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A fé na criação e a Teoria Evolucionista

Joseph Ratzinger em “Dogma e Anúncio” Quando, em meados do século XIX, Charles Darwin desenvolveu a idéia da evolução de todos os seres vivos, questionando assim radicalmente a concepção tradicional da constância das espécies criadas por Deus, desfechou uma revolução da imagem do mundo que em alcance não fica atrás daquela que para nós está ligada ao nome de Copérnico. Apesar da revolução copernicana que destronou a Terra, alargando sempre mais para o infinito as dimensões do Universo, no conjunto, tinha ficado de pé o arcabouço firme da antiga imagem do mundo, o qual continuava a ser afirmado sem mudança, principalmente em relação ao limite temporal de seis mil anos calculado segundo as cronologias bíblicas. Algumas observações podem ilustrar a naturalidade hoje quase inimaginável com que então se retinha o quadro temporal estreito da imagem bíblica do mundo. Quando Jacó Grimm publicou em 1848 sua “História da língua alemã”, para ele a idade de seis mil anos da humanidade era uma ...

Semana Nacional da Vida

O Cardeal Newman e a busca da verdade

Entrevista a Cristina Siccardi, biógrafa do futuro beato Por Carmen Elena Villa TURIM, sexta-feira, 3 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – Depois de viajar cinco horas debaixo de chuva, a 8 de outubro de 1845, o sacerdote passionista Domenico Barberi encontrou-se com o então pastor anglicano John Henry Newman (Londres, 1801- Birmingham, 1890), que lhe pediu que o acolhesse nos braços da Igreja católica, depois de décadas de busca na teologia e filosofia. O cardeal Ratzinger, em 1990, escreveu, a propósito do centenário da morte de Newman: “foi sua consciência que o conduziu dos antigos laços e das antigas certezas para o difícil e estranho mundo do catolicismo”. E será agora o Papa Bento XVI que o beatificará em Coventry, centro da Grã-Bretanha, no dia 19 de setembro, durante sua viagem à Inglaterra. Sobre a vida e inquietações de Newman, em que sempre estiveram entrelaçadas fé e razão, ZENIT entrevistou a escritora italiana Cristina Siccardi, autora do livro  Nello specchio del ...

Padre Vaz e a "rememoração" da metafísica tomásica

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Um dos grandes temas presentes na obra do Padre Vaz é, indiscutivelmente, a metafísica. Ao lado de temas de primeira grandeza que figuram em seus escritos, tais como a história, a cultura, a ética e a antropologia, aparece a metafísica, e a ela Padre Vaz sempre se refere como uma questão decisiva para o pensar filosófico, de modo a deixar claro que seu pensamento constitui-se a partir de uma decidida opção pela metafísica. [1] Sabemos que não é fácil dar uma definição de metafísica, uma vez que o termo assume diversos significados segundo os diversos autores e épocas diversas. No entanto, podemos ver que, para o Padre Vaz, existe uma unidade fundamental na compreensão da metafísica a partir da visão do itinerário por ela percorrido, desde suas origens na Grécia antiga, em via ascendente, até o alto cimo que atingiu com o pensamento de Santo Tomás de Aquino e sua metafísica do esse (metafísica do ato de existir ). Depois de ter atingido o seu pont...

A Palavra de Deus é uma só

Padre Elílio de Faria Matos Júnior A Palavra de Deus, meu irmão e irmã, é uma só, e foi gerada pelo Pai antes da fundação do mundo, isto é, desde toda eternidade. Esta Palavra é, portanto, eterna e incriada. Ela é a sabedoria de Deus. São João chega a dizer: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus” (Jo 1,1). Vejamos, pois, a importância e a dignidade da Palavra: “A Palavra era Deus” . Nós, seres humanos, dizemos muitas palavras, porque somos limitados e não conseguimos dizer tudo por meio de uma só palavra. Mas Deus é diferente. Ele diz tudo por meio de uma só Palavra, gerada desde toda a eternidade. A Palavra é seu Filho amado. E essa Palavra é pronunciada pelo Pai no silêncio de sua riquíssima vida interior, de modo que, para ouvi-la, devemos silenciar as muitas palavras que agitam e inquietam o nosso coração. São João da Cruz, grande místico da Igreja, nos ensina que “o Pai  diz  uma  Palavra  que  é  seu ...

Dízimo: fundamentos antropológicos e escriturísticos

1 PONTO DE PARTIDA: A RELIGIOSIDADE HUMANA Para se falar de dízimo, é preciso, antes de tudo, considerar uma verdade de ordem antropológica e histórica: o homem sempre se viu na necessidade de oferecer algo à Divindade, de desfazer-se mesmo de algum bem seu para consagrá-lo a Deus. Na verdade, o dízimo bíblico é apenas uma das formas pelas quais o homem tem expressado esse seu relacionamento com a Divindade. Outras formas historicamente detectáveis ao longo dos tempos são: o oferecimento das primícias, o pagamento de impostos ou tributos religiosos, os sacrifícios, os votos e promessas, obras de arte, etc. O homem é um ser naturalmente religioso, isto é, o intercâmbio com a Divindade sempre caracterizou o seu modo de ser em todos os tempos e culturas: sejam mencionados os agradecimentos pelos benefícios, os pedidos de favores, de reconciliação, o reconhecimento da bondade divina, a atenção à vontade do alto... Tudo isso podemos encontrar onde quer que o homem se tenha fe...