sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Confiar e trabalhar. Sobre a tragédia no Haiti

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Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Diante do terremoto que sacudiu o Haiti, provocando milhares de mortes e prejuízos incalculáveis, a nossa reação de cristãos deve ser pautada pela solidariedade efetiva para com os sofredores e pela confiança em Deus. "Não é hora para desânimo", disse o Cardeal Arns referindo-se à morte de sua irmã, a benemérita Dra. Zilda Arns, provocada pelo desastre.

O mundo da natureza é regido por leis próprias. Deus, na verdade, deu autonomia à natureza e a seu funcionamento. A causa do terrível terremoto pode, assim, ser explicada pelo recurso às leis naturais. Aliás, por se falar em natureza, é necessário aprender a cuidar melhor do meio ambiente, o nosso lar comum neste mundo. Ainda que, no caso do Haiti, não haja ligação entre a interferência humana no mundo natural e o terremoto, em muitos casos a natureza pode se mostrar "irritada" em virtude abusos do homem.

Entretanto, mesmo gozando da autonomia que lhes é própria, as leis da natureza, bem como nossa história coletiva e particular, estão, em última análise, nas mãos de Deus. E Deus, conforme ensinava sabiamente Santo Agostinho, jamais permitiria o mal se não pudesse dele tirar um bem maior. Confiemos!

Em termos bem concretos, nossa atitude, num momento dramático como este, não deve ser a de querer decifrar os insondáveis desígnios reservados à história, mas, sim, a atitude de ajudar efetivamente os que sofrem, confiando sempre em Deus. Confiar como se tudo dependesse de Deus e trabalhar como se tudo dependesse de nós - eis o grande princípio norteador da vida cristã.

Obs.: Dom Gil, Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, determinou que seja feita, em todas as paróquias da arquidiocese, nas Missas dos dias 23 e 24 de janeiro, uma coleta especial em favor do povo do Haiti. Colaboremos! Dom Gil celebrou, no dia 14 de janeiro, na Catedral, uma Missa pelas vítimas do terremoto, de modo particular pelo descanso eterno da Dra. Zilda Arns, a quem expressamos nosso reconhecimento pela fé que demonstrava e pela obra social que desenvolvia.

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