quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Papa volta a celebrar "ad orientem"




Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Bento XVI voltou a celebrar a Santa Missa, na forma ordinária do Rito Romano, posicionado ad orientem (em direção ao Senhor, simbolizado pelo sol nascente). Aconteceu no último dia 11 de janeiro. Assim, ao celebrar versus Deum, Bento XVI reforça a tese de que a reforma litúrgica pedida pelo Concílio Vaticano II não implica, de maneira alguma, uma ruptura com a tradição, de modo que ficasse proibida a orientação do sacerdote ad orientem na oração litúrgica. Celebrar ad orientem, como a Igreja fez por séculos e séculos, não está proibido, e pode expressar, com muita clareza, a centralidade de Deus no culto litúrgico. Foi com este mesmo espírito, contrário a qualquer ruptura, que Bento XVI, pelo Motu proprio Summorum Pontificum, liberou para toda a Igreja a celebração da Santa Missa na forma antiga, jamais ab-rogada, segundo a edição do Missal de 1962. Veja aqui um artigo que já publicamos neste blog sobre a questão da orientação do sacerdote na oração liturgica.

A "progressista" Escola de Bologna, liderada por Alberigo, juntamente com uma grande leva de teólogos, entende o Concílio Vaticano II sobretudo como um evento de ruptura e de descontinuidade na história da Igreja e tende a considerá-lo como o "super-concílio", que teria relativizado tudo o que lhe é anterior. Alguns chegam a dizer algo gravíssimo: que o concílio teria mudado substancialmente o que a Igreja ensinava antes. Mas os Papas Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI sempre negaram que o concílio fosse um evento de ruptura. Alíás, nenhum concílio tem autoridade para mudar a fé da Igreja: "Os Padres não tinham tal mandato e ninguém lhos tinha dado; ninguém, afinal, podia dá-lo porque a constituição essencial da Igreja vem do Senhor e nos foi dada para que pudéssemos chegar à vida eterna e, partindo desta perspectiva, conseguimos iluminar também a vida no tempo e o próprio tempo" (Bento XVI à Cúria Romana, 22/12/2005).

Vejamos o que Ratzinger escreveu sobre a orientação da oração na liturgia:
"Sobre a orientação do altar para o povo, não há sequer uma palavra no texto conciliar. Ela é mencionada em instruções pós-conciliares. A mais importante delas é a Institutio Generalis Missalis Romani (Introdução Geral ao Missal Romano), de 1969, onde, no número 262, se lê: “O altar maior deve ser construído separado da parede, de modo a que se possa facilmente andar ao seu redor e celebrar, nele, olhando na direção do povo [versus populum]”. A introdução à nova edição do Missal Romano, de 2002, retomou esse texto à letra, mas, no final, acrescentou o seguinte: “Isso é desejável sempre que possível”. Esse acréscimo foi lido por muitos como um enrijecimento do texto de 1969, no sentido de que agora haveria uma obrigação geral de construir - “sempre que possível” - os altares voltados para o povo. Essa interpretação, porém, já havia sido repelida pela Congregação para o Culto Divino, que tem competência sobre a questão, em 25 de setembro de 2000, quando explicou que a palavra “expedit” [é desejável] não exprime uma obrigação, mas uma recomendação. A orientação física deveria - assim diz a Congregação - ser distinta da espiritual. Quando o sacerdote celebra versus populum, sua orientação espiritual deveria ser sempre versus Deum per Iesum Christum [para Deus, por meio de Jesus Cristo]. Sendo que ritos, sinais, símbolos e palavras nunca podem esgotar a realidade última do mistério da salvação, devem-se evitar posições unilaterais e absolutizantes a respeito dessa questão. Esse esclarecimento é importante, pois deixa transparecer o caráter relativo das formas simbólicas externas, opondo-se, assim, aos fanatismos que infelizmente nos últimos quarenta anos não tiveram pequena freqüência nos debates em torno da liturgia. Mas, ao mesmo tempo, ilumina também a direção última da ação litúrgica, nunca totalmente expressa nas formas exteriores, e que é a mesma para o sacerdote e para o povo (voltados para o Senhor: para o Pai, por meio de Cristo no Espírito Santo)". (Joseph Ratzinger, do Prefácio ao livro de Uwe Michael Lang, “Conversi ad Dominum”).

5 comentários:

  1. A paz de Jesus Pe. Elílio!!!
    Parabéns pelo belíssimo texto ele é muito claro quando diz que alguns disseram que o Pastoral Concílio Vaticano II rompeu com a tradição cristã Católica de sempre...Coisa realmente inadmissível!!! Que bom que nosso Papa esclareceu a questão do "subsistit" que bom que Bento XVI liberou a missa de São Pio V que coisa boa nosso Papa ter autorizado o Instituto do Bom Pastor fazer criticas construtivas à letra do Concílio Vaticano II que o Santo Padre interprete como deve ser interpretado o Espírito do Concilio. E que ele acabe com os abusos que vem sendo feito na liturgia Católica. Rezemos pelo Papa. Sua benção Padre. Fique com Deus.
    Christiano_rn@hotmail.com

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  2. Sb,7
    ...permanecendo imutável, tudo renova..

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  3. O grande desafio atual é interpretar o Concílio Vaticano II como ele quer ser interpretado, de acordo com a mente dos Padres. Para isso Bento XVI se tem empenhado.

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  4. Nosso Senhor disse: "Aquele que não estiver comigo está contra mim quem não ajunta comigo espalha" (sem chances de ecumenismo) ou se está com Jesus ou contra ELE!!!. Sinceramente estou convencido que antes de tentarmos fazer as pazes com o "mundo ateu, antropocêntrico etc.." devemos lembrar que a muito tempo Jesus disse que o mundo estava sob o poder do Maligno. Talvez a brecha por onde "a fumaça de satanás entrou na Santa Igreja" como disse o Papa Paulo VI, tenha sido a tentativa de alguns teólogos modernistas de unificar todas as religiões e credos.. talvez o grande problema tenha sido esse olhar o mundo com Gaudiun et Spes.. Não sei!! O que compete a nós é rezar para que o Santo Padre amarre a barca da Santa Igreja naquelas colunas vista por São João Bosco Maria Santíssima e a Sagrada Eucaristia. Viva o Papa!!!

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  5. Prezado Christiano,
    Unificar todas religiões é impossível, porque em matéria relogiosa existe a verdade e a falsidade, e não se pode unificar verdade com falsidade. O movimeto ecumênico se dá somente entre cristãos; é legítimo desde que não ceda ao relativismo eclesiológico, pois sabemos que só na Igreja católica está a plenitude dos meios salvíficos.

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