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A liturgia no pensamento de Bento XVI (Parte II)

Giles D. Dimock

(Tradução: Pe. Elílio Júnior)

O Missal de Paulo VI

A reação de Ratzinger à introdução do Missal de Paulo VI foi, de certa maneira, negativa, mas não totalmente. A proibição do Missal de Pio V o entristeceu (na realidade, este Missal era apenas uma restauração do Missal do Rito Romano usado desde os tempos de São Gregório Magno). Ratzinger considerou tal evento como um ponto fraco na prática, e aqui já vemos uma antecipação do Motu Proprio que publicaria como Papa. Sustentava que muito de quanto devia ser preservado tivesse sido cancelado e que muitos tesouros tivessem desaparecido na nova liturgia criada por uma comissão, e frequentemente celebrada de modo descuidado e privo de qualidades artísticas. Por isso, quem critica a atual liturgia como banal em uma comunidade autocelebrativa não necessariamente é integralista. A crítica ratzingeriana diz respeito ao fato de que «a liturgia não é celebrada de modo que faça resplandecer o dado do grande mistério de Deus no meio de nós mediante a ação da Igreja». A Igreja nos dá o ritual, mas não pode gerar o poder ou a energia operante em tais ritos; é, na verdade, um Outro que age. Nós podemos participar real e pessoalmente do ato litúrgico, muitas vezes, em profundo silêncio. Participamos do mistério que permanece incompreensível.


No seu livro «La festa della fede», Joseph Ratzinger afirma que reconhece o mérito do novo Missal de Paulo VI pelas novas preces e prefácios, muitos dos quais provenientes de outros ritos ocidentais: o galicano, o mozarábico e o ambrosiano. Considera equivocadas as preces do ofertório da Missa antiga, na medida em que tendiam a identificar a oferta do Sacrifício de Cristo com esta parte da Missa, em vez da própria consagração. Ratzinger criticava sobretudo o modo não tradicional de interpretar a nova liturgia, com uma hermenêutica feita mais de descontinuidade do que de continuidade. Alegrou-se, por isso, com o indulto do Papa João Paulo II, que ele talvez tenha querido levar adiante com o seu Motu Proprio

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