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Instrução Dignitas Personae

 


A dignidade da pessoa humana segundo a Instrução 

Dignitas Personae

 (2008)




1. Introdução



A instrução Dignitas Personae, publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé em 8 de setembro de 2008 e aprovada pelo Papa Bento XVI, trata de questões bioéticas relacionadas à origem e à dignidade da vida humana. Seu objetivo é orientar a reflexão moral diante das novas possibilidades oferecidas pelas biotecnologias, especialmente aquelas ligadas à reprodução humana, à manipulação genética e à pesquisa com embriões. 


O documento procura formar as consciências e incentivar a pesquisa científica, desde que respeite a dignidade da pessoa humana, reconhecida desde a concepção até a morte natural. 


A instrução dirige-se não apenas aos católicos, mas também a médicos, cientistas, legisladores e a todos os que procuram a verdade sobre a vida humana. 





PARTE I




Fundamentos antropológicos, teológicos e éticos




1. A dignidade da pessoa humana



O princípio fundamental do documento é a dignidade inviolável da pessoa humana.


Segundo a doutrina cristã:


  • todo ser humano é criado à imagem de Deus;
  • cada vida humana possui valor próprio;
  • a pessoa nunca pode ser tratada como objeto ou instrumento.



Por isso, a vida humana deve ser respeitada desde o primeiro instante da existência.


A instrução afirma que o embrião humano:


  • não é um simples material biológico;
  • não é uma realidade em evolução rumo à pessoa;
  • já possui dignidade própria.



Esse princípio fundamenta todo o juízo moral do documento.





2. O significado da procriação humana



Na visão da Igreja, a transmissão da vida humana está ligada a duas dimensões inseparáveis:


  1. dimensão unitiva – o amor entre os esposos;
  2. dimensão procriativa – a abertura à geração da vida.



Essas dimensões estão ligadas ao ato conjugal, que é considerado o contexto digno da geração humana.


Consequentemente, qualquer técnica que substitua o ato conjugal ou transforme a geração humana em um processo técnico ou laboratorial levanta problemas éticos.





3. A ciência e a moral



A Igreja reconhece o valor da ciência e da medicina. O progresso científico pode trazer grandes benefícios para a humanidade, como:


  • cura de doenças
  • alívio do sofrimento
  • melhoria da qualidade de vida



Contudo, o progresso científico não é moralmente neutro.


Nem tudo o que é tecnicamente possível é eticamente aceitável.


Por isso, a bioética deve orientar a pesquisa científica a partir de princípios fundamentais:


  • dignidade da pessoa humana
  • respeito à vida
  • centralidade do bem do ser humano






PARTE II




Novos problemas ligados à procriação



A segunda parte da instrução analisa diversas técnicas relacionadas à reprodução humana.



1. Técnicas de ajuda à fertilidade



Algumas técnicas médicas são consideradas moralmente aceitáveis quando:


  • ajudam o ato conjugal
  • não substituem a união dos esposos
  • respeitam a vida humana



Exemplos incluem tratamentos que removem obstáculos à fertilidade.





2. Fertilização in vitro



A fertilização in vitro (FIV) consiste na fecundação do óvulo em laboratório.


Segundo o documento, essa prática apresenta problemas éticos porque:


  • separa a procriação do ato conjugal;
  • frequentemente produz vários embriões;
  • muitos desses embriões são destruídos ou descartados.



A instrução considera que isso implica uma instrumentalização da vida humana.





3. Congelamento de embriões



O congelamento de embriões (criopreservação) é criticado porque:


  • coloca os embriões em estado de abandono;
  • expõe a vida humana a riscos;
  • transforma o embrião em material biológico manipulável.



Além disso, muitos embriões congelados acabam sendo destruídos ou usados em experimentos.





4. Diagnóstico pré-implantatório



O diagnóstico pré-implantatório é um exame realizado em embriões produzidos em laboratório antes da implantação no útero.


Esse procedimento pode levar à seleção de embriões considerados “mais saudáveis”.


O documento considera essa prática problemática porque:


  • implica uma forma de seleção eugênica;
  • favorece a eliminação de embriões considerados imperfeitos.






5. Redução embrionária



Em casos de gravidez múltipla obtida por técnicas artificiais, às vezes ocorre a chamada redução embrionária, que consiste em eliminar alguns embriões para facilitar o desenvolvimento dos outros.


Segundo a instrução, essa prática constitui uma forma de aborto.





PARTE III




Novas propostas terapêuticas e manipulação genética



A terceira parte analisa questões relacionadas à manipulação genética e à pesquisa científica.





1. Terapia genética



A terapia genética consiste em modificar genes para tratar doenças.


O documento distingue dois tipos:



a) Terapia genética somática



  • modifica células do corpo
  • visa curar doenças



Pode ser moralmente aceitável quando respeita a pessoa e não envolve riscos desproporcionais.



b) Terapia genética germinal



  • altera os genes que serão transmitidos às futuras gerações.



Esse tipo de intervenção é considerado problemático porque pode:


  • modificar permanentemente o patrimônio genético humano;
  • produzir consequências imprevisíveis.






2. Clonagem humana



A clonagem consiste em criar um indivíduo geneticamente idêntico a outro.


O documento rejeita essa prática porque:


  • viola a dignidade da procriação humana;
  • reduz a pessoa a produto de laboratório;
  • rompe a relação entre geração e filiação.






3. Pesquisa com células-tronco



A instrução distingue dois tipos principais de células-tronco:



a) Células-tronco embrionárias



Obtidas a partir de embriões humanos, o que implica a destruição desses embriões.


Por esse motivo, o documento considera essa pesquisa moralmente ilícita.



b) Células-tronco adultas



Obtidas de tecidos do próprio organismo (medula óssea, cordão umbilical etc.).


Essas pesquisas são consideradas eticamente aceitáveis.





4. Hibridação e manipulação genética



O documento também critica experimentos que envolvem:


  • criação de híbridos entre espécies
  • manipulação radical do genoma humano



Essas práticas são vistas como incompatíveis com a dignidade da pessoa.





Conclusão



A instrução Dignitas Personae reafirma um princípio central da ética cristã:


toda vida humana possui dignidade inviolável desde a concepção até a morte natural.


Por isso, o progresso científico deve ser orientado por critérios éticos.


A ciência deve servir ao ser humano, e não transformar a vida humana em objeto de manipulação ou experimentação.


O documento propõe, portanto:


  • respeito absoluto pela vida humana nascente
  • promoção de uma ciência verdadeiramente humana
  • defesa dos mais frágeis, especialmente o embrião



Assim, a bioética cristã procura unir progresso científico e respeito pela dignidade da pessoa humana, promovendo uma cultura da vida.


_________



Questões sobre a Instrução 

Dignitas Personae




1.



Qual é o objetivo principal da Instrução Dignitas Personae publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé em 2008?





2.



Segundo o documento, por que a dignidade da pessoa humana deve ser reconhecida desde o momento da concepção?





3.



Explique a relação entre procriação humana e ato conjugal segundo a visão apresentada em Dignitas Personae.





4.



Por quais razões a instrução considera moralmente problemática a fertilização in vitro?





5.



O que é o diagnóstico pré-implantatório e por que o documento apresenta críticas éticas a essa prática?





6.



Explique por que o congelamento de embriões humanos é considerado eticamente problemático pela instrução.





7.



Qual é a diferença entre terapia genética somática e terapia genética germinal?





8.



Por que a instrução considera moralmente inaceitável a clonagem humana?





9.



Qual é a diferença ética entre o uso de células-tronco embrionárias e células-tronco adultas segundo o documento?





10.



Segundo Dignitas Personae, qual deve ser a relação entre progresso científico e dignidade da pessoa humana?




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