quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Algumas questões sobre o homem e a fé

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

1. Todos os homens querem ser felizes?

Sim, todos os homens, sem exceção, querem ser felizes. Eu, você e todos nós. O desejo da felicidade foi colocado em nós por Deus para que O encontrássemos, Ele que é a Felicidade completa. Infelizmente, muitos procuram a felicidade onde ela não existe: no egoísmo, no comodismo, na vingança, no crime, nos prazeres desregrados, como a droga, o sexo fora do matrimônio, as bebedeiras, etc. Por isso, precisamos ser como que faróis a apontar para Deus e para o seu Amor que perdoa, cura, liberta e salva. Assim, ajudaremos o mundo a encontrar a felicidade que tanto procura.


2. Como conhecemos a Deus?

Nós conhecemos a Deus pelas obras que Ele criou. Assim como uma bela pintura fala do artista que a executou, as maravilhas da criação falam de Deus, o grande Artista do Universo: “Os céus narram a glória de Deus, o firmamento anuncia a obra de suas mãos” (Sl 19,2). A Deus também podemos ouvir pela voz de nossa consciência, voz esta que nos manda fazer o bem e evitar o mal. Mas conhecemos a Deus de modo mais profundo por meio de seu Filho Jesus Cristo, que disse: “Quem me vê, vê Aquele que me enviou” (Jo 12,45). O que Jesus nos ensinou sobre Deus e as coisas de Deus foi confiado à Igreja católica, que, há 2.000 anos, está espalhada pelo mundo. Amparada por Deus, a Igreja anuncia a mensagem de Jesus a todas as pessoas. Se eu quero, então, conhecer a Deus mais profundamente, devo ouvir a Igreja. Ela é portadora e intérprete legítima da Bíblia e da Tradição que vem dos Apóstolos. A ela Jesus confiou a tarefa de evangelizar. Para melhor conhecer a Deus, então, é preciso conhecer a fé católica.


3. Em que nos manda crer a fé católica?

R.: A fé católica nos manda crer em Deus Pai, em seu Filho Jesus Cristo, homem-Deus que veio ao mundo para nos salvar, e no Espírito Santo, que também é Deus e assiste a Igreja e santifica o cristão. Deus é Uno e Trino, ou seja, é um só em três pessoas realmente distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Fomos criados por Deus e para Deus. Deus Filho assumiu a natureza humana e veio ensinar-nos, como homem no meio dos homens, o caminho para o Céu e dar-nos a força para entrarmos nele e nele perseverarmos até a morte.

4. Deus foi quem criou todas as coisas?

R.: Sim. É por Deus que tudo existe. Deus é o Ser que existe desde sempre e para sempre. Tudo o mais foi criado por ele do nada. Mas do nada, nada pode vir – replicará alguém. É verdade. Do nada, nada pode sair. O Universo, porém, não veio do nada, mas veio após um nada; veio do poder infinito de Deus, que não precisa de nenhuma matéria prima ou instrumento para fazer existir tudo o que existe. Foi por amor, para comunicar o seu Ser e difundir a sua Bondade, que Deus tudo criou. Criar é dar a existência àquilo que não existia.


5. Como Jesus Cristo conquistou nossa Redenção?

R.: Redimir quer dizer resgatar. Jesus nos resgatou do mal do pecado e da morte. Como homem ungido pelo Espírito Santo, foi em tudo fiel à vontade do Pai, e isso até a morte de Cruz, que foi o supremo testemunho de sua fidelidade. O amor e a obediência de Cristo são capazes de dissolver todos os pecados dos homens. Por isso, devemos crer n´Ele, receber o batismo e viver junto dele, na Igreja, fazendo frutificar a graça que d´Ele recebemos, para sermos, de fato, homens novos e podermos ver a Deus face-a-face um dia. A ressurreição de Cristo é o penhor da nossa ressurreição futura. “Ó morte, onde está a tua vitória?”.


6. O Espírito Santo nos santifica? Como?

R.: Sim. O Espírito Santo nos santifica. Santificar é separar para Deus, para viver a vida de Deus. Jesus nos prometeu o Espírito como um outro Parákletos, isto é, um outro Advogado ou Consolador. O próprio Jesus é o primeiro Parákletos. A missão do Espírito é a de fazer a vida divina, vivida por Cristo como homem, chegar até nossos corações e, assim, animar e fortalecer a Igreja. O Espírito Santo, docilmente, na medida de nossa abertura, faz a nossa vontade tornar-se uma só coisa com a vontade divina. Ele nos torna amigos de Deus, já que a amizade acontece quando um e outro querem as mesmas coisas e rejeitam as mesmas coisas - “Idem velle, idem nolle” (Salústio). O Espírito faz com que o cristão, decididamente, abrace o que é da vontade de Deus e rejeite tudo o que lhe é contrário. Ele nos renova em Cristo e nos dá a graça de nos tornarmos filhos de Deus, capacitando-nos para receber o prêmio da vida eterna.


7. Viver na Igreja e como Igreja é necessário ao cristão católico?

R.: Sim. Viver na Igreja é indispensável ao católico. Faz parte da fé viver na Igreja e como Igreja. A palavra “Igreja” quer dizer “convocação” ou “assembleia reunida”. Só Deus, não os homens, pode convocar o seu Povo e estabelecer a sua Igreja. Jesus Cristo foi quem fundou a Igreja ao convocar os apóstolos, ao escolher Pedro para estar à sua frente, ao ordenar aos Apóstolos que batizassem e celebrassem a Eucaristia, ao enviá-los em missão e ao derramar o Espírito Santo sobre os discípulos reunidos. Cristo inaugurou novos tempos e, assim, fundou o Novo Povo de Deus. A Igreja é a casa e a família de Deus no mundo. Se o católico não participa da vida da Igreja, a sua fé ainda não está completa.


8. Qual a importância da Missa dominical?

R.: A Missa dominical é o centro de toda a atividade da Igreja. Tudo o que a Igreja faz ordena-se, em última análise, a que todos participem ativa e piedosamente da Missa; toda a ação da Igreja em favor do Reino de Deus tira sua vitalidade da celebração da Eucaristia. Na Missa, acontece a atualização da obra redentora de Jesus Cristo. É na Missa que, além de ouvirmos atentamente a Palavra de Deus, o Corpo de Cristo entregue por nós e o Sangue que ele derramou na Cruz tornam-se realmente presentes. O único sacrifício de Cristo torna-se atual, fazendo-se presente no hoje de nossa história. Pela Eucaristia, entramos em comunhão com a vida de Cristo e recebemos a caridade que o levou a doar a sua vida. O mistério da sua ressurreição e ascensão do Senhor também se faz presente, uma vez que Cristo não poderia atualizar sua entrega ao Pai se não estivesse vivo nos céus. Foi Jesus mesmo que ordenou aos apóstolos a celebração da Missa, quando disse, na última ceia, depois de ter convertido o pão e o vinho em seu Corpo e Sangue: “Fazei isto em memória de mim”. Os primeiros cristãos, cumprindo o mandato do Senhor, reuniam-se no Domingo, Dia da Ressurreição, para celebrar a Eucaristia. Até hoje a Igreja exige dos seus fiéis a participação na Missa dominical, consciente de que a Eucaristia é o grande dom deixado à Igreja por Cristo. Se é a Igreja que faz a Eucaristia, por outro lado é a Eucaristia que faz a Igreja.


9. Na Missa posso comungar sempre o Corpo de Cristo no sacramento?

Em princípio, todo fiel deveria receber o sacramento da Eucaristia na Missa de que participa. Pode-se comungar até duas vezes ao mesmo dia, se a segunda vez for dentro da Missa. A única coisa que impede a comunhão sacramental é o pecado grave ou a situação gravemente irregular. Quem está em pecado grave, deve procurar o quanto antes o sacramento da Penitência, confessar-se com arrependimento e voltar a comungar sacramentalmente. Quem vive numa situação gravemente irregular, como são os que vivem amasiados ou os casais em segunda união, embora não possam comungar sacramentalmente, podem e devem participar da vida da Igreja, especialmente da Missa, educar os filhos na fé, praticar boas obras... Os amasiados, se não há nenhum impedimento, se convivem bem, procurem o sacramento do matrimônio. Por que não? Os casais em segunda união procurem pedir a Deus que lhes aponte o caminho certo e, ao mesmo tempo, estejam abertos para receber as luzes que Deus lhes enviar e agir em conformidade. A Igreja os acolhe como mãe e deseja que sejam guiados por Deus.

2 comentários:

  1. Reverendo Padre Elílio, a sua benção!

    Tenho a seguinte dúvida com relação ao Sacramento da Penitência: sou absolvido de meus pecados podendo novamente comungar mesmo que o Padre não seja muito "católico"? Explico:

    Fui me confessar, estava realmente arrependido de meus pecados. Acontece que quase todos os pecados que eu mencionava (possuo um conhecimento razoável da doutrina católica e sei que alguns eram pecados mortais) o padre dizia "será que isso é pecado?" ou "não posso dar parâmetros" ou "depende do ponto de vista" ou "quem sou eu para julgar?" ou "isso é de foro íntimo, não precisaria contar" ou "siga a sua consciência, se julgar ser isso pecado, se confesse, se não, siga em frente" etc´s... Fingi concordar (para não criar constrangimento), em seguida ele me deu a absolvição. No domingo seguinte à confissão comunguei o Corpo de Cristo na Santa Missa, mas até o presente momento tenho medo de ter cometido um sacrilégio. Padre, continuo em estado de pecado mortal e cometi sacrilégio ao comungar ou fui absolvido de meus pecados independente do pensamento/conselhos do padre?

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  2. A absolvição, ainda que feita por um padre de ortodoxia duvidosa, é válida. É Jesus quem age pelo sacramento. O padre é apenas um instrumento, Jesus sabe colmar os defeitos que possam ter o instrumento e faz, assim, que a graça chegue efetivamente ao fiel bem disposto.

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