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Fé ou crença em milagres?

Fé e crença em milagres são duas coisas diversas, ainda que possam ter pontos de ligação entre si. A fé é o ato voluntário pelo qual em me entrego a Deus, aceitando-o em minha vida. A fé comporta um compromisso com Deus e com os irmãos, uma renovada visão de mundo e uma vida pautada pelos ideias de justiça, amor e misericórdia. A crença em milagres é outra coisa. Em si mesma, diz respeito a admitir como possível uma intervenção extraordinária da divindade no nosso mundo, em geral para livrar alguém de uma aflição ou de um problema.

A fé pode comportar a crença em milagres? Sim, pode, mas o que caracteriza a fé é a aceitação existencial de Deus na vida, que a muda e transforma, como foi dito. O diapasão de quem tem fé é o compromisso com um novo estilo de vida, com o ser sal da terra e luz do mundo, como dizia Jesus. Aqui o milagre pode acontecer e pode até reforçar a fé, mas não é o principalmente procurado. A fé, com efeito, induz a procurar o Reino de Deus e a sua justiça em primeiro lugar.

Para quem não tem fé ou a tem somente em forma ainda imatura, a crença em milagres pode assumir a dianteira. Aqui Deus é visto como aquele que me tira de uma complicação, mas não como quem muda e transforma a minha vida em todas as suas circunstâncias. O procurado é o milagre de Deus, não Deus em si mesmo. A crença em milagres sem a fé devida pode se manifestar como o perfeito reverso da religião. Isso mesmo! Se religião é a submissão à vontade de Deus, a crença em milagres sem a devida fé constitui a artimanha que tenta submeter Deus à vontade do homem.

Em tempos em que milagres são oferecidos nos cultos, nas missas e nas grandes manifestações de “fé”, fica bem refletir sobre o tema com atenção. Como saber se tenho fé ou somente crença em milagres? A primeira coisa a observar é esta: onde está meu principal intento? Quero apenas um milagre para transformar uma situação isolada da vida ou quero conversão para transformar a vida em qualquer situação em que ela se encontre?

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