quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O sangue de são Januário




Padre Elílio de Faria Matos Júnior

São Januário nasceu em Nápoles no século III, foi bispo de Benevento e morreu martirizado, em 305, por causa de sua fé católica, sob as perseguições promovidas pelo Imperador Dioclesiano. Segundo a tradição, uma piedosa cristã de nome Eusébia recolheu o seu sangue, que, pelo ano de 315, foi entregue ao bispo de Nápoles, quando os restos mortais de São Januário foi transladado das catacumbas de Pozzuoli para a sua cidade natal. Parece que desde então, ante a presença do clero e dos fiéis admirados, o sangue do santo, recolhido em duas ampolas em estado sólido, se liquefaz. Começa a borbulhar de uma forma muito estranha, como se estivesse fresco ou tivesse sido recentemente derramado. O fenômeno é testemunhado há séculos, e quem quiser vê-lo é só ir a Nápoles no primeiro sábado de maio ou no dia 19 de setembro, quando o extraordinário acontecimento se repete. Em 1456, o bispo de Siena e cardeal Eneas Sílvio Piccolomini (posteriormente Papa Pio II) residia em Nápoles, exercendo também as funções de Embaixador da República de Florença. Entre os acontecimentos notórios que presenciou destaca "o sangue sagrado de São Genaro, que se mostra umas vezes sólido, outras líquido, apesar de haverem passado 1.200 anos de quando foi derramado por amor a Cristo". Os estudiosos procuram entender o fenômeno, mas em vão têm buscado explicações satisfatórias.

Verdadeiros milagres existem. A Igreja sempre o defendeu. Os milagres são acontecimentos que superam as forças da natureza. Impropriamente se diz que são contra a natureza. São sinais de que o Reino de Deus está em atividade e atinge este nosso mundo. Os milagres também são a "assinatura" de Deus para comprovar a fé revelada por Jesus e confiada à Igreja católica, a Igreja de Pedro, para que a conserve e propague. A fé que Deus exige de nós não deve ser entendida como um puro “salto no escuro”. Entre outras motivações para o crer, o Senhor quis que a nossa anuência interior à sua Palavra fosse acompanhada e confirmada por sinais exteriores e sensíveis. Os milagres, dos quais a história da Igreja está repleta, cumprem esse papel.

É verdade que nem tudo o que se passa por milagre o é de fato. É preciso discernimento e prudência. Entretanto, estudiosos, como o conhecido parapsicólogo Padre Oscar Quevedo, tem dedicado sua vida para distinguir os verdadeiros e os falsos milagres. Padre Quevedo defende a tese de que verdadeiros milagres só têm acontecido na Igreja católica. A explicação é clara: só a fé católica foi revelada por Deus e, como tal, goza das “assinaturas” do Altíssimo. O assunto merece aprofundamento.

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