Pular para o conteúdo principal

É rico o Vaticano?

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Certa vez, um amigo me perguntou o que se deveria responder àqueles que censuram a S. Igreja de ser muito rica, de modo especial o Vaticano. Eis um esboço de resposta:

O Vaticano não é rico. Frequentemente as contas fecham no vermelho. O dinheiro que chega ao Papa é, em grande parte, proveniente de doações.

Outra coisa são as obras de arte que estão em posse da Igreja no Vaticano, como os edifícios/arquitetura, estátuas, pinturas.... Essas tem um valor inestimável. Nem se pode calcular. Tais obras foram se acumulando ao longo da história da Igreja e hoje o Papa não pode se desfazer delas, nem seria desejável. Trata-se de bens culturais, que foram até proclamados "Patrimônio Comum da Humanidade".

A arte que vemos nas posses da Igreja pelo mundo inteiro é um modo que o espírito e a religiosidade de nossos antepassados encontraram de louvar a Deus. Hoje se louva o dinheiro e o consumo desenfreado. Quais são hoje os mais belos prédios de uma cidade? Os bancos e os shopping centers, o que mostra muito bem para onde o espírito do homem sem Deus está voltado em primeiro lugar: Mammona, dinheiro.

Eu, sinceramente, preferiria que ainda fossem as igrejas os prédios mais belos. As nossas igrejas são casas comuns, casas de fraternidade, casas da família de Deus na Terra, onde entram os ricos e os pobres, onde nos tornamos iguais em dignidade e comemos do mesmo Pão. A beleza das igrejas é a beleza dos pobres, sobretudo deles, que muitas vezes não podem entrar nos bancos ou nos shoppings.

Comentários

  1. Então a Igreja deveria vender suas obras de arte para "acabar com a fome no mundo" (como se a venda fosse acabar com a fome no mundo, e como se ela não fossem quem mais faz pelos pobres)?
    Mas... quem as compraria??
    O MET, de Nova York? O Louvre? O British Museum??
    Então por que essas instituições não aplicam o dinheiro que usariam para comprar as obras de arte do Vaticano e dão diretamente aos famintos???

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A Bíblia defende a submissão da mulher ao homem?

  O livro The Sexual Person: Toward a Renewed Catholic Anthropology , de Todd A. Salzman e Michael G. Lawler, aborda a questão da dominação do homem sobre a mulher na Bíblia de forma crítica e contextualizada. Os autores exploram como as Escrituras refletem as normas culturais de suas épocas e argumentam que a tradição cristã deve discernir entre elementos históricos condicionados e princípios universais de moralidade e dignidade humana (8,6). ⸻ 1. A Bíblia defende a dominação do homem sobre a mulher? A resposta, segundo os autores, depende de como se interpreta a Bíblia. Existem textos que podem ser usados para sustentar uma visão hierárquica entre os sexos, mas também há passagens que sugerem uma relação de igualdade e dignidade mútua. O livro analisa essas duas perspectivas dentro do desenvolvimento da teologia cristã. 1.1. A visão subordinacionista Essa perspectiva entende que a Bíblia estabelece uma ordem natural em que o homem lidera e a mulher lhe deve submissão. Os principa...

Se Deus existe, por que o mal?

O artigo ( leia-o aqui ) Si Dieu existe, pourquoi le mal ?,  de Ghislain-Marie Grange, analisa o problema do mal a partir da teologia cristã, com ênfase na abordagem de santo Tomás de Aquino. O autor explora as diversas tentativas de responder à questão do mal, contrastando as explicações filosóficas e teológicas ao longo da história e destacando a visão tomista, que considera o mal uma privação de bem, permitido por Deus dentro da ordem da criação. ⸻ 1. A questão do mal na tradição cristã A presença do mal no mundo é frequentemente usada como argumento contra a existência de um Deus onipotente e benevolente. A tradição cristã tem abordado essa questão de diferentes formas, tentando reconciliar a realidade do mal com a bondade e a onipotência divinas. 1.1. A tentativa de justificar Deus Desde a Escritura, a teologia cristã busca explicar que Deus não é o autor do mal, mas que ele é uma consequência da liberdade das criaturas. No relato da queda do homem (Gn 3), o pecado de Adão e E...

As “moradas” de S. Teresa d’Ávila

As “sete moradas” são a grande imagem espiritual usada por Santa Teresa de Ávila em O Castelo Interior para descrever o caminho da alma até a união plena com Deus. Ela compara a alma a um castelo de cristal, com muitas moradas (ou “aposentos”), no centro do qual habita Deus. O itinerário é um progresso da vida espiritual, da conversão inicial até a união mística. Aqui está um resumo de cada uma: 1ª Morada – Entrada no Castelo  • A alma começa a tomar consciência de Deus.  • Ainda presa ao pecado, às distrações e vaidades.  • É o despertar para a vida espiritual, mas sem firmeza. 2ª Morada – Início da oração e luta espiritual  • A alma começa a rezar mais e a ouvir o chamado de Deus.  • Há luta entre os apegos mundanos e o desejo de avançar.  • A oração torna-se mais regular, mas ainda difícil e cheia de distrações. 3ª Morada – Vida de virtude  • A alma já vive com esforço as virtudes (humildade, caridade, fé, esperança).  • Há uma estabilidade ma...