domingo, 12 de abril de 2009

Feliz Páscoa!


Padre Elílio de Faria Matos Júnior

O grande desejo do ser humano é a imortalidade. Todos desejamos uma vida feliz que não conheça ocaso. Mas onde encontrá-la? Não em nós mesmos. Não temos em nós nada que nos assegure uma vida de tal modo plena e realizada que não possa desfazer-se. Os raros momentos que nos proporcionam alguma experiência de plenitude não trazem em si necessariamente a promessa de eternidade.

Quem sabe devamos procurar fora de nós o que almejamos desde o mais profundo da alma? É assim que muitos procuram imortalizar-se de algum modo nos filhos que são gerados, nas grandes ações que marcam a história, nas obras que influenciam gerações. É verdade que algo de nós sobrevive nos filhos que geramos e nas grandes e notáveis ações ou obras que realizamos. Nossos traços físicos e nossos ideais podem acompanhar nossos filhos, e nossa influência pode continuar a exercer-se pela herança histórica que deixamos.

Mas o nosso desejo profundo de viver uma vida feliz terá sido atendido? Não é difícil ver que nos filhos, nas ações ou obras que deixamos sobrevive apenas um eco ou uma sombra de nós mesmos. O nosso “eu” não pode continuar a existir neles.

E então? Como realizar nossa profunda aspiração? Devemos reconhecer que somente Alguém que tenha em si mesmo a vida em plenitude pode acolher o nosso “eu” e dar-lhe a autêntica realização. Para que não sobrevivam somente as sombras e os ecos de nossa pessoa, uma outra Pessoa, na qual se encontra a fonte de toda a vida e felicidade, deve acolher-nos em seu ser.

Eis o que celebramos neste grande dia da Ressurreição de Nosso Senhor. Aquele que é mais forte do que a morte, chama-nos a participar de sua vida mesma, vida eterna! Nele nossa precária existência não cai no abismo de trevas, mas é recebida na luz da eterna glória.

Que o amor, força que nos faz sair de nós mesmos, lance nosso ser no Ser do Ressuscitado. Saindo de nossa auto-suficiência, que não nos garante nada do que é verdadeiro, bom  e belo, devemos nos abrir para o dom maior manifestado no Senhor redivivo.  O amor e a abertura  para Deus mostra-se, assim,  como fonte de vida em plenitude, de modo que podemos afirmar com convicção: “O amor é mais forte do que a morte”(Ct 8,6). 

Feliz Páscoa a todos!

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