Você sabia que o filósofo alemão Frederich Nietzsche (1844-1900) dizia que há dois tipos de dor na realidade humana? Sim, ele dizia que há uma dor da qual nenhum ser humano pode escapar e há uma outra cuja grandeza, proporção e intensidade estão nas nossas mãos, sob o nosso domínio. A primeira deriva da nossa finitude. Sempre nos veremos às voltas com a doença, com o envelhecimento, com as más surpresas do acaso, enfim, com tudo aquilo que é inevitável ao nosso ser finito e temporal. Não podemos tudo nem podemos sempre. Somos naturalmente limitados. O segundo tipo de dor diz respeito às interpretações que damos ao primeiro. Tais interpretações são crenças que geramos em nosso interior e que aplicamos ao modo de ver e de relacionar-se com a nossa condição finita. Haverá quem interprete a sua dor como culpa, azar, resultado de forças maléficas, etc, o que pode levar o sujeito a sofrer grandemente. Às vezes as nossas crenças parecem tão naturais que não nos damos conta de que são fabricadas por nós e estão sob o nosso domínio. O que se deve fazer, então, é jogar para bem longe as crenças que nos fazem mal, que paralisam a vida, exercendo sobre elas o nosso poder de derrotar a dor, aquela que nós criamos.
O episódio ocorrido na noite de Natal deste ano na Basílica de São Pedro em Roma é, de certa forma, um símbolo dos tempos atuais. O Papa, Vigário de Nosso Senhor Jesus Cristo na Terra, cai. A mitra, símbolo de sua autoridade, rola no chão. A férula, que representa a sua missão de pastor universal, é derrubada pelo homem moderno, desorientado, confuso e como que fora-de-si. Louca ou não, a jovem de 25 anos que provocou o incidente bem representa o mundo de hoje, que joga por terra a autoridade e as palavras do Romano Pontífice, que, na expressão da grande Santa Catarina de Siena, é «o doce Cristo na Terra». A jovem é louca? Não sei. Mas sei que o é, e muito, o mundo que rejeita Deus e o seu Cristo para abraçar o vazio e caminhar nas trevas. Bento XVI se ergue rápido e continua seu caminho. Celebra a Santa Missa, que é o que há de mais sublime sobre a face da Terra, rende o verdadeiro culto a Deus e conserva-se em seu lugar, como pastor colocado à frente do rebanho pelo Pastor Eterno, ...
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