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A mística: deixar-se perder na divindade

A mística, que é o fim supremo da vida cristã, não tem nada a ver com aparições, visões, êxtases ou fenômenos extraordinários. Se acontecem essas coisas, trata-se de algo secundário, que não constitui a essência mesma da mística. Esta é um perder-se na divindade, um deixar- se absorver no oceano sem limites do Ser (pelagus essendi), que é também Amor (ignis ardens caritatis). A mística pode adquirir feições mais intelectuais, mais afetivas ou mais práticas, mas em uma forma ou outra sempre terá a dimensão da visão: é preciso estar consciente da quase fusão com a divindade, vendo com os olhos da alma a sua Beleza; a dimensão do coração: a união com o Absoluto é tão transformante que reordena os afetos da alma, que se concentra tanto na fonte do Amor (ignis originarius) que acaba quase não mais sentindo aquela necessidade própria do homem de receber dos outros algum afeto para que possa transmitir afeto; a alma se sente plena e transbordante do afeto divino; e a dimensão do agir: a união da alma com o Absoluto reverbera nas atitudes e na ação. 

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