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O mandato maior

A 7 de maio de 2005, o Papa Bento XVI tomou posse da Cátedra de São Pedro na Basílica do Latrão (Roma) e proferiu uma belíssima homilia, da qual destaco o seguinte trecho, que bem nos mostra a necessidade do Magistério do Papa e dos Bispos em comunhão com ele na Igreja de Cristo para a legítima interpretação das Sagradas Escrituras: "Onde a Sagrada Escritura é separada da voz viva da Igreja, torna-se vítima da controvérsia dos peritos. Sem dúvida, tudo o que eles têm para nos dizer é importante e precioso; o trabalho dos sábios é para nós um grande contributo para poder compreender a sua riqueza histórica. Mas a ciência sozinha não nos pode fornecer uma interpretação definitiva e vinculante; não é capaz de nos fornecer, na interpretação, aquela certeza com a qual podemos viver e pela qual podemos até morrer. Por isso é necessário um mandato maior, que não pode surgir unicamente das capacidades humanas. Por isso é necessária a voz da Igreja viva, daquela Igreja confiada a Pedro e ...

Dom Gil Antônio Moreira é o novo Arcebispo de Juiz de Fora

O Papa Bento XVI nomeou na manhã de quarta-feira, dia 28 de janeiro de 2009, o novo Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora: Dom Gil Antônio Moreira , até então Bispo Diocesano de Jundiaí, Estado de São Paulo. A posse está prevista para o dia 28 de março de 2009, às 14h30, na Catedral Metropolitana de Juiz de Fora. Dom Gil é natural de Itapecerica, MG. É Bispo desde 1999. Foi Bispo Auxiliar de São Paulo e, desde 2004, era Bispo Diocesano de Jundiaí. Sucede, agora, ao nosso querido Dom Eurico dos Santos Veloso, que por sete anos esteve à frente da Arquidiocese de Juiz de Fora. Até a posse de Dom Gil, Dom Eurico fica como Administrador Apostólico. A Dom Eurico nossa profunda gratidão pelos inúmeros trabalhos realizados. A Dom Gil Antônio Moreira desejamos, do fundo do coração, as boas-vindas e um fecundo ministério em nossa Arquidiocese. Seja bem-vindo, ó nosso pastor! . Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Santo Tomás de Aquino, mestre para o nosso tempo

A Santa Igreja hoje celebra a memória de Santo Tomás de Aquino (1225-1274), um dos maiores luminares da teologia católica. Santo Tomás tem muito a falar para o nosso tempo, tão marcado por desatinos e falta de orientação. Entre outras coisas, o grande mestre dominicano ensina a: a) Buscar com interesse a verdade divina e humana . A vida inteira de Tomás foi um ato contínuo de investigação sincera da verdade. Infelizmente, hoje são muitos os que não acreditam na possibilidade de se alcançar a verdade básica sobre Deus e sobre o homem. b) Ver a harmonia existente entre fé e razão , pois que Deus é, a um só tempo, o autor da fé e o fundamento da ordem racional. Infelizmente, hoje são muitos os que são ou fideístas (afirmam a fé, mas negam a razão) ou racionalistas (vêem a razão como única fonte confiável de conhecimento, excluindo a fé). c) Considerar a Igreja como a Casa da Verdade sobre Deus e o seu Cristo . Santo Tomás nutriu verdadeira fé na Igreja, vendo-a como um organismo instituíd...

Deus se revela

A Igreja sempre defendeu que Deus revelou-se positivamente na história dos homens, ao contrário do deísmo, que vê na Divindade algo um tanto quanto impessoal. Não se revelaria pessoalmente o Criador das pessoas? O Amor-Doação não se doaria ao homem? A Igreja sustenta que a Beleza infinita quer que participemos de seu esplendor, e, para tanto, manifestou-se na história para além daquilo que chamaríamos de revelação natural. A finalidade da Revelação de Deus na história é a elevação do homem à vida divina 1 , elevação essa que, ultrapassando as possibilidades meramente humanas, leva o ser humano a participar da felicidade absoluta no seio da Trindade eterna, que é o único Deus verdadeiro. Deus revela-se a si mesmo e o plano de sua vontade salvífica; ele, "levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos, e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber" 2 . A Revelação divina é histórica e progressiva, de modo que, tendo começado com os patr...

Sentenças de G. K. Chesterton

"Tornar-se católico não significa que se deixe de pensar, mas que se aprende a pensar.” *** . “Somente a ortodoxia católica fez o homem feliz: é como os muros postos ao redor de um precipício onde pode brincar uma porção de crianças.” . *** . “Uma coisa morta pode seguir a correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la.” . *** . “A verdade integral é, geralmente, a aliada da virtude; a meia verdade é sempre aliada de algum vício.” . *** . “O círculo é perfeito e infinito por natureza, mas ele está para sempre amarrado a suas dimensões, não podendo crescer ou diminuir, já que na sua definição o raio é constante. Mas a cruz, embora tenha no centro uma colisão e uma contradição, pode sempre estender os braços sem modificar sua forma. Pelo fato de abrigar um paradoxo em seu centro, a cruz pode crescer sem mudar. O círculo volta-se sobre si mesmo como prisioneiro. A cruz abre seus braços aos quatro ventos e serve de marco indicador aos viajantes livres.» . *** . “A dificulda...

Só Deus é o Sumo Bem

O homem, dentre todos os animais, é o único dotado de espiritualidade. Possui inteligência e vontade. Ao contrário dos brutos, ele nunca está satisfeito consigo mesmo. Sempre deseja algo mais. É o único que pode transcender sua própria situação existencial e almejar, sempre mais, a perfeição que ainda não atingiu. . Quem reflete, porém, percebe que nem mesmo as maiores conquistas que ele pode empreender nesta vida, como o poder, a riqueza, a honra, o sucesso profissional, etc, estão à altura de dar-lhe pleno deleite e repouso satisfatório. Na verdade, o ser humano aspira a um Amor verdadeiro sem mancha alguma de traição, a uma Beleza infinita sem mescla de fealdade, a uma Verdade sem sombras de erro; enfim, o ser humano deseja, do fundo do coração, o Sumo Bem ( Summum Bonum ), que, paradoxalmente, não pode encontrar nas criaturas ou nas coisas deste mundo, cujo amor, beleza, verdade e bem são sempre finitos e contraditados pelo respectivo contrário. Com efeito, o homem quer uma vida pl...

De rationibus fidei (Santo Tomás de Aquino) - Cap. VI

Capítulo VI Como se deve entender a afirmação de que Deus se fez homem: Quando afirmamos que Deus se fez homem, ninguém pense que isso queira dizer que Deus se tenha convertido em homem, assim como o ar se faz fogo quando em fogo se converte. Ora, a natureza de Deus é imutável. Os corpos é que se convertem um no outro. A natureza espiritual não se converte em natureza corpórea, mas pode unir-se-lhe de algum modo pela eficácia de seu poder, como a alma se une ao corpo. Embora a natureza humana conste de alma e corpo, a alma, contudo, não é de natureza corpórea, mas espiritual. Ora, toda criatura espiritual dista da simplicidade divina muito mais do que dista a criatura corporal da natureza espiritual. Assim como a natureza espiritual une-se à corporal pela eficácia de seu poder, de modo semelhante Deus pode-se unir tanto à natureza espiritual quanto à corporal, e segundo tal modo afirmamos que Deus uniu-se à natureza humana. Deve-se observar que é sobretudo o elemento principal de qualq...

De rationibus fidei (Santo Tomás de Aquino) - Cap. V

Capítulo V Qual foi a causa da encarnação do Filho de Deus: Com semelhante cegueira de espírito, impugnam a fé cristã por confessar que Cristo, Filho de Deus, morreu, não entendendo a profundidade de tão grande mistério. E para que a morte do Filho de Deus não seja perversamente entendida, antes é preciso dizer algo sobre a sua encarnação. Não dizemos que o Filho de Deus esteve sujeito à morte segundo a natureza divina, pela qual é igual ao Pai e que é a fonte de toda vida, mas segundo a nossa natureza, que assumiu na unidade da pessoa. Para considerar o mistério da divina encarnação, é preciso advertir que tudo o que age pelo intelecto opera pela concepção do intelecto, concepção que chamamos verbo, como é claro a respeito do construtor e de qualquer artífice, que opera exteriormente segundo a forma que concebe na mente. Sendo o Filho de Deus o próprio Verbo de Deus, conseqüentemente Deus fez todas as coisas através do Filho. Qualquer coisa é feita e reparada pela mesma razão: se, por...