Você sabia que, segundo o filósofo alemão Martin Heidegger, existe uma diferença, que, segundo ele, passou despercebida pelos filósofos em geral, entre o ente e o seu ser? O ente é o que está aí, diante de nós. Mas o ser do ente, o que é? Para Heidegger é a luz sob a qual enxergamos o ente. O ente só se mostra na luz do seu ser. Essa luz se dá ou se oferece a nós e não permanece sempre a mesma. Por isso Heidegger falou de uma "história do ser". O interessante neste pensador alemão é que ele nos faz perceber que nem sempre somos conscientes da luz que nos faz enxergar os entes. Esquecemos o ser e consagramos o ente como se ele fosse a última palavra. Heidegger ensina a andar além ou, o que é o mesmo, dar um passo para trás para ver a luz que faz com que o ente seja.
I. A questão terminológica: hypóstasis , persona e subsistência A afirmação cristã de que Deus é Trindade tem sido sistematicamente mal compreendida — tanto por seus críticos quanto, por vezes, por seus próprios professores — em razão de uma imprecisão no uso do conceito de pessoa. Quando os Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla (381) definiram a fé trinitária, recorreram ao vocábulo grego hypóstasis para designar aquilo que distingue o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Este termo, traduzido para o latim como persona e daí para as línguas modernas como “pessoa”, carrega um sentido técnico preciso que não deve ser confundido com o uso corrente do vocábulo: hypóstasis significa subsistência, isto é, aquilo que existe em si e por si, de modo estável e permanente, como modo real de ser de uma natureza. Dizer, portanto, que em Deus há três pessoas não equivale a afirmar que há três indivíduos distintos, três centros de consciência separados ou três divindades justapostas — o que seria...
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