanece a pergunta: onde está o caminho da transformação interior? Onde está a busca silenciosa da união com Deus? Os grandes místicos cristãos recordam que o centro da vida espiritual não consiste nem na e...
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