quinta-feira, 11 de julho de 2013

Acerca da Encíclica "Lumen Fidei", do Papa Francisco

Pe. Elílio Júnior 

A primeira carta encíclica do Papa Francisco, publicada no último 5 de julho, traz como título Lumen Fidei (A Luz da Fé) e apresenta uma bela e profunda reflexão sobre a fé, uma das três virtudes teologais, ao lado da caridade e da esperança. Aliás, estas últimas duas virtudes já tinham sido objeto de reflexão por parte do Papa Emérito Bento XVI em suas encíclicas Deus caritas est (2005) e Spe salvi (2007).

O Papa Francisco reconhece a contribuição de Bento XVI na confecção do texto: «Ele já tinha quase completado uma primeira redação da carta encíclica sobre a fé. Sou-lhe por isso profundamente agradecido e, na fraternidade, assumo o seu precioso trabalho, acrescentando ao texto alguns contributos ulteriores» (n.7).

Trata-se de um texto profundo, que toca altas questões de teologia e se confronta com grandes autores do pensamento humano, mas, ao mesmo tempo, de linguagem clara e com incidências diretas para a vida espiritual. Ao longo da leitura da encíclica, o crente pode reviver a grandeza da fé, que lhe abre novos horizontes e o encaminha para uma meta de vida que seria inalcançável pelas meras forças humanas. A fé dá-nos, antes de tudo, uma confiança de fundo na vida, uma verdadeira segurança existencial, uma vez que nos faz ver que o nosso ser está fundado na «Realidade realíssima» que é Deus, que estabelece conosco uma relação pessoal: a fé faz Abraão ver que «a vida não procede do nada ou do acaso, mas de uma chamada e um amor pessoal» (n.11).

A fé é apresentada como luz, “em um tempo em que o homem é particularmente necessitado de luz” (n.4). E isso coloca de imediato a fé em relação com a questão da verdade. A metáfora da luz é antiga, e já Platão a usava para falar daquilo que possibilita que o espírito veja, isto é, reconheça o que realmente é – a verdade do ser. O ver que a luz da fé possibilita atinge o que há de mais fundamental no mistério da existência. A fé nos faz ver a «verdade grande» da nossa vida, e isso através da nossa inserção, tornada possível pelo próprio ato de fé, no modo de ver do próprio Jesus, o mestre da verdade religiosa, que nos ensina em profundidade sobre Deus e o homem na sua relação com Deus e com o seu fim último.

Uma grande tentação a ser debelada pela consciência que crê, segundo o Papa, é aquela de achar que a verdade é necessariamente intolerante e violenta, e que, por isso, a verdade da fé não poderia ser abraçada pelo homem que procura a paz e a convivência tranquila. Mas se deve dizer que a fé leva-nos, não a uma «verdade» ideológica, totalizante e fechada, mas àquela verdade fundamental que é inseparável do amor. Outra tentação é a de reduzir a verdade às pequenas verdades científico-tecnológicas, que não podem matar a sede do homem de alçar o olhar para o ser em sua infinitude. Ter fé é abrir-se para o infinito de Deus e para «uma visão luminosa da existência» (n.5).

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