Pular para o conteúdo principal

Quem é Deus?

Muitos não acreditam em Deus porque o imaginam como um ente entre os entes do Universo, o ente mais sábio e poderoso. Há até quem o imagine como um ancião barbado. Nem eu acredito num “deus” assim. Deus não é um ente, ainda que o maior de todos. Ele é o Ser, que possibilita a existência de todo ente. Deus não tem uma palavra entre as muitas palavras do Universo. Ele é a Palavra que possibilita a existência e o sentido de toda palavra.

Deus está muito mais entre nós do que ao nosso lado, como se fosse um outro só um pouco mais alto do que nós. Embora nos transcenda infinitamente, Ele, na verdade, nos abarca a todos e, em virtude disso, nós mesmos somos (existimos) e nos comunicamos com inteligência. Deus não é o totalmente diverso de nós, ou o “totalmente Outro”, como certa teologia dialética o nomeou. Ele é infinitamente diverso, mas é também o mais próximo, pois que Deus é o Uno que possibilita a existência de nossa multiplicidade, e isso com alguma semelhança de si. Disse S. Paulo: "Nele vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dentre vossos poetas: ‘Também nós somos a sua linhagem’" (At 17, 28).

Pe. Elílio

Comentários

  1. Mais um belíssimo texto, que nos toca e nos faz sentir em paz. Sim, Deus é uno e nos completa. Como Criador, ELE vive em cada um de nós.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Deus é Trindade: uma abordagem filosófico-teológica

I. A questão terminológica: hypóstasis , persona e subsistência A afirmação cristã de que Deus é Trindade tem sido sistematicamente mal compreendida — tanto por seus críticos quanto, por vezes, por seus próprios professores — em razão de uma imprecisão no uso do conceito de pessoa. Quando os Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla (381) definiram a fé trinitária, recorreram ao vocábulo grego hypóstasis para designar aquilo que distingue o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Este termo, traduzido para o latim como persona e daí para as línguas modernas como “pessoa”, carrega um sentido técnico preciso que não deve ser confundido com o uso corrente do vocábulo: hypóstasis significa subsistência, isto é, aquilo que existe em si e por si, de modo estável e permanente, como modo real de ser de uma natureza. Dizer, portanto, que em Deus há três pessoas não equivale a afirmar que há três indivíduos distintos, três centros de consciência separados ou três divindades justapostas — o que seria...

Os graus do amor

São Bernardo de Claraval, Doutor da Igreja Sobre os graus do amor ( De gradibus amoris ) Texto inspirado em S. Bernardo  1. O amor de si. O homem ama a si mesmo, quer conservar e engrandecer a própria existência.  2. O homem vê que não se basta. Então começa a amar a Deus como fonte de benefícios. O homem ama a Deus por causa do que Deus pode proporcionar-lhe. Aqui estão todos os que usam Deus ou se servem de Deus. O centro ainda é o ego.  3. O homem começa a ver que Deus é digno de ser amado por si mesmo. A grandeza de Deus é fascinante. Sua beleza é arrebatadora. Ele é a Fonte de todo ser. Mas  aqui a Fonte começa a ser vista em sua própria grandeza. Deus é amável por aquilo que ele é, não por aquilo que faz. No segundo grau, o homem amava a Deus com a medida humana. Não podia receber Deus como Deus. Aqui no terceiro grau, a medida se alarga, e o homem se torna capaz de receber Deus como Deus, e de se transformar nele. Quem recebe Deus à medida divina é inevitavelm...

Padre Vaz e Wittgenstein

Pretendemos comparar as posições de Padre Vaz e Wittgenstein e emitir um juízo, ainda que breve, a partir da comparação. Cada um desses dois pensadores pertence a um mundo filosófico distinto, podemos dizer assim. Seus pressupostos são diversos. Principalmente por causa dessa diversidade de visão e de pressupostos é que muitos podem ver em cada qual um sistema filosófico fechado em seu próprio mundo e, portanto, não suscetível de adequada comparação. Esse, de fato, é um grande problema. Não obstante, tentaremos uma comparação, colocando-nos, de alguma maneira, a certa distância daquilo que faz de cada pensador um mundo mais ou menos fechado em si mesmo, o que nos permitiria ousar um breve juízo sobre a comparação. Nosso breve estudo adstringir-se-á ao tema do sujeito e da linguagem . Em primeiro lugar, tratemos do tema do sujeito. Para Wittgenstein há a distinção entre sujeito transcendental e sujeito empírico. Este não passa de um fato do mundo, enquanto aquele é o limite do ...