Pular para o conteúdo principal

Quem é Deus?

Muitos não acreditam em Deus porque o imaginam como um ente entre os entes do Universo, o ente mais sábio e poderoso. Há até quem o imagine como um ancião barbado. Nem eu acredito num “deus” assim. Deus não é um ente, ainda que o maior de todos. Ele é o Ser, que possibilita a existência de todo ente. Deus não tem uma palavra entre as muitas palavras do Universo. Ele é a Palavra que possibilita a existência e o sentido de toda palavra.

Deus está muito mais entre nós do que ao nosso lado, como se fosse um outro só um pouco mais alto do que nós. Embora nos transcenda infinitamente, Ele, na verdade, nos abarca a todos e, em virtude disso, nós mesmos somos (existimos) e nos comunicamos com inteligência. Deus não é o totalmente diverso de nós, ou o “totalmente Outro”, como certa teologia dialética o nomeou. Ele é infinitamente diverso, mas é também o mais próximo, pois que Deus é o Uno que possibilita a existência de nossa multiplicidade, e isso com alguma semelhança de si. Disse S. Paulo: "Nele vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dentre vossos poetas: ‘Também nós somos a sua linhagem’" (At 17, 28).

Pe. Elílio

Comentários

  1. Mais um belíssimo texto, que nos toca e nos faz sentir em paz. Sim, Deus é uno e nos completa. Como Criador, ELE vive em cada um de nós.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Instrução Dignitas Personae

  A dignidade da pessoa humana segundo a Instrução  Dignitas Personae  (2008) 1. Introdução A instrução Dignitas Personae, publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé em 8 de setembro de 2008 e aprovada pelo Papa Bento XVI, trata de questões bioéticas relacionadas à origem e à dignidade da vida humana. Seu objetivo é orientar a reflexão moral diante das novas possibilidades oferecidas pelas biotecnologias, especialmente aquelas ligadas à reprodução humana, à manipulação genética e à pesquisa com embriões.  O documento procura formar as consciências e incentivar a pesquisa científica, desde que respeite a dignidade da pessoa humana, reconhecida desde a concepção até a morte natural.  A instrução dirige-se não apenas aos católicos, mas também a médicos, cientistas, legisladores e a todos os que procuram a verdade sobre a vida humana.  PARTE I Fundamentos antropológicos, teológicos e éticos 1. A dignidade da pessoa humana O p...

Lei moral natural

  A doutrina da lei moral natural ocupa um lugar central na ética de Thomas Aquinas . Para ele, a moralidade humana não é simplesmente resultado de convenções sociais ou decisões arbitrárias, mas possui um fundamento na própria estrutura do ser humano, criado por Deus e dotado de razão. A lei natural exprime, portanto, a participação da criatura racional na ordem da sabedoria divina. 1. A lei em geral segundo Santo Tomás Santo Tomás define a lei na Summa Theologiae (I–II, q. 90, a. 4) da seguinte maneira: “Lex nihil aliud est quam quaedam rationis ordinatio ad bonum commune, ab eo qui curam communitatis habet promulgata.” (A lei não é outra coisa senão uma ordenação da razão para o bem comum, promulgada por quem tem o cuidado da comunidade.) Essa definição contém quatro elementos essenciais: Ordenação da razão – a lei não é fruto de pura vontade arbitrária, mas de racionalidade. Direção ao bem comum – a finalidade da lei é sempre o bem da comunidade. Autoridade le...

Sexualidade humana: verdade e significado

  Sexualidade Humana: Verdade e Significado Orientações para a educação da sexualidade na família Introdução A sexualidade humana é uma dimensão fundamental da pessoa. Ela não pode ser reduzida a um simples fenômeno biológico ou instintivo, pois envolve a totalidade do ser humano: corpo, afetividade, inteligência e liberdade. Por isso, compreender a sexualidade humana exige inseri-la dentro de uma visão integral do homem e de sua vocação ao amor. O documento “Sexualidade Humana: Verdade e Significado”, publicado pelo Conselho Pontifício para a Família em 1995, oferece orientações sobre a educação da sexualidade, especialmente no âmbito da família. Seu objetivo principal é ajudar pais e educadores a transmitir aos jovens uma compreensão verdadeira e digna da sexualidade, fundada na dignidade da pessoa humana e na vocação ao amor. Segundo esse documento, a educação sexual não deve limitar-se à transmissão de informações biológicas. Ela deve ser, antes de tudo, educaçã...