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Criação "ex nihilo"

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Em Deus, e somente em Deus, essência e existência identificam-se. Deus é o puro ato de existir ( Ipsum Esse ), sem sombra alguma de potencialidade. Ele é a plenitude do ser. Nele, todas as perfeições que convém ao ser, como a unidade, a verdade, a bondade, a beleza, a inteligência, a vontade, identificam-se com sua essência, de tal modo que podemos dizer: Deus é a Unidade mesma, a Verdade mesma, a Bondade mesma, a Beleza mesma... Tudo isso leva-nos a dizer que, fora de Deus, não há existência necessária. Não podemos dizer que fora de Deus exista um ser tal que sua essência coincida com sua existência, pois, assim, estaríamos afirmando um outro absoluto, o que é logicamente impossível. Pela reflexão, pois, podemos afirmar que em tudo que não é Deus há composição real de essência (o que alguma coisa é) e existência (aquilo pelo qual alguma coisa é). A essência do universo criado não implica sua existência, já que, se assim fosse, o universo, contingen...

Bento XVI: quatro anos de pontificado

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Há exatos quatro anos subia ao sólio pontifício Joseph Ratzinger com o nome de Bento XVI, depois de uma das  eleições mais rápidas da história dos conclaves. Bento XVI tem feito do anúncio da primazia de Deus o eixo de seu pontificado. Não de um deus qualquer, mas do verdadeiro Deus, Aquele se mostrou a nós com um rosto humano em Jesus de Nazaré. Um mote que figura na Regra de São Bento de Núrsia, a quem muito o Papa Bento XVI admira, a ponto de trazer o seu nome – Benedictus - , diz:   Nihil Christo anteponere – Nada antepor a Cristo. A grande mensagem de Bento XVI não tem sido outra. Pois o Papa sabe que longe de Cristo o homem se desorienta e se perde. Nesse sentido, disse em recente carta aos bispos do mundo inteiro: “Conduzir os homens a Deus, ao Deus que fala na Bíblia: essa é a prioridade suprema da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo” . Os últimos meses têm sido os mais difíceis para o atual pontificado. As palavras e atitudes do Papa...

A cruz de Cristo, nossa salvação

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Hoje é Sexta-feira Santa, dia em que a Santa Igreja comemora ( commemorat ) a paixão e morte de Nosso Senhor. A meditação piedosa desse evento ao mesmo tempo doloroso e salvador é de grande proveito para o progresso da vida espiritual. Santo Tomás ensina que na imagem do Crucificado está presente, como num compêndio, todo um programa de vida espiritual: “Quem quiser viver perfeitamente não deve fazer outra coisa senão desprezar o que Cristo desprezou na cruz, e desejar o que nela Ele desejou. Nenhum exemplo de virtude está ausente da cruz” ( In Symbolum Apostolorum expositio , art. 4). De fato, na cruz de Cristo vemos a caridade suprema, a paciência confiante, a obediência resoluta... Virtudes essas pelas quais Cristo cancela o pecado do homem, que consiste exatamente no movimento inverso à caridade, à paciência, à obediência... Sim; na cruz Cristo não apenas nos deu um grande exemplo de virtude, mas também cancelou o pecado do homem, de...

Santo Agostinho

Santo Agostinho é um dos maiores luminares da Igreja, uma das inteligências mais lúcidas da humanidade. De mãe cristã (Santa Mônica) e pai pagão, nasceu no ano de 354 em Tagasta, África. Espírito inquieto, procurou a felicidade por muitas vias, inclusive na sensualidade, mas só a encontrou na mensagem autêntica de Cristo, tal como era apresentada pela Igreja católica. Aos 19 anos lera uma obra de Cícero – Hortêncio -, hoje perdida, que muito o impressionou. Essa obra era um convite à filosofia, à busca da sabedoria. Em suas peripécias e ânsias, Agostinho reconheceu a Sabedoria imortal em Cristo e converteu-se totalmente a ele. Sua vida é uma lição para todo homem que busca a verdade e deixa-se cativar por ela. Enfatizou como ninguém a urgência da vida interior, pois no interior do homem a presença do Mestre se faz sentir. A partir do seu encontro com Jesus Cristo, Agostinho tornou-se, de fato, um homem de Deus e da Igreja. Foi padre e zeloso bispo de Hipona. Cuidou incansavelmente do s...

Papa mostra com intensidade sua alma de pastor

Padre Elílio de Faria Matos Júnior Sua Santidade o Papa Bento XVI dirigiu uma carta aos bispos da Igreja católica (10-3-09) para explicar-lhes o sentido do levantamento da excomunhão dos quatro bispos sagrados por Dom Lefebvre em 1988. Trata-se de uma carta sob muitos aspectos inédita, em que um Papa deixa transparecer sua alma, seus firmes propósitos e também suas aflições ao explicar um ato seu que “suscitou fora e dentro da Igreja uma discussão de tal veemência que desde há muito tempo não se tinha notícia”. O estilo lembra as cartas de um Paulo ou de um Clemente Romano. Como se sabe, o caso foi apimentado pelas declarações reducionistas de Dom Williamson, que de modo algum estavam em questão na intenção de Bento XVI. Aliás, creio que a tal entrevista polêmica de Dom Williamson, que foi gravada em novembro de 2008 e só divulgada na mídia três dias antes do levantamento da excomunhão (em janeiro de 2009), tenha sido usada, de adrede, para desautorizar o gesto papal. Bento XVI, ao mes...

Papa sublinha validez das práticas cristãs «de sempre»

Permalink: http://www.zenit.org/article-20992?l=portuguese Propõe Nossa Senhora como «modelo de escuta da Palavra» Por Inma Álvarez ROMA, sexta-feira, 6 de março de 2009 ( ZENIT.org ).- O Papa afirmou que as práticas de devoção cristã «de sempre» não foram abolidas pelo Concílio Vaticano II , mas continuam «sendo válidas», durante o encontro com os párocos da diocese de Roma no dia 26 de fevereiro. Diante da pergunta do sacerdote Pietro Riggi, do Bairro dos Meninos Dom Bosco, sobre a vigência ou não de práticas devocionais cristãs como os sufrágios pelos falecidos ou as sextas-feiras dedicadas ao Sagrado Coração, o Papa explicou que «são realidades das quais o Concílio não falou, mas que supõe como realidade na Igreja». Estas práticas «não são coisas necessárias, mas surgidas na riqueza da meditação do mistério» da redenção de Cristo, e advertiu que ainda que «cada um pode entender mais ou menos o que é mais importante e o que não é», contudo « ninguém deverá desprezar esta riqueza, cr...

Destinação da razão na filosofia ocidental

Padre Elílio de Faria Matos Júnior A concepção que se tinha da razão nas grandes filosofias da Antigüidade e da Idade Média era bem diversa da concepção que se foi delineando já a partir do ocaso da Idade Média, com o advento do problema dos universais e sua solução em favor do nominalismo encontrada bem claramente em Guilherme de Ockham (+1349). A razão antiga e medieval, tal como a podemos encontrar num Platão, num Aristóteles, num Plotino, num Agostinho, num Tomás de Aquino, possui um caráter decididamente teológico. O adjetivo teológico aqui, evidentemente, não se refere à teologia revelada, que assume o seu discurso do ato de fé numa revelação divina [1] . Por razão teológica entendemos uma certa concepção de razão, segundo a qual, ao filósofo, no próprio ato do exercício filosófico, num movimento de anabasis (subida), é possível deparar-se com o Princípio de todas as coisas (o divino), ainda que não o possa compreender analiticamente, já que o excesso de sua luz inteligível está...

Tempo de conversão e de salvação

Iniciamos hoje, com a missa de imposição das cinzas, na Sé Catedral Metropolitana de Santo Antônio, em nossa querida Arquidiocese de Juiz de Fora, a Santa Quaresma. A Quaresma é o tempo propício de mudança radical de vida, de penitência, de oração sincera e de esmola. Ouvimos hoje o apelo de Joel, um doce convite à conversão: "Voltai para mim de todo o coração"(cf. Jl 2,12-18). Diante dos bens efêmeros deste mundo somos chamados a virtude do desapego. Assim, somos chamados a pedir a Deus Pai: "Voltai para mim com todo o coração!" Deus, benigno e misericordioso, está sempre aberto para acolher e perdoar a todos os pecadores. Não há pecado, pessoal ou coletivo, que não é perdoado, bastando para isso a necessidade ingente de arrependimento, de emenda de vida e propósito de não mais pecar. Assim, esse tempo penitencial da Quaresma, é o tempo oportuno de voltar o olhar para Deus, restabelecer a fidelidade à Palavra da Vida, deixando-nos conduzir pela Palavra Viva, na bu...