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Mostrando postagens de julho, 2024

Somos uma restrição do ser de Deus

Nossa essência é somente “parte” metafísica da essência de Deus. Se nossa essência fosse a dele, seríamos o Ipsum Esse subsistens . A mesma coisa: nosso ser é somente “parte” metafísica do ser de Deus: se nosso ato de ser fosse o dele, seríamos o Ipsum Esse Subsistens .  Por isso, fora de Deus, todo ente é composto de inteligibilidade (essência) e ato de ser (ato da essência ou efetividade). Uma inteligibilidade limitada não pode existir por si e em virtude de si. Só a inteligibilidade absoluta existe por si e em virtude de si. Um ato de ser limitado não pode existir por si e em virtude de si. Só o ato de ser puro existe por si e em virtude de si.  Assim, nós criaturas precisamos, para ser, derivar nossa inteligibilidade parcial da inteligibilidade absoluta de Deus, e precisamos ainda de que essa inteligibilidade parcial, que de per si não pode existir, receba a efetividade ou o ato de ser, que a faz ser inteligível em ato e existir. Somos uma restrição de Deus.  O que ...

O ser como ato e a essência

O ser como ato ( actus essendi ) traz em si a inteligibilidade (essência) e a efetividade (a enérgeia suprema) numa unidade superior à da mera inteligibilidade (essência). Se a essência é o ato da matéria, o ato de ser é o ato da essência. S. Tomás do que o ato de ser é a perfeição das perfeições, o ato de todos os atos. O ato de ser é outro, mas não é totalmente outro em relação à essência, como se fosse a mera existência em sua diversidade da essência. Ele é um outro (metafísico) em relação à mera inteligibilidade da essência, mas não à inteligibilidade da essência como tal . O ato de ser é o coroamento da essência. Se a essência é a mera inteligibilidade, o ato de ser é a efetividade que suprassume a inteligibilidade ou a inteligibilidade suprassumida pela efetividade. O ser como ato é a essência efetivada ou dotada do ato que a faz ser efetivamente.  Fabro usa o conceito de “emergência” para falar do ato de ser. O ato de ser emerge sobre a inteligibilidade, não a negando, nem...

Metafísica e metáfora

Suponhamos que exista um filósofo que atingiu um conhecimento insuperável. Ninguém pode ultrapassá-lo. Ele comunica o seu conhecimento aos discípulos, que, por não poderem receber todo o saber do mestre, recebem parte dele.  Ora, ao comunicar o conhecimento, o mestre insuperável não perdeu nada do que tinha, pois o conhecimento não tem partes físicas.  Ao receber o conhecimento, os discípulos não aumentaram em nada a soma do conhecimento total, pois o conhecimento do mestre mais o conhecimento dos discípulos não são mais do que o conhecimento insuperável do mestre.  Cada discípulo recebeu o conhecimento do mestre segundo a sua capacidade.  Esta é uma boa metáfora para falar da metafísica de S. Tomás.  O Ser, que é Deus, não pode receber acréscimo, pois é o Ser em plenitude. Ao criar o mundo, ele comunica o ser aos entes, que, por não poderem receber todo o ser, recebem parte dele. Os entes participam do Ser.  Ora, ao comunicar o ser, o Ser não perde nada se...

Trindade divina: uma só realidade em três modos de subsistência

 Por sugestão de um amigo, que me pedia uma ilustração sobre o mistério da Trindade em Deus, escrevo o seguinte texto:  O último pensamento de S. Tomás sobre a Trindade em Deus está muito próximo do que foi defendido por K. Rahner no século XX.  Rahner defendeu que em Deus há três modos de subsistência . Alguns o querem acusar de modalismo, mas, a meu ver, sem razão.  O modalismo não defende a subsistência dos modos distintos, mas modos sem subsistência, modos econômicos, por assim dizer temporais, em relação a nós. Deus seria chamado de Pai, Filho e Espírito porque se teria mostrado como Pai, Filho e Espírito na história, para nós, mas em si mesmo seria simplesmente Deus. O modalismo tira a trindade da essência eterna de Deus.   O entendimento de Rahner é bem outro. Os modos em Deus são subsistentes, constitutivos da essência divina. E, assim, existem na eternidade de Deus. Subsistem na sua distinção e mútua relação. São o próprio Deus.  Rahner ressalta so...