A Igreja anuncia há dois milênios a alegre mensagem da ressurreição de Jesus. É a resposta de Deus à inquietação de Jó e a todos os males do mundo. Apesar de o sofrimento ser às vezes grande, a alegria é maior e sempre tem a última palavra. "Diligentibus Deum omnia cooperantur in bonum" (Rm 8,28). Com efeito, para os que amam a Deus, ao fim e ao cabo, aconteça o que acontecer, a vida vai dar certo. A Igreja maravilhosamente renasce e se alimenta dessa fé no Deus que ressuscitou Jesus e nos prepara a glória celeste.
I. A questão terminológica: hypóstasis , persona e subsistência A afirmação cristã de que Deus é Trindade tem sido sistematicamente mal compreendida — tanto por seus críticos quanto, por vezes, por seus próprios professores — em razão de uma imprecisão no uso do conceito de pessoa. Quando os Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla (381) definiram a fé trinitária, recorreram ao vocábulo grego hypóstasis para designar aquilo que distingue o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Este termo, traduzido para o latim como persona e daí para as línguas modernas como “pessoa”, carrega um sentido técnico preciso que não deve ser confundido com o uso corrente do vocábulo: hypóstasis significa subsistência, isto é, aquilo que existe em si e por si, de modo estável e permanente, como modo real de ser de uma natureza. Dizer, portanto, que em Deus há três pessoas não equivale a afirmar que há três indivíduos distintos, três centros de consciência separados ou três divindades justapostas — o que seria...
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